O cantor e compositor Chico Buarque afirmou, na noite dessa quarta-feira (23/9), que valorizar a cultura brasileira também significa valorizar o próprio povo. A declaração ocorreu durante um ato com o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) e representantes do setor cultural na Fundição Progresso, na Lapa, no Centro do Rio de Janeiro. O evento integra a campanha de Lula à reeleição e ocorreu a 11 dias do primeiro turno, marcado para o próximo dia 4 de outubro.
Ao discursar no encontro, Chico afirmou que a reunião era uma pequena demonstração da produção cultural do país. Para o cantor, a relação entre cultura e soberania passa pelo reconhecimento das manifestações produzidas pela população.
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"O importante é dizer que isso aqui, essa reunião é uma pequena mostra do que o Brasil produz, e do que o Brasil tem de gostável, né? A cultura que o povo produz. Porque se você não gostar da cultura, não vai gostar do seu povo”, afirmou.
O cantor também relacionou o tema à discussão sobre soberania nacional, uma das questões abordadas por Lula no discurso na Assembleia Geral da Organização das Nações Unidas (ONU), realizada na terça-feira (22/9), em Nova York.
Lula defende política cultural permanente
O encontro reuniu cerca de 100 artistas, além de representantes do setor cultural e lideranças políticas. Entre os nomes presentes estavam Paulinho da Viola, Marieta Severo, Lenine, Chico César, Zeca Pagodinho, Daniela Mercury, Fernanda Abreu, Malu Mader, Tony Belotto e Cissa Guimarães. Também participaram a primeira-dama Janja, a ministra da Cultura, Margareth Menezes, a deputada federal Benedita da Silva (PT) e o prefeito do Rio, Eduardo Cavaliere (PSD).
Em discurso, o presidente defendeu uma mudança na Constituição para transformar as políticas culturais em uma política de Estado, com mecanismos que dificultem sua interrupção ou alteração a cada troca de governo. Segundo Lula, a proposta teria como objetivo garantir continuidade às ações desenvolvidas na área cultural. Ele afirmou que já havia tentado, ao fim do segundo mandato, consolidar as políticas implementadas durante os oito anos anteriores de governo.
"Para que a gente transforme a Cultura totalmente perene, é preciso que a gente coloque na Constituição aquilo que a gente quer de cultura", afirmou.
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O presidente também pediu que deputados e senadores discutissem a possibilidade de apresentar uma proposta de emenda à Constituição (PEC) sobre o tema.
Atualmente, a Constituição estabelece que o Estado deve garantir o exercício dos direitos culturais e apoiar e incentivar a valorização e a difusão das manifestações culturais. O texto também prevê o Plano Nacional de Cultura e o Sistema Nacional de Cultura.
Lula, porém, afirmou que essas estruturas não seriam suficientes para impedir mudanças provocadas pela alternância de governos. Ao falar sobre sua experiência na Presidência, criticou alterações realizadas durante o governo de Jair Bolsonaro (PL).
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"O Bolsonaro destruiu o ministério não apenas da Cultura; ele destruiu o Ministério do Trabalho, ele destruiu o Ministério da Indústria e Comércio", afirmou.
