Um relatório da Polícia Federal aponta o ministro Dias Toffoli, do Supremo Tribunal Federal (STF), como possível “beneficiário final” de um fundo de investimento que recebeu ao menos R$ 35 milhões do banqueiro Daniel Vorcaro. Os recursos foram enviados para uma holding nas Ilhas Virgens Britânicas, um paraíso fiscal.
Segundo a revista “Piauí”, que teve acesso ao documento, a investigação está sob análise do ministro André Mendonça, também do STF, há sete meses, sem qualquer manifestação pública sobre o caso.
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As suspeitas da PF contra Toffoli
O relatório descreve “elementos de informação que, analisados de forma conjunta, apontam no sentido de que o ministro José Antonio Dias Toffoli possa ter figurado como beneficiário final ou proprietário de fato do FIP Arleen”. A apuração coloca o ministro no centro de uma investigação que envolve Vorcaro, dono do Banco Master.
O documento sugere o uso de intermediários e estruturas no exterior. Para a PF, a suspeita é reforçada pelo fato de que o fundo Arleen era sócio do resort Tayayá, localizado em Ribeirão Claro (PR), que pertence a Toffoli e sua família.
A movimentação para o paraíso fiscal
A operação financeira ocorreu ao longo de 2025. Em fevereiro daquele ano, o empresário Alberto Leite, descrito como amigo de Toffoli, adquiriu o fundo Arleen. No mês seguinte, Leite registrou a holding Egide I nas Ilhas Virgens Britânicas.
No mesmo período, o regulamento do fundo foi alterado para permitir investimentos no exterior. Em dezembro de 2025, o Arleen transferiu cerca de R$ 34 milhões para a Egide I Holding, liquidando seus ativos no Brasil. Todo o processo durou menos de um ano.
Influência em julgamento no STF
A investigação também levanta a suspeita de que o banqueiro Daniel Vorcaro possa ter influenciado um voto de Toffoli em uma causa sobre precatórios do setor sucroalcooleiro. O caso envolvia a destilaria Alcídia e teria impacto direto na carteira do Banco Master, que somava mais de R$ 10 bilhões.
O elemento que sustenta a suspeita é uma mudança de posicionamento do ministro. Toffoli, que historicamente votava a favor das usinas, teria mudado seu voto em uma ação similar dias antes do julgamento do caso Alcídia. Uma mensagem do diretor jurídico do Banco Master para Vorcaro descreveu o caso como “paradigma para nossos casos”.
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Consultado pela “Piauí”, o gabinete de Dias Toffoli afirmou em nota que “o ministro jamais manteve ou teve direta ou indiretamente recursos no exterior”. A defesa, no entanto, não abordou a relação com Alberto Leite, o fundo Arleen ou a holding Egide I.
