Relatório da Comissão Brasileira de Justiça e Paz (CBJP), órgão vinculado à Conferência Nacional dos Bispos do Brasil (CNBB), lista 58 ataques atribuídos a bolsonaristas, entre eles a recente declaração do candidato a presidente, senador Flávio Bolsonaro (PL), de que a entidade estaria envolvida na polêmica sobre Nossa Senhora Aparecida.
Os dados, atualizados no último dia 27 de setembro, relacionam episódios desde 2018, ano da eleição de Jair Bolsonaro (PL) para o Palácio do Planalto. De acordo com o documento, que tem 51 páginas e foi revelado pelo Brasil de Fato, a CNBB, seus dirigentes e suas campanhas pastorais são alvos de acusações financeiras, de associação ao PT ou ao comunismo e de desqualificação religiosa pelo menos desde 2018.
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“Vídeos, blogs e publicações de figuras políticas transformam temas como fome, ecologia, moradia e democracia em suspeitas sobre a legitimidade dos bispos”, diz o texto. O relatório também reproduz uma análise de conjuntura feita pela CNBB em abril de 2025, na qual a entidade manifesta preocupação com o papel das igrejas neopentecostais e de setores evangélicos conservadores no avanço da extrema direita no país e com o controle, por esses grupos, de instituições políticas, sociais e educacionais.
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De acordo com o documento, que foi entregue aos bispos, um dos alvos reiterados desses ataques é a Campanha da Fraternidade, que tem sido vítima de boicotes e mobilizações públicas, inclusive com orientações para que não sejam feitas doações.
“Há episódios que ultrapassam a disputa de opiniões. O acervo registra ameaças relatadas, intimidação durante celebrações, ofensas em tribunas parlamentares e monitoramento de bispos descrito pela Polícia Federal. Essas ocorrências atingem a atuação pastoral e exigem respostas de solidariedade, esclarecimento e proteção institucional”, diz um trecho do documento, que avalia haver uma “estratégia articulada de ataques à Igreja Católica”.
O relatório diz que a acusação feita por Flávio de que a CNBB estaria por trás da informação de que ele teria interesse em retirar de Nossa Senhora Aparecida o título de padroeira do Brasil recolocou a entidade no centro da disputa.
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“O episódio é o ponto de chegada deste recorte: uma acusação eleitoral que encontra um repertório de hostilidade já documentado há anos”, diz o relatório, que afirma ainda que a preocupação com a instrumentalização da fé e a intolerância precede a controvérsia eleitoral de setembro de 2026.
Por meio de uma nota, a CNBB rechaçou as acusações do senador, negou produzir, autorizar ou divulgar informações falsas e rejeitou qualquer associação com estruturas partidárias.
O primeiro ataque citado pelo relatório envolve o blogueiro Bernardo Kuster, católico ligado à extrema direita brasileira, que, em fevereiro de 2018, publicou um vídeo associando a CNBB à esquerda, em especial ao PT.
O documento também cita ataques a homilias e dirigentes, entre eles dom Walmor Oliveira, arcebispo de Belo Horizonte, que presidiu a CNBB entre 2019 e 2023. Cita ainda um relatório da Polícia Federal (PF) sobre a atuação da Agência Brasileira de Inteligência (Abin) paralela, que teria monitorado, por determinação do general Augusto Heleno, aliado de Bolsonaro, a atuação de 158 bispos. Heleno, que foi chefe do Gabinete de Segurança Institucional no governo Bolsonaro, foi condenado por tentativa de golpe de Estado.
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