Quem é Antônio Doido, deputado alvo de operação da PF no Pará
Parlamentar é investigado por crimes eleitorais e suposta fraude em licitação da COP 30; veja a trajetória e o patrimônio do político do MDB
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O deputado federal Antônio Leocádio dos Santos, de 50 anos, conhecido como Antônio Doido (MDB), é um dos alvos de uma operação da Polícia Federal (PF) que apura crimes eleitorais no Pará. Ele pretende se candidatar à reeleição em 2026.
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A ação policial cumpriu quatro mandados de busca e apreensão nesse domingo (27/9), em endereços ligados ao parlamentar. Durante a operação, os agentes apreenderam R$ 87,4 mil em espécie, três veículos, documentos e aparelhos eletrônicos.
A operação fez com que o termo corrupção figurasse entre os mais buscados do Google Brasil nesta segunda-feira (28/9). De acordo com o Google Trends, houve um aumento de mais de mil por cento nas pesquisas nas últimas 24 horas.
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Parte do dinheiro estava em envelopes com nomes de pessoas. A PF também encontrou uma lista com assinaturas que indicariam o recebimento dos valores. Uma pessoa foi presa em flagrante por suspeita de corrupção eleitoral. A investigação corre sob sigilo.
Trajetória política
Antônio Doido nasceu em Dom Macedo Costa, na Bahia, mas construiu sua carreira política no Pará. Em 2016, elegeu-se prefeito de São Miguel do Guamá, no nordeste paraense, pelo PSDB. Quatro anos depois, tentou se manter no cargo pelo PL, mas não obteve sucesso.
Já em 2022, concorreu a uma vaga na Câmara dos Deputados pelo MDB e foi eleito. Nas eleições municipais de 2024, disputou a Prefeitura de Ananindeua, na Região Metropolitana de Belém, mas ficou em segundo lugar, com 23.091 votos.
Deputado já havia sido alvo de investigação da PF
Essa não é a primeira vez que Antônio Doido entra no radar da Polícia Federal. Em dezembro de 2025, o deputado foi alvo de uma operação que investigava suspeitas de corrupção e lavagem de dinheiro. Na época, um assessor parlamentar foi flagrado com R$ 1,1 milhão em espécie após realizar um saque.
O crime de corrupção teria se configurado quando um representante comercial de uma empresa, envolvida em licitações públicas, repassou o dinheiro ao assessor. Em agosto, o ministro Flávio Dino autorizou a abertura de outro inquérito, a pedido da Procuradoria-Geral da República (PGR).
Segundo a PGR, há indícios de que o deputado teria ligação com um grupo suspeito de crimes eleitorais, corrupção e fraudes em uma licitação de R$ 142 milhões para obras da COP 30. Duas empresas centrais no esquema teriam proprietários ligados ao parlamentar. A licitação foi suspensa, e o governo do Pará afirmou que não houve crime.
Patrimônio declarado
Em sua declaração de bens à Justiça Eleitoral em 2026, Antônio Doido informou um patrimônio de R$ 2,23 milhões. A maior parte é formada por terrenos, incluindo:
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Um imóvel às margens da BR-316, avaliado em R$ 730 mil;
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Uma fazenda na PA-124, em Ourém, declarada por R$ 200 mil;
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Um terreno às margens da PA-150, avaliado em R$ 1,15 milhão;
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Um lote na Alça Viária, declarado por R$ 150 mil.
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Quando disputou a Prefeitura de Ananindeua em 2024, o patrimônio declarado somava R$ 2,53 milhões. Naquele ano, além dos mesmos quatro terrenos com valores idênticos, o político declarou R$ 300 mil em uma conta corrente. Entre 2024 e 2026, o valor total declarado caiu R$ 300 mil.