PCC nos transportes: ação contra esquema em SP mira ex-vereador Milton Leite
Polícia investiga como decisões sobre empresas de ônibus ligadas à facção passavam pelo político; ex-presidente da SPTrans também foi preso
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O ex-vereador e ex-presidente da Câmara Municipal de São Paulo, Milton Leite (União Brasil), é considerado foragido pela Polícia Civil. Ele é um dos alvos da Operação Vectura Corrupta, deflagrada nesta quinta-feira (17) contra a infiltração do Primeiro Comando da Capital (PCC) no sistema de transporte coletivo.
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Milton Leite não foi localizado pelos policiais que foram à sua casa para cumprir um mandado de prisão. Segundo a GloboNews, ele estava no imóvel até a tarde de quarta-feira (16), mas uma funcionária informou que ele saiu à noite para um compromisso de campanha.
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A operação prendeu Levi dos Santos Oliveira, ex-presidente da SPTrans, e Danilo Marco Morgado Silva, ex-candidato à Prefeitura de Praia Grande. Ao todo, a ação busca cumprir 16 mandados de prisão e 18 de busca e apreensão em sete cidades paulistas, incluindo a capital.
Influência no setor de ônibus
A investigação aponta que decisões estratégicas sobre empresas de transporte com suspeitas de ligação com o PCC dependiam do conhecimento ou da aprovação política de Milton Leite. Essa conclusão se baseia em interceptações telefônicas e outros elementos de apuração.
No pedido que fundamentou a operação, o ex-vereador é citado como responsável direto pela operação de algumas companhias que seriam controladas pela facção. O documento também aponta que ele seria o dono de fato da Transwolff, com base em declarações de policiais militares.
Milton Leite deixou a vida pública no ano passado, após sete mandatos como vereador e quatro na presidência da Câmara. Atualmente, ele preside o União Brasil na cidade de São Paulo e a Federação União Progressista (UP) no estado.
Outros alvos da operação
Levi dos Santos Oliveira, ex-presidente da SPTrans, foi preso por manter encontros periódicos com José Daniel Satilite, apontado como um dos personagens centrais do esquema. As reuniões tratavam de interesses da facção em empresas de transporte.
Danilo Marco Morgado Silva, que teve o registro de sua candidatura a deputado estadual cassado, também foi detido. A investigação identificou um forte vínculo dele com integrantes do PCC e indícios de que sua campanha à prefeitura de Praia Grande foi financiada pela organização.
Empresas e advogados na mira
A investigação identificou 12 empresas de transporte que seriam controladas pelo PCC:
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Viação Transcap
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Alfa Rodobus
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Transwolff
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A2 Transportes
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Imperial Transportes
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Move Bus
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Pêssego Transportes
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Allianz Transportes
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Transunião
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Qualibus Transportes
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Norte Bus
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Spencer Transportes
A Transwolff já havia sido alvo da Operação Fim da Linha, que prendeu seu então presidente. A apuração também investiga a "Sintonia dos Gravatas", um núcleo de advogados que atuaria em benefício da facção, incluindo Cícero José dos Santos Filho, Eduardo Medeiros e Milton Mello Milreu.
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A apuração atual é um desdobramento de duas operações anteriores. A primeira, "Operação Decurio", começou em agosto de 2024 após a apreensão de drogas e a análise de dados do celular da mulher de um dos líderes do PCC. As informações levaram à descoberta de uma fintech que movimentou cerca de R$ 8 bilhões e revelaram o braço político da organização.