O senador e candidato à Presidência da República Flávio Bolsonaro (PL-RJ) chamou o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) de covarde durante uma transmissão ao vivo no Instagram na noite desta quinta-feira (1º/10).
Flávio iniciou a live dizendo que Lula tinha "fugido" do debate na TV Globo. "Covarde! Eu chamei o Lula mais de duas vezes para o debate. Eu quero debater com você, Lula", declarou. O senador ainda afirmou que o presidente recorreu a "amigos no Judiciário" para impor uma "censura".
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Pouco tempo depois da desistência de Flávio, a TV Globo anunciou o cancelamento do debate. A emissora informou que recebeu duas decisões da Justiça. A primeira é da ministra Estela Aranha, do Tribunal Superior Eleitoral (TSE), relativa a um pedido da coligação da candidatura do presidente Lula (PT).
“A decisão torna inválido o item das regras do debate que trata de candidatos ausentes. A ata com as regras, assinada por todos os partidos, inclusive o PT, determina que, em caso de ausência do candidato, o púlpito reservado a ele seja mantido vazio no cenário, com uma placa que o identifique”, diz um trecho da nota divulgada pela emissora.
Ou seja — a decisão da ministra proibiu a manutenção do púlpito com o nome de Lula e a formulação de perguntas que seriam feitas a ele pelos demais candidatos. Flávio reagiu a essa decisão, dizendo que houve “censura” e anunciou que não participaria.
A segunda decisão foi proferida pelo ministro Gilmar Mendes, do Supremo Tribunal Federal (STF), relativa a um pedido feito pelo partido Solidariedade sobre a participação no debate de Renan Santos (Missão).
“As regras que estabelecem que candidatos devem ser obrigatoriamente convidados para debates em rádio e TV são determinadas por lei e reguladas por portaria do Tribunal Superior Eleitoral: devem ser convidados obrigatoriamente os candidatos de partidos com representação de pelo menos cinco parlamentares no Congresso Nacional. Em atendimento a essa regra, a Globo convidou para o debate os candidatos: Augusto Cury, do Avante; Flávio Bolsonaro, do PL; Ronaldo Caiado, do PSD; e Lula, do PT”, ressaltou a emissora.
A Globo também cita outra decisão, do presidente do TSE, ministro Kassio Nunes Marques, que, na terça-feira, alterou entendimento do próprio tribunal sobre a contagem de parlamentares no Congresso para fins de debate e decidiu que Romeu Zema (Novo) teria direito de participar do debate.
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“A Globo tem longa tradição na organização de debates eleitorais. Nosso propósito é promover a discussão de ideias para o Brasil e oferecer aos eleitores a oportunidade de comparar projetos. Nosso dever é o de promover a democracia, mas as sucessivas decisões judiciais tomadas momentos antes da realização do debate causam insegurança jurídica e representam uma interferência indevida na liberdade que os veículos de imprensa têm de organizar os debates eleitorais”, concluiu a emissora, em nota.
