Mãe de Isabella Nardoni e pai de Henry Borel estão entre campeões de votos
Eleitos deputados federais, Ana Carolina Oliveira e Leniel Borel — cujos filhos morreram brutalmente — reforçam partidos que levam a Casa ainda mais para direita
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As histórias de Ana Carolina Oliveira e Leniel Borel, marcadas pelas mortes dos filhos, ganharam um novo capítulo na política brasileira. Foram eleitos deputados federais, nesse domingo (4/10), e, a partir de 2027, trocarão as câmaras municipais de São Paulo e do Rio de Janeiro pela Câmara dos Deputados. As campanhas dos dois foram associadas a pautas de segurança pública, proteção à infância e apoio às vítimas de violência.
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A entrada de Ana Carolina, de 42 anos, na política deu-se após a morte da filha, Isabella Nardoni, em 2008. A menina, então com cinco anos, morreu após ser agredida, asfixiada e lançada do sexto andar do prédio onde morava.
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Em 2024, Ana Carolina tornou-se vereadora em São Paulo. Agora, foi eleita deputada pelo Podemos com 246.741 votos, o equivalente a 1,04% dos votos válidos em São Paulo.
Leniel Borel, também de 42 anos, foi eleito deputado federal pelo PP, com 72.658 votos. Entrou para a política por causa da morte de filho, Henry Borel, em 2021, aos quatro anos, e passou a defender medidas relacionadas à proteção de crianças e adolescentes. Troca o mandato de vereador na capital fluminense pela Câmara.
Jovens caciques
Leniel e Ana Carolina representam partidos que levam a Câmara numa direção ainda mais à direita. E que tem novos e jovens caciques empoderados por uma imensa quantidade de votos.
O principal é Nikolas Ferreira (PL-MG). Aos 30 anos, conquistou 3.119.318 milhões de eleitores e tornou-se o deputado mais votado na história do Brasil. Era dele também o recorde de ter sido o deputado mais votado na eleição de 2022, com aproximadamente 1,47 milhão de votos.
Na próxima legislatura, ele não estará sozinho em termos de volume de votos obtidos. Terá como companheiro de bancada o discípulo Lucas Pavanato (PL-SP), de 28 anos, segundo deputado mais votado na história, com 3.038.438 votos.
O parlamentar tem estilo semelhante ao de Nikolas: domina a linguagem das redes sociais e é agressivo contra adversários políticos nas participações em podcasts e outros confrontos na web. Começou a chamar a atenção ao registrar, para divulgar nas redes, as provocações aos estudantes da Universidade de São Paulo (USP). Envolveu-se em vários entreveros que lhe renderam seguidores.
Mas não é somente a extrema-direita que tem campeões nas urnas. Erika Hilton (PSol-SP) será reconduzida à Câmara por ser a terceira deputada mais votada em São Paulo, com 1.596.472 votos. A partir de 2027, estará no segundo mandato dedicado a enfrentar pautas conservadoras de redução dos direitos das mulheres e da população LGBTQIA+.
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De Pernambuco vem Jones Manoel (PSol), um professor de história, comunicador, escritor, militante e youtuber de 36 anos. Foi o segundo mais votado no estado, com 249.077 votos (4,73 %). Jones também começou a chamar a atenção pelos os duelos contra representantes da nova extrema-direita. Um dos seus alvos preferenciais era, justamente, Pavanato, com quem conviverá na Câmara a partir do próximo ano.
Na política estadual, o bolsonarismo também tem uma campeã de votos. A deputada estadual eleita Eduarda Campopiano (PL) aos 23 anos foi a mulher mais votada em São Paulo, com 1.956.238 votos. Ganhou projeção a partir das redes ao apresentar-se como "a maior inimiga das feministas de São Paulo" e por estar ser, assim como Pavanato, discípula de Nikolas.
Chamou a atenção ao relativizar as estatísticas de feminicídio, por defender a colonização do Brasil, é contra as cotas raciais e sociais, e chegou a afirmar que os índios brasileiros são canibais. Eduarda, hoje, tem mandato de vereadora em Praia Grande, município do litoral paulista.
Ela, aliás, ontem mesmo se meteu em mais uma polêmica: pelas redes, chamou Erika Hilton de "homem biológico".
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*Estagiários sob a supervisão de Fabio Grecchi