ELEIÇÕES 2026

Campanha de Flávio só vai liberar sigilos depois de analisar documentos entregues por Lula

Advogada Maria Claudia Bucchianeri diz que material do petista será conferido com ajuda de Deltan Dallagnol e cobra dados sobre patrimônio, cartão corporativo e entrada nos palácios

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A campanha do senador Flávio Bolsonaro (PL) só vai abrir os próprios sigilos depois de conferir os documentos entregues pela equipe do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT). A posição foi apresentada pela advogada da campanha, Maria Claudia Bucchianeri, em entrevista coletiva no Tribunal Superior Eleitoral (TSE) nesta quinta-feira (22/10).

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As duas campanhas se comprometeram a apresentar informações pedidas pelo adversário. Segundo a advogada, o objetivo da análise é verificar se tudo o que foi solicitado foi de fato entregue. “A transparência não pode ser pela metade”, afirmou.

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“Quero saber o que trouxe”

Bucchianeri garantiu que não há possibilidade de recuo no acordo entre as campanhas, mas condicionou a abertura dos dados de Flávio à conferência do material. Questionada sobre o prazo, disse que a resposta será imediata se ficar confirmado que Lula entregou o que prometeu. “Quero saber o que trouxe”, afirmou.

A análise terá a participação do ex-procurador da República e ex-deputado Deltan Dallagnol, ex-coordenador da Operação Lava-Jato.

Patrimônio e cartão corporativo

A advogada defendeu transparência total sobre o patrimônio dos candidatos e de suas famílias e sobre o uso de recursos públicos. Para ela, a investigação não deve se limitar aos oito anos do mandato de Flávio no Senado, mas abranger toda a trajetória de Lula no poder.

“Precisamos dar um passo um pouco além. Afinal de contas, Lula está no poder há quase 20 anos. Então, a gente precisa saber se, ao longo desses 20 anos, ele, sua família e suas empresas enriqueceram”, disse. Lula governou o país de 2003 a 2010 e voltou à Presidência em 2023.

Bucchianeri também cobrou informações sobre o padrão de vida do presidente e da primeira-dama, Janja da Silva, e sobre os gastos com o cartão corporativo, por se tratar de dinheiro público. Outro pedido envolve os registros de entrada e saída dos palácios presidenciais, que, segundo ela, não deveriam estar sob sigilo.

Celular “nunca usado”

A advogada criticou ainda a possibilidade de entrega de celulares que não foram usados de fato. “Oferecer um telefone que nunca foi usado é não oferecer nada”, declarou. Segundo ela, a análise precisa incluir os aparelhos efetivamente utilizados para que o compromisso não seja cumprido só em parte.

O segundo turno será no domingo (25/10).

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(Com informações de Alícia Bernardes/Correio Braziliense)

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