ELEIÇÕES 2026

Minas tem palanque duplo e invertido para presidenciáveis

Além de Roscoe, Flávio Bolsonaro ganhou reforço no estado com o apoio de Cleitinho, enquanto Zema é alinhado a Simões, apesar de o PSD ter lançado Caiado

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Os principais candidatos à Presidência chegam à disputa eleitoral com diferentes configurações de palanque em Minas Gerais. No campo bolsonarista, o senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) terá o presidente licenciado da Federação das Indústrias do Estado de Minas Gerais (Fiemg), Flávio Roscoe (PL), como candidato ao governo pelo partido e também conta com o apoio declarado do senador Cleitinho Azevedo (Republicanos), que também disputa o Palácio Tiradentes.

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Flávio Bolsonaro esteve em Belo Horizonte ontem à noite para o lançamento da candidatura do empresário Flávio Roscoe ao governo de Minas. Ele elogiou Cleitinho, mas disse que o candidato do PL em Minas é Roscoe. "O nosso candidato aqui em Minas é o Flávio Roscoe. E o Cleitinho é a outra liderança política aqui em Minas Gerais que eu tenho a honra de ter. Dois dos melhores candidatos apoiando a nossa candidatura à Presidência aqui em Minas Gerais", afirmou o presidenciável.

Na esquerda, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) terá o deputado federal Patrus Ananias (PT) como principal nome no estado, já que ele entrou na disputa pelo governo mineiro. Entre os candidatos de direita, o ex-governador Romeu Zema (Novo) conta com o apoio do governador Mateus Simões (PSD), que busca a reeleição em Minas, apesar de o seu partido ter o ex-governador de Goiás Ronaldo Caiado (PSD) como presidenciável. O palanque de Caiado no estado, portanto, será o do senador Carlos Viana (PSD), que disputa novo mandato.

A definição das alianças ocorre em um estado considerado estratégico para a eleição nacional. Minas Gerais tem 16,3 milhões de eleitores, o equivalente a 10,32% do eleitorado brasileiro, segundo o Tribunal Superior Eleitoral (TSE).

O estado também carrega um histórico de sintonia com o resultado nacional. Desde 1945, o candidato mais votado pelos mineiros venceu a eleição presidencial em 12 das 13 disputas democráticas realizadas no país. A exceção ocorreu em 1950, quando Getúlio Vargas venceu nacionalmente, mas não foi o mais votado em Minas.

Indefinição

Antes de vir para Belo Horizonte ontem, Flávio Bolsonaro pretendia fazer motociata em Juiz de Fora, na Zona da Mata mineira, mas o compromisso foi cancelado por causa das condições meteorológicas e da falta de teto para decolagem.

A cidade tem um significado particular para o bolsonarismo. Foi em Juiz de Fora que Jair Bolsonaro (PL), pai de Flávio, sofreu uma facada durante a campanha presidencial de 2018. A agenda planejada buscava recuperar referências à campanha do ex-presidente, atualmente em prisão domiciliar em Brasília, onde cumpre pena por tentativa de golpe de Estado.

A configuração do palanque de Flávio passou por meses de indefinição. O PL aguardava uma decisão de Cleitinho sobre sua candidatura ao governo na tentativa de construir uma composição. Durante a pré-campanha, no entanto, o senador faltou à convenção partidária deixando em dúvida a entrada na disputa; dias depois, anunciou que concorreria ao governo e posteriormente disse que desistiria em razão da morte do irmão, Matheus Azevedo.

Menos de 24 horas depois, pediu ao Republicanos que reconsiderasse a decisão. Inicialmente o pedido foi rejeitado, mas acabou sendo revisto pela legenda, que confirmou Cleitinho como candidato. Nesse vaivém, o PL optou por uma candidatura própria e lançou Roscoe.

Apesar de ter Roscoe como adversário na eleição estadual, Cleitinho declarou apoio a Flávio Bolsonaro durante o debate da "TV Band Minas", realizado no domingo (16/8). O senador afirmou que havia definido o apoio ao candidato do PL à Presidência ainda em janeiro. "Para acabar com essa ladainha que fica falando que eu estou neutro, eu não estou neutro, não", afirmou.

Demora

Na avaliação de Cleitinho, a demora do Republicanos para confirmar sua candidatura ao governo prejudicou a formação de um palanque que poderia reunir a direita em Minas. Após o debate, o senador reconheceu que perdeu espaço no palanque eleitoral do candidato presidencial, mas ressaltou estar disposto a participar de agendas ao lado de Flávio Bolsonaro.

"Eu tenho que respeitar a decisão deles. Mas, se quiser me convidar, eu estou à disposição para fazer palanque para ele", ponderou. A manifestação, no entanto, não representa uma composição formal entre Cleitinho e o PL. Para que um palanque conjunto se consolide, seria necessário também que Flávio Bolsonaro declarasse apoio à candidatura de Cleitinho ao governo e que os dois participassem de agendas conjuntas.

Zema

Entre os ex-governadores que disputam a Presidência, a configuração mineira também apresenta particularidades. Zema, que deixou o comando do estado em março para disputar o Palácio do Planalto, conta com o apoio do governador Mateus Simões, candidato à reeleição em Minas. Simões já classificou sua posição anteriormente como uma questão de "coerência e lealdade" e disse que Zema e Caiado representam "um mesmo projeto, com duas vertentes".

Caiado, por sua vez, não terá um candidato ao governo formalmente alinhado à sua candidatura. Seu palanque no estado será formado pelo senador Carlos Viana (PSD).

No campo petista, a definição do palanque também passou por meses de negociações. Lula aguardou uma decisão do senador Rodrigo Pacheco (PSB) sobre uma eventual candidatura ao governo de Minas, mas o parlamentar optou por não entrar na disputa. O PT então lançou o deputado federal Patrus Ananias ao Palácio Tiradentes.

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A composição foi fechada nos minutos finais do prazo das convenções partidárias, em 5 de agosto, e reuniu PT, PV e PCdoB, da Federação Brasil da Esperança, além da Federação Rede-Psol e do PSB.

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