Praça do Santuário, em Divinópolis, palco da vitória de Cleitinho
Cidade natal do governador eleito se orgulha do filho ilustre. Parentes e eleitores relembram causos da família Azevedo
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Divinópolis – Não foi à toa que a Praça do Santuário se tornou o ponto tradicional de comemoração da família Azevedo. Nas cidades do interior, a praça é o espaço ideal para uma prosa sobre assuntos infinitos. Nesta segunda-feira (5/10), um tema predominou ali. Afinal, Divinópolis, no Centro-Oeste de Minas, amanheceu orgulhosa de Cleiton Gontijo de Azevedo, o primeiro governador nascido e crescido naquelas “terras divinas”.
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Enquanto limpava a praça onde fica a Câmara Municipal, Gilberto José Caetano, com sorriso largo, já planejava o futuro do divinopolitano de 44 anos. “Quem sabe ele faz um bom governo e se candidata a presidente lá na frente?”, afirmou.
“Ele vai fazer um bom governo. Votei nele e votaria para presidente. Ele é do povo e vai cuidar do povo”, garantiu Gilberto.
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Geraldo Rodrigues Nunes, de 74, conta que Cleitinho não abandona a rotina à qual está habituado, embora se divida entre Divinópolis, Brasília, onde exerce o cargo de senador, e tantas outras cidades do estado. É comum ver o senador praticando atividades físicas em diferentes pontos de Divinópolis, frequentando restaurantes e lanchonetes de lá.
No domingo mesmo, antes de votar, ele correu 15 quilômetros e pedalou. Tomou açaí na praça, enquanto aguardava o resultado das urnas.
“Divinópolis terá um governador que aparecerá mais na cidade. Ele é um cara trabalhador, sempre foi”, conta “Quibig”, como Geraldo é conhecido. Orgulhoso, diz conhecer Cleitinho desde criança, quando o governador eleito ajudava no varejão da família.
“Quando começaram com o sacolão, eu só comprava lá. Ele trabalhou com o povo e o povo vai trabalhar com ele. É um homem humilde que fala o que é certo”, enfatiza Quibig.
O entusiasmo da costureira Maria Marta já está no sorriso. “Vamos ter uma grande representatividade para Divinópolis e região. Votei porque ele é da minha cidade e todos os três (irmãos) fizeram excelentes trabalhos aqui. Eles têm o que mostrar”, diz. “Ele vai olhar para Minas toda, mas principalmente para Divinópolis, que vai melhorar ainda mais.”
Marta se refere ao ex-prefeito da cidade, Gleidson Azevedo (Republicanos), gêmeo de Cleitinho, eleito deputado federal com 126.248 votos, e ao mais velho, Eduardo Azevedo (PL), reeleito deputado estadual com 165.936 votos.
Cleitinho foi o primeiro a ingressar na política, seguido por Gleidson e Eduardo. “Se tem um cara que acreditou no meu irmão desde o início, fui eu. Desde que se lançou vereador, depois deputado, senador e quando estava no impasse entre ser ou não candidato ao governo”, afirma Gleidson.
“Agradecemos a Minas Gerais por ter confiado a eleição de Cleitinho no primeiro turno”, diz Eduardo Azevedo.
Pedro X.
A árvore genealógica dos irmãos tem raízes políticas. Eles são parentes de Pedro X. Gontijo, o primeiro prefeito do município, também conhecido como “Pai de Divinópolis”.
Esta história, pouco conhecida, é contada com orgulho pela tia dos parlamentares. Lenilda Maria de Oliveira, de 80 anos, mora na casa em que os avós de Cleitinho viveram até morrer, que divide com o filho, o vereador Josafá Anderson, e o irmão, Fábio Azevedo, padrinho do governador eleito. “Tirei o Azevedo quando me casei, aos 16 anos, e coloquei o Oliveira”, ela explica.
Lenilda é irmã de José Maria, pai de Cleitinho, Gleidson e Eduardo. Entre casos e causos, ela, orgulhosa, se considera quase “madrinha” deles. Envolvida desde a adolescência com política, conta que convidou o sobrinho para ocupar a última vaga da chapa do Cidadania para vereador em 2016. Tanto Cleitinho e quanto o filho dela se elegeram para a Câmara naquele ano.
“Assistindo” à entrevista, o quadro com a foto dos avós de Cleitinho traz Aurora Gontijo de Azevedo, prima do pioneiro Pedro X. Gontijo. “Cleitinho tem muito dele”, revela Lenilda. A resposta vem acompanhada do porquê: “Era bravo”.
Pedro X., quando se chateava, subia num teco-teco e, lá do alto, espalhava aviõezinhos de papel. Atuante na imprensa local, era dessa forma que se comunicava com a população. Os papéis traziam comunicados, reclamações e até xingamentos.
A autenticidade de Pedro X., farmacêutico e escritor, está em Cleitinho. “Ele vai ser o presidente do país daqui a oito anos”, diz Lenilda. Apesar da confiança, ela aconselha o sobrinho. “Quero deixar um recado para ele: seja moderado. Ele estava apagando uma placa do Comando Vermelho, de drogas, chamando de vagabundo. Ele não pode afrontar essas pessoas. São perigosos”, preocupa-se.
Há um consenso no clã. “Cleitinho é do jeito que é. Muito certo, muito honesto”, afirma o tio e padrinho Fábio Azevedo.
Se os 94.198 eleitores de Divinópolis que votaram em Cleitinho estão emocionados, o que dirá a mãe dele, Selma Azevedo. Antes da fala oficial do filho, ela conversou com a imprensa enquanto chorava. “Não imaginava isso, foi tudo de repente, foi perfeito, maravilhoso. Na humildade, na honestidade, com Deus no coração”, disse.
Pilar
Em 10 anos, Cleitinho, que tentou carreira na música, passou de verdureiro, como se autointitula, a senador e governador. “Se o tio José Maria estivesse aqui conosco, estaria muito feliz. Ele era um dos pilares dos filhos”, afirma o vereador Josafá Anderson.
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O primo ressalta a força do clã. Cleitinho e irmãos perderam o pai em março de 2024. Este ano, despediram-se de Matheus, o caçula, vítima de câncer. “A família tem um poder de recuperação muito grande”, finaliza Josafá.