Galípolo confirma intimação da PF e deve dar depoimento sobre caso Master em outubro
Presidente do Banco Central vai prestar informações como testemunha no inquérito da PF; Roberto Campos Neto, André Esteves e Ailton de Aquino também devem ser ouvidos
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BRASÍLIA, DF (FOLHAPRESS) - O presidente do Banco Central, Gabriel Galípolo, confirmou nesta quinta-feira (24/9) ter sido intimado pela Polícia Federal (PF) para prestar informações como testemunha no inquérito sobre o Banco Master, de Daniel Vorcaro. O depoimento deve ocorrer no começo de outubro.
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Além de Galípolo, a PF também convocou o ex-chefe da autoridade monetária Roberto Campos Neto, o dono do BTG Pactual, André Esteves, e o diretor de fiscalização do BC, Ailton de Aquino, para falar à corporação.
As investigações do caso Master envolvem dois ex-gestores do BC: Paulo Sérgio Neves de Souza, ex-diretor de fiscalização, e Belline Santana, ex-chefe de Supervisão Bancária.
Segundo o inquérito, eles teriam atuado em favor dos interesses de Vorcaro dentro do BC, passando informações sobre a fiscalização do regulador. A defesa de ambos nega que eles tenham adotado medidas de favorecimento ao ex-banqueiro.
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A conduta dos ex-gestores do BC também está sendo analisada pela Controladoria-Geral da União (CGU) desde março em um Processo Administrativo Disciplinar (PAD) que pode levar à expulsão dos servidores do quadro funcional da autarquia se forem considerados culpados.
Como mostrou a "Folha de S.Paulo", novas mensagens extraídas do celular de Daniel Vorcaro mostram que o Master fez pagamentos ao irmão de outro funcionário do Banco Central em 2025.
Em uma lista com pagamentos que o banco deveria fazer, consta o nome da LR Consultoria e o valor a receber de R$ 120 mil. A empresa pertence a Leonardo Eyer Harris, irmão de Ricardo Eyer Harris, chefe de gabinete do diretor de regulação do sistema financeiro do Banco Central, Gilneu Francisco Astolfi Vivan.
Procurado, Ricardo disse ter informado a alta administração da autarquia do contrato do irmão e negou participação direta ou indireta em decisões relacionadas ao Banco Master.
Nesse caso, Galípolo defendeu a presunção de inocência e disse que o servidor comunicou a seus superiores diretos no BC a consultoria prestada por seu irmão a Vorcaro na área de mineração.
Outro nome do BC citado no caso Master é o do ex-chefe de departamento de Regulação do Sistema Financeiro João André Calviño Marques Pereira. Como mostrou a Folha, o banco de Vorcaro declarou à Receita Federal ter pago R$ 3 milhões no ano passado à empresa dele, a JGM Solutions.
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João André foi chefe do departamento de abril de 2018 a janeiro de 2024 --período que compreende as presidências de Ilan Goldfajn e Roberto Campos Neto. Ele pediu uma licença do Banco Central em março de 2024 e, por fim, a exoneração do cargo de auditor em junho de 2025. Segundo o ex-servidor do BC, os pagamentos ocorreram a partir de agosto de 2025, quando já havia sido exonerado da autarquia.