Vice defende Zema e conclama alternativa à polarização na reta final
Candidato a vice de Zema, senador Eduardo Girão defende gestão do ex-governador em Minas, nega racha no Novo e afirma compromisso com a direita
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O senador Eduardo Girão (Novo-CE), candidato a vice-presidente na chapa de Romeu Zema (Novo), afirmou que a candidatura do ex-governador de Minas Gerais representa uma alternativa à polarização entre o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) e o senador Flávio Bolsonaro (PL) na reta final do primeiro turno das eleições. Em entrevista ao Estado de Minas nesta sexta-feira (2/10), a dois dias da votação, Girão disse não se arrepender da aliança com Zema e afirmou estar "muito consciente" de que os dois estão fazendo "o que é correto".
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Zema aparece com cerca de 3% das intenções de voto em levantamentos recentes, enquanto Lula e Flávio Bolsonaro concentram a maior parte das preferências. A última rodada de pesquisas divulgada nesta sexta-feira mostra os dois primeiros colocados em cenário de disputa acirrada, embora os percentuais variem entre os institutos.
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Segundo turno
Questionado sobre o que faria caso Zema não chegasse ao segundo turno e a disputa ficasse entre Lula e Flávio Bolsonaro, Girão inicialmente evitou trabalhar com uma hipótese eleitoral. Em seguida, porém, afirmou que sua posição em relação ao PT está definida.
“Eu não gosto de fazer suposições. Embora esse cenário tenha uma maior probabilidade, o que eu digo para você é o seguinte: nós estaremos votando contra o Lula, contra o PT”, afirmou. Mais cedo, em entrevista ao Correio Braziliense, Girão declarou que, caso a disputa vá para um segundo turno entre Lula e Flávio, ele e Zema estarão ao lado do filho "01" de Jair Bolsonaro.
Para Girão, o importante é permancear ao lado da direita e, como ele mesmo avalia, os números não encerram a disputa. O senador lembrou que também enfrentou um cenário de baixa expectativa antes de sua eleição para o Senado, em 2018, e citou a própria trajetória de Zema, que chegou ao governo de Minas após começar aquela disputa eleitoral com índices modestos.
“Eu não estaria eleito no Senado se dependesse de pesquisa. Nessa época mesmo, faltando dois dias para a eleição, eu estava lá embaixo no Ceará. Ninguém acreditava que eu ganharia para o Senado. E o Zema também para o governo de Minas”, afirmou em entrevista ao Estado de Minas nesta sexta-feira (2/10),
'Missão no Executivo'
Na avaliação de Girão, a escolha de Zema por uma candidatura à Presidência, em vez de disputar uma das duas vagas de senador por Minas, demonstra que o ex-governador tem como objetivo permanecer no Executivo.
“Ele poderia ser um senador aqui com uma certa tranquilidade nessas duas vagas que estão hoje aqui. É muito natural que governadores se coloquem à disposição para ir para o Senado. Tem vários ex-governadores no Senado. Eu tenho certeza que Zema entraria, mas não. O objetivo dele é realmente uma missão no Executivo”, disse.
Girão afirmou ainda que os dois têm uma trajetória política semelhante em alguns aspectos. O senador está no Congresso há sete anos e meio, período próximo ao tempo de Zema na política, e disse enxergar entre eles uma “sintonia” baseada na ideia de “servir e não ser servido”.
Segundo ele, a candidatura enfrenta uma dificuldade adicional por causa do pouco espaço de exposição do Novo. Girão citou também o cancelamento do debate presidencial que estava previsto para a quinta-feira (1º), na TV Globo, como uma oportunidade perdida para apresentar a chapa ao eleitorado. O debate acabou não ocorrendo após uma sequência de decisões judiciais e desistências de candidatos.
“Muita gente não sabe ainda que Zema e eu somos candidatos. Por incrível que pareça, muita gente no Brasil não sabe. O debate ontem daria essa visibilidade que está faltando”, afirmou.
Dívida de Minas
A defesa de Zema feita por Girão passa também pela gestão das contas públicas de Minas Gerais, um dos principais pontos de questionamento à administração do ex-governador. Dados da Secretaria de Estado da Fazenda publicados em dezembro de 2025 mostraram que a dívida total do estado havia chegado a R$ 201,09 bilhões, alta de 63% em relação aos R$ 123,36 bilhões registrados em dezembro de 2019. O valor era superior à receita prevista na Lei Orçamentária de 2026, de R$ 127,1 bilhões.
Questionado sobre o aumento do endividamento e sobre as críticas de que Zema não teria adotado medidas suficientes para enfrentar o problema, Girão argumentou que a análise não deve considerar apenas o valor nominal da dívida.
“Na questão nominal, você tem aí os índices que o governo coloca, que são índices estratosféricos, que aumentaram muito a dívida. Mas você tem que ver a relação da dívida. E caiu quando você faz a relação da dívida em relação à arrecadação. É aí que você vê a saúde financeira”, afirmou.
Girão também citou a situação encontrada por Zema ao assumir o governo, em 2019, e disse que não seria possível resolver em sete anos um problema acumulado ao longo de décadas.
“Não tem como numa gestão de sete anos resolver um problema do endividamento que tem de décadas”, afirmou.
Girão nega racha no Novo
A entrevista também abordou as informações de que haveria divergências dentro do Novo sobre a estratégia de Zema diante de Flávio Bolsonaro. Questionado sobre relatos de que setores do partido defenderiam uma postura mais agressiva contra o candidato do PL, Girão negou que exista um desgaste entre a campanha e a legenda.
“Absolutamente. Estávamos todos juntos ontem lá no debate da Globo, que não ocorreu. Chegamos juntos”, disse.
Segundo o senador, Zema mantém as posições apresentadas durante a campanha e não teria alterado sua estratégia por pressão interna.
“O Zema é extremamente firme em relação às suas posições. Ele faz política como modo de vida e não como meio. Já demonstrou seu posicionamento, não retirou nada que falou em relação a tudo que ele disse na campanha”, afirmou.
A declaração ocorre em meio à movimentação de integrantes do Novo e de candidatos aliados na reta final da eleição. Girão, contudo, sustentou que a campanha segue unida e que a chapa mantém o objetivo de disputar o primeiro turno apresentando sua própria proposta.
xperiência como presidente do Fortaleza para defender a possibilidade de adversários políticos conviverem sem se transformar em inimigos. Ele relatou que, durante sua gestão no clube, procurou o então presidente do Ceará para promover ações conjuntas contra a violência entre torcidas.
“A gente pode ser adversário no campo da política. Jamais inimigos. Não é por causa das ideias diferentes”, disse.
Na avaliação dele, o eleitor deveria analisar as alternativas apresentadas no primeiro turno antes de optar por uma candidatura com base na possibilidade de segundo turno.
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“Quanto mais alternativas tiverem, melhor para a população conhecer as propostas, debater o assunto”, afirmou.