FOLHAPRESS - O presidente do Supremo Tribunal Federal (STF), Edson Fachin, pressionou o procurador-geral da República, Paulo Gonet, a se afastar do caso do Banco Master e não participar da sessão da Corte que vai analisar o relatório que aponta Alexandre de Moraes como interlocutor do ex-banqueiro Daniel Vorcaro, dono do Banco Master. No mesmo documento, também há menções ao chefe da PGR.

Segundo interlocutores da Corte, nos últimos dias Fachin cogitou determinar, via medida judicial, o afastamento de Gonet do caso. Por fim, Fachin concluiu que o melhor seria uma construção que envolva um gesto do próprio procurador.

O chefe da PGR esteve no gabinete da presidência do STF durante a tarde dessa quinta-feira (10/9). Ele e Fachin conversaram por cerca de meia hora. Pessoas a par das tratativas afirmam que Fachin sugeriu que a PGR seja representada, na próxima terça-feira (15/9), por outro procurador. Uma opção aventada por Fachin foi o vice-procurador-geral da República, Hindenburgo Chateaubriand.

Nos bastidores, a avaliação é a de que a ausência de Gonet é especialmente relevante caso o órgão opte pela manifestação oral no plenário.

Na investigação policial, há diálogos em que o advogado Ciro Soares encaminha ao ex-dono do Banco Master mensagens atribuídas ao procurador. Em outros trechos, Vorcaro pede a Moraes que acione o Gonet e o chefe da Polícia Federal, Andrei Rodrigues, para barrar uma operação contra a instituição financeira.

Além disso, ainda de acordo com as apurações, o filho do procurador-geral pediu ao banqueiro para ir a um evento custeado por ele em Londres, com despesas pagas.

Em conversas com sua equipe nos últimos dias, Gonet negou ter relação próxima com Vorcaro e disse que Moraes jamais pediu interferência em investigações sobre o Master. Integrantes do órgão que trabalham diretamente com o procurador-geral afirmam ainda que Gonet conhecia o advogado Ciro Soares e o tratava de forma amigável por ser seu estilo.

O Conselho Superior do Ministério Público Federal abriu, no último dia 3, um procedimento para apurar as menções ao procurador-geral da República nas mensagens do ex-banqueiro. Gonet quer aproveitar o caso para rebater alegações de suspeição.

Nos bastidores, integrantes próximos a ele avaliam que a medida é oportuna para que o Conselho marque uma sessão e o chefe da Procuradoria possa se manifestar.

Crise

Nos últimos dias, Fachin tem mantido rotina intensa de conversas com colegas e assessores sobre os caminhos para arrefecer a crise instalada no STF. Dentre os tópicos das reuniões, está a organização da sessão da próxima terça.

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Diante do ineditismo do caso, ainda há muitas questões em aberto, inclusive o que pode ser de fato decidido na ocasião, quem deverá ter direito a voto, em que momento e de que forma.

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