CRISE NO STF

Gilmar Mendes ataca Mendonça: ‘Boneco de campanha, pixuleco eleitoral’

Decano acusa colega de tentar obter ganhos políticos com caso Master e volta a defender procurador-geral da República, Paulo Gonet

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O ministro Gilmar Mendes, do Supremo Tribunal Federal (STF), voltou a atacar o colega André Mendonça nesta quinta-feira (17/9) e o chamou novamente de “boneco de campanha” e “pixuleco eleitoral”. Em publicação nas redes sociais, o decano acusou o relator do caso Banco Master de tentar “lucrar politicamente” com a divulgação de informações da investigação e criticou a exposição do procurador-geral da República, Paulo Gonet.

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A manifestação ocorre dois dias depois de Gilmar e Mendonça protagonizarem um bate-boca durante a sessão extraordinária do STF que discutiu os desdobramentos do caso Master e a conduta do ministro Alexandre de Moraes. O embate entre os dois começou justamente após uma discussão sobre a inclusão de Gonet no material tornado público.

Nesta quinta, Gilmar sustentou que as conversas extraídas do celular do ex-banqueiro Daniel Vorcaro e relacionadas ao procurador-geral não apontam prática ilícita. Para o ministro, a divulgação das informações provocou um dano à imagem de Gonet que não seria reparado pelo reconhecimento posterior de que não havia suspeitas contra ele.

“Teve a honra injustamente manchada pelo levantamento do sigilo de conversas que nada de ilícito retratavam. E, naquele exato momento, o estrago à reputação já estava feito. Ninguém desfaz manchete com reparo tardio em plenário”, escreveu.

Gilmar se referia à sessão de terça-feira (15/9), quando Mendonça disse ter mencionado o chefe do Ministério Público por cautela e sustentou não ter feito acusação contra ele. Gonet também destacou durante o julgamento que o relator havia reconhecido não existir elemento que apontasse a prática de ilícito por parte do procurador-geral.

Para o decano, porém, o reconhecimento posterior não justificaria a exposição anterior. “Em plenário, o próprio relator reconheceu, em alto e bom som, a lisura da conduta de Gonet e admitiu que nada havia contra ele. Nada. Então por que expor? Quem atesta a honra de alguém só depois de tê-la arrastado pela praça pública não está corrigindo um erro: está confessando que ele era evitável”, criticou.

Gilmar também relacionou a condução do episódio a um vídeo divulgado por Mendonça no início deste mês. Na gravação, publicada em 4 de setembro, o ministro agradeceu mensagens de apoio e orações recebidas em meio à crise envolvendo o caso Master.

“Meus irmãos e minhas irmãs, minha palavra se dirige a vocês essencialmente para agradecer tantas mensagens de oração e de carinho. Estejam certos que suas preces a Deus têm sido fundamentais para me sustentar e sustentar a minha família”, disse Mendonça no vídeo.

Na avaliação de Gilmar, a publicação seria um indicativo de exploração política do episódio. “A intenção de lucrar politicamente com o episódio ficou escancarada quando o relator fez publicar vídeo nas redes sociais agradecendo o apoio popular”, escreveu.

Na sequência, o decano elevou o tom contra o colega. “Apoio a quê, exatamente? A um ato que ele mesmo admitiu não ter fundamento contra a pessoa exposta? Quem age assim não é magistrado imparcial: é boneco de campanha, um pixuleco eleitoral”, disparou.

Comparação com a Lava Jato

Gilmar também comparou a atuação de Mendonça à condução de episódios da Operação Lava Jato por Sergio Moro e Deltan Dallagnol. Segundo o ministro, a divulgação de informações antes de uma definição judicial teria sido utilizada naquela investigação para produzir repercussão pública.

“Já vimos esse filme. Na Lava Jato, Deltan Dallagnol e Sergio Moro transformaram vazamento seletivo em método”, escreveu. Para Gilmar, esse tipo de exposição cria um “fato consumado” perante a opinião pública antes da conclusão do processo judicial e prejudica o direito de defesa e a presunção de inocência.

O ministro também questionou o momento em que informações do caso Master foram tornadas públicas. Segundo ele, a retirada do sigilo às vésperas do 7 de Setembro teria ocorrido com objetivos políticos.

“Aqui, o levantamento apareceu às vésperas do 7 de Setembro, para inflar as ruas, arrancar dividendos políticos, sujar reputações e intimidar quem se opõe a esse método”, opinou. Gilmar encerrou a publicação prestando solidariedade a Gonet.

Bate-boca no plenário

As críticas dão continuidade ao confronto entre os dois ministros ocorrido na terça-feira. Durante a sessão extraordinária do STF, Mendonça justificou a apuração do caso Master e disse que a referência a Gonet havia sido feita por cautela, sem imputar crime ao procurador-geral.

A explicação não encerrou a discussão. Gilmar reagiu à exposição do chefe da PGR e criticou o que classificou como tom “policialesco” na condução do episódio. A troca de declarações elevou a tensão no plenário e terminou em bate-boca entre os ministros.

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O episódio ocorreu durante a análise dos desdobramentos das mensagens obtidas no âmbito do caso Banco Master, que aprofundaram a crise interna no Supremo e colocaram em discussão a atuação de integrantes da própria Corte.

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