ELEIÇÕES 2026

Força-tarefa na proteção do eleitor mineiro e da urna

O planejamento para a eleição começou meses antes e envolve todos os órgãos responsáveis pela segurança no estado de Minas Gerais

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A três dias do primeiro turno das eleições de 2026, o Tribunal Regional Eleitoral de Minas Gerais (TRE-MG) monta uma força-tarefa com órgãos de segurança e justiça para garantir a segurança e a livre circulação dos eleitores, e a plena garantia do dever democrático no primeiro turno das eleições no estado, marcado para o próximo domingo (4/10).

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Na visão do desembargador do TRE-MG Paulo de Tarso Tamburini, a previsão de agitação é similar ao fim de um campeonato de futebol, com torcidas que vão comemorar mais que as outras. Para isso, o Gabinete Integrado de Segurança (GIS) pretende unir forças para garantir a segurança.

O presidente do TRE-MG, Carlos Henrique Perpétuo Braga, afirmou que o planejamento para a eleição começou meses antes e envolve todos os órgãos responsáveis pela segurança no estado. Segundo ele, as regiões de Minas Gerais foram analisadas de acordo com suas particularidades para que o eleitor possa chegar ao local de votação, exercer o direito ao voto e retornar para casa com tranquilidade.

“Estamos a três dias das eleições e aqui consolida-se mais uma etapa importante dessa preparação que realizamos para garantirmos eleições seguras, tranquilas, rígidas, como é da tradição do povo mineiro”, afirmou Braga. De acordo com o presidente, a estrutura foi pensada para atender tanto a capital quanto o interior. “O voto do eleitor da capital vale tanto quanto o voto do eleitor do interior”, disse.

Braga ponderou, no entanto, que não é possível prever ou impedir todas as ocorrências que podem acontecer durante o pleito. O objetivo, segundo ele, é garantir que as forças estejam preparadas para responder rapidamente aos eventuais problemas. “Não temos como garantir a vocês que nada de ruim acontecerá, mas estaremos preparados, com certeza, para responder a tempo e modo a cada um desses desafios”, afirmou.

Matriz de risco

Tamburini diz que o GIS reúne, além dos juízes do TRE-MG, o Ministério Público Estadual e o Ministério Público Federal, que atuam com o Ministério Público Eleitoral, e as forças de segurança que trabalham em Minas Gerais.

Participam do gabinete a Polícia Federal (PF), a Polícia Civil, a Polícia Rodoviária Federal (PRF), a Polícia Militar de Minas Gerais (PMMG), a Secretaria de Estado de Justiça e Segurança Pública (Sejusp), o Corpo de Bombeiros Militar e a Defesa Civil. A Agência Brasileira de Inteligência (Abin) e o Exército participam como observadores.

Desembargador do TRE-MG Paulo de Tarso Tamburini explicou que o GIS reúne, além dos juízes do TRE-MG, o Ministério Público Estadual e o Ministério Público Federal, que atuam com o Ministério Público Eleitoral, e as forças de segurança que trabalham em Minas Gerais
Desembargador do TRE-MG Paulo de Tarso Tamburini explicou que o GIS reúne, além dos juízes do TRE-MG, o Ministério Público Estadual e o Ministério Público Federal, que atuam com o Ministério Público Eleitoral, e as forças de segurança que trabalham em Minas Gerais Giovanna de Souza/EM/D.A. Press

O trabalho é baseado em uma matriz de risco, elaborada a partir do levantamento de ocorrências registradas em eleições anteriores. A partir dessas informações, os órgãos conseguem identificar regiões que podem exigir maior atenção e estabelecer procedimentos para diferentes tipos de ocorrência. Segundo ele, os 304 juízes eleitorais também estarão mobilizados no domingo. A estimativa é que entre 16 milhões e 18 milhões de pessoas circulem pelo estado entre os horários de 7h e 19h.

Um dos exemplos citados pelo desembargador é o de Campo do Meio, no Sul de Minas. A região tinha uma usina que passou por um processo de desmobilização e, em eleições anteriores, registrou forte movimentação. O local foi incluído no planejamento do GIS e, segundo Tamburini, não teve ocorrências na última eleição.

“É um estudo detalhado de todas as ocorrências de eleições passadas que nos categorizam prioridades em perspectiva de possibilidades de eventuais conflitos ou movimentações nessas respectivas regiões”, explicou.

Segundo o desembargador, 18 ocorrências foram registradas no período eleitoral até o momento. Entre os casos estão ameaças relatadas por candidatos e um incêndio em um comitê político, que não deixou feridos e não provocou danos materiais, de acordo com Tamburini. Os casos ainda são investigados.

Crimes eleitorais

O gabinete também acompanha situações relacionadas a crimes eleitorais. Dentre as preocupações, estão transporte ilegal de eleitores em favor de um candidato em específico, fornecimento de alimentação, distribuição de brindes e a prática de boca de urna.

Segundo Tamburini, os policiais estão sendo preparados há meses para saber como agir diante de situações que possam surgir no dia da votação.

A Polícia Federal (PF) também mantém uma frente específica de inteligência para acompanhar possíveis ilícitos eleitorais. O superintendente da PF em Minas Gerais, Richard Murad Macedo, afirmou que a corporação trabalha há mais de 60 dias no planejamento e no monitoramento das eleições.

Entre as prioridades estão crimes de corrupção eleitoral e compra de votos. A PF também acompanha o fluxo de recursos das campanhas e pretende concluir eventuais investigações antes da diplomação. “Nós já estamos acompanhando todo o fluxo, principalmente de capital dessas campanhas, esperando que até o dia das eleições esse monitoramento se aperfeiçoe ainda mais, principalmente no combate aos crimes de corrupção eleitoral, compra de votos”, afirmou Murad.

Segundo ele, a intenção é disponibilizar as investigações concluídas ao Ministério Público Eleitoral para eventual oferecimento de denúncia e para ações de impugnação de mandato ou de impedimento da diplomação, quando cabíveis.

Policiais militares nos 853 municípios

A Polícia Militar de Minas Gerais (PMMG) disponibilizou todo o efetivo para o processo eleitoral. O diretor de operações da corporação, coronel Célio César dos Santos, afirmou que o planejamento é realizado há meses em conjunto com o TRE-MG e as demais forças.

A PMMG terá capitães ou tenentes nos 853 municípios mineiros. Esses oficiais terão a função de direcionar o policiamento, solucionar dúvidas e definir as ações diante de eventuais ocorrências. “Em todos esses municípios vai ter a presença de um capitão ou de um tenente com condições de direcionar o policiamento, de sanar as dúvidas e decidir as ações daquele policiamento ali empenhado”, afirmou. A corporação também estará presente nas seções eleitorais com policiais militares ostensivos e fardados. A atuação ocorrerá mediante solicitação do presidente de cada seção.,

O planejamento inclui ainda procedimentos operacionais padrão, elaborados em conjunto com o TRE-MG e outras forças, para orientar os policiais sobre como agir em diferentes situações.

A PMMG também prestará atenção ao período após a votação. Segundo o coronel, o policiamento será mantido após o encerramento da apuração para garantir a segurança tanto de quem for comemorar o resultado quanto de quem deixar os locais após a derrota de seus candidatos.

Rodovias

A livre circulação dos eleitores pelas rodovias também está entre as prioridades. A Polícia Rodoviária Federal vai garantir a mobilidade durante o domingo. O superintendente executivo da PRF em Minas Gerais, Marcelo Gonçalves Viana, afirmou que a corporação está preparada para atuar rapidamente em casos de acidentes, interdições e outros problemas que possam bloquear as estradas. “A mobilidade é o principal trabalho que a PRF virá desenvolver”, afirmou.

O superintendente executivo da PRF em Minas Gerais, Marcelo Gonçalves Viana, afirmou que a corporação está preparada para atuar rapidamente em casos de acidentes, interdições e outros problemas que possam bloquear as estradas
O superintendente executivo da PRF em Minas Gerais, Marcelo Gonçalves Viana, afirmou que a corporação está preparada para atuar rapidamente em casos de acidentes, interdições e outros problemas que possam bloquear as estradas Giovanna de Souza/EM/D.A. Press

Segundo ele, o objetivo é desobstruir os locais afetados no menor tempo possível e manter os eleitores informados sobre eventuais problemas nas rodovias.

Nas rodovias estaduais e nas federais delegadas, a atuação ficará sob responsabilidade da Polícia Militar Rodoviária. Segundo a PMMG, não houve registro de situações que impedissem eleitores de votar nas eleições anteriores nessas vias e não há previsão de ocorrência desse tipo neste ano.

Urnas

A segurança das urnas eletrônicas também integra o planejamento do GIS. A distribuição dos equipamentos começa nesta sexta-feira (2/10) e terá acompanhamento da Polícia Militar. O trajeto será monitorado desde a saída dos centros de distribuição até a entrega nas zonas eleitorais. O sistema permitirá acompanhar os policiais responsáveis pelo transporte, a placa da viatura, o caminho percorrido, o horário da entrega e a pessoa que recebeu a urna.

A logística envolve a Polícia Federal, a Polícia Rodoviária Federal e a Polícia Militar. Segundo Braga, as forças atuam em conjunto para garantir a entrega dos equipamentos nas 304 zonas eleitorais do estado.
Em caso de falha durante a votação, haverá urnas de contingência para substituição.

Bombeiros reforçam prevenção

O Corpo de Bombeiros Militar estará com 100% do efetivo à disposição das eleições. A comandante do Primeiro Comando Operacional de Bombeiros, coronel Amanda Cristina Miranda, afirmou que a atuação ocorre antes, durante e depois da votação.

Antes do pleito, a principal preocupação é a prevenção de incêndios e situações de pânico nos locais de votação. A corporação analisa os pontos considerados mais complexos, especialmente aqueles com maior concentração de eleitores, e faz vistorias e acompanhamentos.

Durante a votação, os bombeiros manterão os atendimentos de combate a incêndios, salvamentos terrestres, aquáticos e em altura, atendimento pré-hospitalar e ações de defesa civil. Além do efetivo disponível, a corporação terá mais de 100 pontos-base distribuídos pelo estado, com viaturas, equipamentos e bombeiros.

Os locais ficarão principalmente próximos a escolas, praças e outros pontos considerados estratégicos. Segundo a comandante, os locais com maior número de eleitores receberam atenção especial para garantir uma resposta rápida em caso de ocorrência.

Polícia Civil e Ministério Público

A Polícia Civil de Minas Gerais também terá reforço no período eleitoral. O efetivo operacional será ampliado a partir de sábado (3/10) e permanecerá mobilizado durante o domingo e a segunda-feira (5/10).

Delegados, escrivães, investigadores, peritos criminais e médicos-legistas estarão preparados para atender ocorrências eleitorais nas localidades que não são atendidas pela Polícia Federal.

O Ministério Público Eleitoral também estará presente nas zonas eleitorais. O promotor de Justiça Vinícius Bigonha Cancella Moraes de Melo, coordenador do Centro de Apoio Operacional Eleitoral do Ministério Público de Minas Gerais, explicou que os promotores estaduais atuam nas zonas eleitorais, enquanto o Ministério Público Federal atua junto ao TRE-MG.

Os promotores acompanharão a fiscalização durante todo o domingo, incluindo propaganda, seções eleitorais e eventuais irregularidades. Segundo Bigonha, recomendações aos partidos foram expedidas desde o início do ano com orientações sobre as condutas permitidas e proibidas.

Pós-eleição

A atuação das forças de segurança seguirá após o encerramento da votação. O objetivo é acompanhar as comemorações e evitar conflitos diante da divulgação dos resultados. Tamburini comparou o momento ao fim de uma partida de futebol, em que torcidas podem ter reações diferentes ao resultado. “Há sempre o risco de aqueles ânimos exaltados em razão daquele fato causar algum tipo de conflito ou algum tipo de tumulto”, afirmou.

A Sejusp também estará mobilizada para acompanhar as ocorrências em tempo real. Segundo o superintendente de Integração e Planejamento Operacional da pasta, Bernardo Naves, o órgão atua na gestão dos dados e no levantamento das informações sobre as ocorrências registradas em Minas.

A estrutura inclui o Centro Integrado de Comando e Controle, na Cidade Administrativa, o Centro Integrado de Atendimento e Despacho e o Disque Denúncia Unificado, que também recebe denúncias sobre crimes eleitorais. A Polícia Penal e o sistema socioeducativo também estarão mobilizados.

Para o presidente do TRE-MG, a atuação integrada tem como objetivo garantir que o eleitor possa exercer o direito ao voto com segurança. “Contamos sempre com cada um dos senhores da imprensa para a boa informação”, afirmou Braga.

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O desembargador Tamburini reforçou que a preocupação do GIS é com a segurança de todo o processo, e não com um crime específico. “A nossa preocupação não é especificamente com um crime específico ou com um gênero de crime específico, mas é exatamente com todo o conjunto de leis que garantem ao eleitor ir votar com segurança, ter o sigilo do seu voto resguardado e a integridade do sistema de votação”, afirmou.

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