REGIME TRABALHISTA

Cleitinho diz que Flávio vai votar a favor do fim da escala 6x1

Governador eleito afirmou que tratou do tema com o presidenciável do PL e defendeu que os três Poderes paguem a conta da redução da jornada

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O governador eleito de Minas Gerais, Cleitinho Azevedo (Republicanos), afirmou que o senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ), candidato à Presidência no segundo turno, se comprometeu a votar a favor da PEC que acaba com a escala 6x1. A declaração foi dada em entrevista à CNN. Segundo Cleitinho, o tema estava entre os assuntos tratados na conversa em que ele oficializou apoio a Flávio.

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“Eu expliquei isso para o Flávio. O Flávio fez esse compromisso também: pautando agora, antes da eleição, parece que o Davi está querendo pautar, ele vai votar favorável também ao fim da escala 6x1”, afirmou, em referência ao presidente do Senado, Davi Alcolumbre (União-AP).

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O governador eleito disse que espera o mesmo dos demais colegas. “Eu não espero só que o Flávio faça isso, não, viu? Eu espero que os 80 senadores tenham o comprometimento de estar do lado do povo para votar esse fim da escala e dar uma folga a mais para o trabalhador”, disse. Cleitinho continua no mandato de senador até a posse no governo de Minas e afirmou que quer participar da votação. “Eu vou votar com prazer. Eu quero ter o prazer de estar como senador ainda e poder fazer história e dar dignidade para o trabalhador que ele merece.”

“Quem tem que pagar a conta são os três Poderes”

Cleitinho lembrou que defende o fim da escala 6x1 desde o início do mandato no Senado. Ele disse que a mudança pode ser feita com equilíbrio entre trabalhadores e empresários. “Dá para a gente valorizar o trabalhador e valorizar também o empresário, o empreendedor, porque quem é fonte de despesa é o Congresso Nacional, são os três Poderes: o Judiciário, o Executivo, o Legislativo”, afirmou.

O senador criticou os supersalários no Judiciário e a paralisação do Congresso durante o período eleitoral. “É um Judiciário que paga penduricalho para juiz de até 1 milhão de reais. É um Congresso Nacional que desde julho está de recesso. Veio a eleição, você está bancando político para fazer campanha, você está trabalhando para deixar um Congresso Nacional parado”, disse.

Para Cleitinho, os políticos não deveriam ser os protagonistas desse debate. “Político nenhum do Brasil, de vereador a presidente, tem moral para opinar sobre o fim da escala 6x1. Quem tem moral para opinar sobre o fim da escala 6x1 é quem vive dela, é o trabalhador.”

Como compensação ao setor produtivo, ele defendeu desoneração da folha e redução de impostos para empresas que adotarem a nova jornada. “Quem tem que cortar da própria carne não é o empresário nem o trabalhador. Quem tem que pagar essa conta são os três Poderes”, afirmou. “O trabalhador que pega um ônibus lotado, que faz uma escala 6 por 1, que tem um salário de 1.600 reais, não tem que bancar mais nada. Quem tem que bancar sou eu, o senador, é um deputado que ganha 40 mil, que tem plano de saúde vitalício, que tem auxílio-alimentação, que tem auxílio-paletó, que tem um monte de privilégio. O trabalhador não tem privilégio nenhum.”

Votação no Senado

A PEC prevê o fim da escala 6x1 e a redução da jornada máxima de trabalho de 44 para 40 horas semanais. O texto foi aprovado pela Câmara dos Deputados em 27 de maio. No Senado, a proposta passou pela Comissão de Constituição e Justiça (CCJ) em 2 de setembro, em votação simbólica. Quatro senadores pediram registro de voto contrário: Rogério Marinho (PL-RN), Jaime Bagattoli (PL-RO), Hamilton Mourão (Republicanos-RS) e Tereza Cristina (PP-MS).

Alcolumbre segurou a votação em plenário até depois do primeiro turno das eleições. Na terça-feira (6/10), anunciou o calendário de tramitação. A previsão é que a PEC seja votada em primeiro turno em 15 de outubro, depois das cinco sessões de discussão exigidas pelo regimento. Se for aprovada, serão necessárias outras três sessões antes da votação em segundo turno.

O tema entrou na disputa presidencial. A votação antes do segundo turno, em 25 de outubro, preocupa a oposição, que admite que a aprovação da proposta agora favorece Lula. Por isso, apoiadores de Flávio pressionam Alcolumbre a adiar a análise. Lula, por sua vez, disse que quer ver como Flávio vai votar a PEC. A senadora Damares Alves (Republicanos-DF), aliada do presidenciável do PL, já declarou voto a favor.

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Cleitinho foi eleito governador no primeiro turno, em 4 de outubro, com 55,41% dos votos válidos. Ele toma posse em 6 de janeiro de 2027.

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