O Movimento Democrático Brasileiro (MDB-MG) oficializou, nesta quinta-feira (13/8), as candidaturas que vão compor a chapa do partido nas eleições deste ano. A definição ocorreu durante reunião da executiva estadual da legenda, com a participação do pré-candidato ao governo, Gabriel Azevedo; da pré-candidata a vice-governadora, Maria Helena Lopes; dos pré-candidatos ao Senado e seus suplentes; além do presidente estadual do MDB, Nilton Cardoso Júnior.
A composição confirmou uma mudança já anunciada nessa quarta-feira (12/8) na disputa pelo Senado. Arcanjo Pimenta, que antes integrava como suplente a chapa do empresário do agronegócio Paulo Roberto, de Capinópolis, no Triângulo Mineiro, passou a ocupar a cabeça da candidatura e será um dos nomes do MDB na corrida por uma vaga no Senado.
Leia Mais
Representantes de diferentes regiões
Arcanjo terá como primeiro suplente Placidino Stábile, de Uberlândia, também no Triângulo Mineiro, e, como segunda suplente, Nena Marquese, ex-prefeita de Formoso, no Noroeste de Minas. Filiado ao partido há 40 anos, o candidato também integra a militância do movimento negro. "A importância de hoje é também a luta negra, da qual faço parte desde criança. Hoje, represento o único candidato negro ao Senado, mesmo sendo [os negros] 54% da população", declarou.
Nilton Cardoso afirmou que a mudança não foi motivada por incertezas em relação à candidatura anterior, mas pelo desempenho do nome de Arcanjo nas análises internas realizadas pelo partido. Segundo ele, embora esse não tenha sido o principal fator para a escolha, a candidatura também dialoga com a proposta de diversidade defendida pela legenda. "Essa pauta precisa estar presente nas escolhas dos partidos e temos isso como prioridade", afirmou.
O outro nome do MDB para o Senado é Manoel Carvalho, vice-prefeito de Muriaé e produtor rural, representante da Zona da Mata mineira. Ele terá como primeiro suplente Kelvin Faria, de Caxambu, no Sul do estado, e como segunda suplente, Ivanise Castro, vereadora de Dionísio, no Vale do Rio Doce.
Durante coletiva de imprensa, Manoel concentrou o discurso na representação dos interesses dos municípios e do setor rural, além de defender a aproximação entre campo e cidade. Entre as pautas citadas estão o fortalecimento dos consórcios públicos, a pesquisa agropecuária, o seguro rural, a infraestrutura, a saúde regional e a segurança no interior. "Quero ser a voz dos municípios mineiros, em especial dos pequenos e médios, já que venho de uma cidade com 110 mil habitantes", afirmou.
Apesar de apresentarem pautas distintas, os dois candidatos ao Senado se unem em uma proposta: uma reforma na composição do Supremo Tribunal Federal (STF). A ideia apresentada no programa de governo do partido prevê mandatos de 12 anos, sem possibilidade de renovação, para futuras nomeações à Corte.
Segundo o documento que integra o programa do MDB, a proposta não é apresentada como uma crítica ao STF nem como uma medida que represente ameaça à democracia.
Neutralidade na disputa presidencial
Em um discurso sem ataques a adversários, Gabriel Azevedo não citou diretamente outros candidatos ao governo durante a coletiva. Em vez disso, destacou a intenção da chapa de representar diferentes regiões do estado, em uma estrutura que, segundo ele, vai além da composição eleitoral.
O MDB não formou coligação com outras legendas e também declarou neutralidade na disputa pela Presidência da República. Segundo Gabriel, a decisão não significa "ficar em cima do muro" ou ausência de posicionamento, mas priorizar os interesses de Minas Gerais independentemente de quem seja eleito para o Palácio do Planalto.
"Quem quer ser governador tem que ter postura para conversar com qualquer presidente da República. Eu estava em Montes Claros e um chegou e falou que ia votar no Flávio Bolsonaro (PL) e em mim. Ok. Outro citou o (presidente) Lula (PT). Ok também. Eu quero governar tendo diálogo com todos", afirmou.
Ao Estado de Minas, questionado sobre o que espera da corrida eleitoral pelo governo, Gabriel disse desejar uma campanha marcada por serenidade e equilíbrio, já que, segundo ele, o eleitor mineiro busca "soluções para os problemas que o estado tem".
O candidato afirmou ainda que pretende evitar uma campanha baseada em ataques aos adversários. "Não é só Minas Gerais que está de olho, é o Brasil inteiro. E o povo espera de MG um comportamento que seja exemplo", declarou.
Crescimento do patrimônio
A reportagem também questionou Gabriel sobre o aumento do patrimônio declarado à Justiça Eleitoral. Na comparação com a eleição de 2024, o valor informado cresceu 36,86%. Há dois anos, ao concorrer à Prefeitura de Belo Horizonte, ele havia declarado patrimônio de R$ 1,24 milhão. Neste ano, o montante informado é de cerca de R$ 1,7 milhão.
"Eu tenho uma família muito pequena, que vive no mesmo prédio que eu, incluindo minha tia, que não tem herdeiros. Um dos apartamentos era da minha tia, que, assim como vários outros brasileiros, diante da legislação e não tendo para quem deixar o apartamento, já transferiu para mim em vida diante da mudança que a gente tem na tributação ligada à herança", explicou.
Gabriel acrescentou que sua renda não está relacionada apenas à atividade política, mas também ao trabalho como professor e aos seus empreendimentos. "Meu patrimônio é completamente compatível com a minha renda", afirmou.
Outro ponto da declaração patrimonial que chamou atenção foi a inclusão de quatro bicicletas que, juntas, somam quase R$ 35 mil, conforme reportagem do "Metrópoles". "Qualquer pessoa que me encontra vai me ver pedalando, sempre fiz isso. São quatro. A primeira adquiri em 2013 e me acompanhou por dez anos. Tive que aposentá-la, mas continua como um bem. Depois veio outra elétrica e na sequência, peguei uma mais robusta para trilha e outra que não é elétrica. Todas as quatro estão no meu apartamento para quem quiser conferir e me parece que elas não totalizam o valor de uma moto. E uma coisa que não tenho é carro, porque sou um péssimo motorista", declarou.
Norte de Minas ganha espaço na vice
Vereadora de quarto mandato em Montes Claros, Maria Helena Lopes destacou que sua presença na chapa reúne duas dimensões da composição apresentada pelo partido: a participação feminina e a representação do interior de Minas.
"É um projeto político, não apenas de nomes ou personagens, mas voltado para o povo mineiro, das Minas e das Gerais. Queremos trazer a energia do Norte para Belo Horizonte e irradiá-la para todas as regiões", afirmou Maria Helena.
Gabriel também destacou a recepção à candidatura da vice durante agendas recentes em Montes Claros. Segundo ele, a escolha passou a representar, ao mesmo tempo, a presença do Norte de Minas e das mulheres na chapa.
Siga nosso canal no WhatsApp e receba notícias relevantes para o seu dia
Com a definição desta quinta-feira, o MDB chega à campanha com Gabriel Azevedo e Maria Helena Lopes na disputa pelo governo de Minas, duas candidaturas próprias ao Senado e uma nominata completa de 54 candidatos a deputado federal, dos quais 19 são mulheres.
