Campanha de Flávio só vai liberar sigilos depois de analisar documentos entregues por Lula
Advogada Maria Claudia Bucchianeri diz que material do petista será conferido com ajuda de Deltan Dallagnol e cobra dados sobre patrimônio, cartão corporativo e entrada nos palácios
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A campanha do senador Flávio Bolsonaro (PL) só vai abrir os próprios sigilos depois de conferir os documentos entregues pela equipe do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT). A posição foi apresentada pela advogada da campanha, Maria Claudia Bucchianeri, em entrevista coletiva no Tribunal Superior Eleitoral (TSE) nesta quinta-feira (22/10).
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As duas campanhas se comprometeram a apresentar informações pedidas pelo adversário. Segundo a advogada, o objetivo da análise é verificar se tudo o que foi solicitado foi de fato entregue. “A transparência não pode ser pela metade”, afirmou.
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“Quero saber o que trouxe”
Bucchianeri garantiu que não há possibilidade de recuo no acordo entre as campanhas, mas condicionou a abertura dos dados de Flávio à conferência do material. Questionada sobre o prazo, disse que a resposta será imediata se ficar confirmado que Lula entregou o que prometeu. “Quero saber o que trouxe”, afirmou.
A análise terá a participação do ex-procurador da República e ex-deputado Deltan Dallagnol, ex-coordenador da Operação Lava-Jato.
Patrimônio e cartão corporativo
A advogada defendeu transparência total sobre o patrimônio dos candidatos e de suas famílias e sobre o uso de recursos públicos. Para ela, a investigação não deve se limitar aos oito anos do mandato de Flávio no Senado, mas abranger toda a trajetória de Lula no poder.
“Precisamos dar um passo um pouco além. Afinal de contas, Lula está no poder há quase 20 anos. Então, a gente precisa saber se, ao longo desses 20 anos, ele, sua família e suas empresas enriqueceram”, disse. Lula governou o país de 2003 a 2010 e voltou à Presidência em 2023.
Bucchianeri também cobrou informações sobre o padrão de vida do presidente e da primeira-dama, Janja da Silva, e sobre os gastos com o cartão corporativo, por se tratar de dinheiro público. Outro pedido envolve os registros de entrada e saída dos palácios presidenciais, que, segundo ela, não deveriam estar sob sigilo.
Celular “nunca usado”
A advogada criticou ainda a possibilidade de entrega de celulares que não foram usados de fato. “Oferecer um telefone que nunca foi usado é não oferecer nada”, declarou. Segundo ela, a análise precisa incluir os aparelhos efetivamente utilizados para que o compromisso não seja cumprido só em parte.
O segundo turno será no domingo (25/10).
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(Com informações de Alícia Bernardes/Correio Braziliense)