A presidente do Psol em Minas Gerais, vereadora Iza Lourença, reagiu à declaração do pré-candidato ao governo de Minas Alexandre Kalil (PDT), que afirmou nesta terça-feira (11/8) que o Psol “não é bem-vindo” em sua campanha.
A dirigente disse ao Estado de Minas acreditar que a manifestação esteja relacionada à expectativa de que a instância nacional da federação formada por Psol e Rede Sustentabilidade reverta a decisão estadual e defina apoio ao deputado federal Patrus Ananias (PT).
“Por trás, eu creio que ele já sabe que a decisão final será pela federação estar com Patrus”, afirmou Iza. Segundo ela, o recurso apresentado pelo Psol será analisado pela Executiva Nacional da Federação, que deverá deliberar sobre a possibilidade de composição com a candidatura petista.
Em declaração encaminhada pela assessoria de imprensa, Kalil afirmou: “Quero a Rede em minha campanha. Já o Psol não é bem-vindo”. A manifestação ocorreu um dia depois de a federação aprovar, por quatro votos a três, o apoio à candidatura do ex-prefeito de Belo Horizonte. A Rede, que é majoritária na instância estadual, foi responsável pela aprovação da aliança.
Leia Mais
Iza também criticou a postura de Kalil e voltou a defender a aliança com Patrus. “Gostaria de dizer que agora ele diz que não somos bem-vindos, justamente porque nos posicionamos contra uma coligação com o PSDB. Mas a população de Minas Gerais já conhece as bravatas do Kalil. O que surpreende é a sua ignorância sobre o funcionamento de uma federação”, afirmou.
Segundo a vereadora, o Psol não pode simplesmente formalizar apoio a um candidato diferente daquele definido pela federação. “Formalmente, não é possível que cada partido apoie um candidato diferente. Por isso, nós já enviamos um recurso à Executiva Nacional da Federação, que deve decidir em breve por estar na coligação com Patrus Ananias”, disse.
A dirigente também afirmou que o partido pretende permanecer ao lado de Patrus Ananias e das candidatas ao Senado Áurea Carolina (Psol) e Marília Campos (PT). “Estamos com Patrus, Áurea e Marília por ser a chapa mais coerente e capaz de derrotar a extrema-direita em Minas Gerais e construir um projeto que Minas merece e precisa”, declarou.
Críticas à aliança com PSDB
A resistência do Psol à candidatura de Kalil está relacionada principalmente à presença do PSDB na chapa. O ex-deputado federal Carlos Mosconi (PSDB) foi escolhido como candidato a vice-governador na coligação de Kalil, que já foi oficializada junto à Justiça Eleitoral.
Para o Psol mineiro, a composição com os tucanos é incompatível com a estratégia do partido e com a aliança nacional em torno da reeleição do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT).
A deputada estadual Bella Gonçalves (PT), que anteriormente integrava o Psol, também criticou a articulação da Rede em torno de Kalil. Em publicação nas redes sociais, ela afirmou que Paulo Lamac, presidente nacional da Rede, “já está coordenando a campanha do Kalil há muito tempo”.
“Vai ser igual na eleição passada: formalmente estão com Patrus, mas vão forçar a barra para dividir o campo, enfraquecer a esquerda, e construir a campanha do Kalil”, escreveu Bella.
Campanha ao Senado afetada
A decisão da instância estadual da federação permite ao Psol liberdade para fazer manifestações políticas em favor de Patrus, mas impede a formação de uma coligação formal com a candidatura petista. A situação também pode afetar a campanha de Áurea Carolina ao Senado, já que ela não poderia aparecer formalmente ao lado de Patrus no horário eleitoral gratuito ou em materiais impressos da campanha.
Além da oposição ao PSDB, o partido argumenta que as duas legendas estão comprometidas nacionalmente com a reeleição de Lula.
Siga nosso canal no WhatsApp e receba notícias relevantes para o seu dia
O PT chegou a negociar com Kalil uma nova aliança para a eleição deste ano, em uma tentativa de repetir a composição de 2022. Naquele ano, o ex-prefeito disputou o governo de Minas com apoio dos petistas, mas foi derrotado por Romeu Zema (Novo) no primeiro turno. Lula venceu a eleição presidencial no estado. Em 2026, porém, a aliança entre PT e Kalil não avançou.
