O psiquiatra e candidato à Presidência da República Augusto Cury (Avante) defendeu a realização de uma auditoria nacional e internacional nos algoritmos utilizados pela Meta, empresa responsável pelo Instagram e Facebook. Para ele, os sistemas usados pelas plataformas para distribuir e recomendar conteúdos estão entre as causas da polarização e do radicalismo político.
Segundo ele, a proposta será levada ao Tribunal Superior Eleitoral (TSE). As declarações foram feitas durante coletiva de imprensa na Associação Paulista de Imprensa (API), em São Paulo (SP), nesta quinta-feira (17/9).
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Cury argumentou que a proposta não tem como objetivo criar mecanismos para restringir a liberdade de expressão ou regular as redes sociais. Segundo ele, é necessário permitir que especialistas independentes tenham acesso aos algoritmos para analisar os critérios utilizados na distribuição dos conteúdos. “Eu sou a favor da liberdade de expressão. A questão não é regular as redes sociais. É abrir o algoritmo. Ele tem que ser aberto”, afirmou.
O candidato não acusa a Meta de agir propositalmente para provocar polarização, mas considera que o funcionamento dos sistemas pode contribuir para o fenômeno. “Não vou dizer que é intencional, em hipótese alguma, mas o próprio algoritmo é uma das causas que tem levado à polarização e ao radicalismo no mundo”, declarou.
Para o presidenciável, a transparência dos algoritmos permitiria entender por que determinados conteúdos são entregues aos usuários e outros deixam de alcançar o mesmo público. “Não há liberdade nos algoritmos. Como esses algoritmos entregam? Por que entregam?”, questionou.
Ele defendeu que a eventual auditoria não seja feita apenas por profissionais da própria empresa, mas também por especialistas brasileiros e estrangeiros, de diferentes áreas, que possam analisar de forma independente os sistemas responsáveis pela recomendação e distribuição de publicações. “Eu quero que haja auditores, não apenas nacionais, mas internacionais. Agora, eu não sei se a Meta vai topar e eu espero que sim”, afirmou.
Cury também afirmou que o funcionamento dos algoritmos precisa ser analisado para identificar se os sistemas podem interferir no alcance das publicações. “Tem que abrir, porque o algoritmo pode filtrar o que você envia e o que você não envia”, disse.
Discussão no TSE
Durante a agenda, o candidato ainda afirmou que pretende levar a discussão ao TSE e defendeu que a Corte cobre maior transparência das plataformas durante o período eleitoral. “Eu pediria para o TSE: abra o algoritmo. Não pode haver restrição. As mensagens têm de chegar”, declarou. Na visão dele, a abertura poderia permitir uma análise dos mecanismos e a ampliação da transparência durante o processo eleitoral.
Cury relacionou a proposta ao alcance dos conteúdos de sua própria candidatura. Segundo ele, a campanha acompanha as interações e manifestações nas redes sociais e considera necessário compreender os mecanismos utilizados pelas plataformas para definir quais publicações terão maior ou menor alcance.
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A reportagem entrou em contato com a Meta para comentar a possibilidade de realização de uma auditoria independente e a transparência dos algoritmos utilizados pelo Instagram e pelo Facebook. A empresa ainda não havia respondido até a publicação desta matéria.
