Milei volta a criticar Brasil por suposta 'campanha anti-Argentina'
Novas declarações do presidente argentino neste domingo (26/7) ampliam a tensão. Relembre os principais episódios da relação bilateral
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O presidente da Argentina, Javier Milei, voltou a criticar o Brasil neste domingo (26/7), ao acusar, sem apresentar provas, que o governo do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) financiaria uma suposta "campanha anti-argentina". As declarações ocorrem um dia após o ultraliberal chamar Lula de "presidiário" durante a convenção nacional do PL, em São Paulo, e aprofundar a crise diplomática entre os dois países.
Segundo informações da AFP, durante uma entrevista à rádio argentina Mitre, Milei afirmou que os governos do México e o Partido Democrata dos Estados Unidos também teriam financiado a suposta campanha contra a Argentina. O presidente ainda criticou a decisão da Justiça brasileira que negou seu pedido para visitar o “amigo”, o ex-presidente Jair Bolsonaro (PL), preso por tentativa de golpe de Estado.
Em resposta às declarações feitas por Milei no sábado (25/7), o Ministério das Relações Exteriores (MRE) chamou para consultas o embaixador do Brasil em Buenos Aires, Julio Bitelli, em uma das maiores crises diplomáticas recentes entre os dois países.
A relação entre Lula e Milei é marcada por embates públicos desde antes da posse do presidente argentino, em dezembro de 2023. Diferenças ideológicas, trocas de acusações e gestos diplomáticos incomuns fizeram com que a relação entre os dois governos se tornasse mais tensa.
Da posse à nova crise: relembre os principais embates
Novembro de 2023 — Críticas durante a campanha
Desde quando era candidato à Presidência da Argentina, Milei já se mostrava contra o petista. Durante a campanha, chamou Lula de “comunista” e “corrupto” e afirmou que não manteria relações com governos socialistas. Mesmo assim, após a vitória do argentino, Lula reconheceu o resultado das eleições e desejou sucesso ao novo governo.
Dezembro de 2023 — Lula não vai à posse
Lula decidiu não comparecer à cerimônia de posse de Milei em Buenos Aires. O Brasil foi representado pelo então chanceler Mauro Vieira. O gesto foi interpretado como um sinal do distanciamento entre os dois presidentes.
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Julho de 2024 — Lula cobra pedidos de desculpas
Durante entrevista a agências internacionais, Lula afirmou que Milei deveria pedir desculpas pelas ofensas feitas durante a campanha eleitoral. Segundo o presidente brasileiro, enquanto isso não ocorresse, a relação entre os dois permaneceria "complicada". Milei respondeu mantendo o tom crítico e descartando qualquer retratação.
2024 e 2025 — Encontros protocolares e troca de farpas
Apesar das divergências, Lula e Milei participaram de reuniões do Mercosul, em Buenos Aires, e de outros fóruns internacionais. Em julho de 2025, durante a cúpula do bloco, Milei transferiu a presidência rotativa do Mercosul para Lula. O encontro ocorreu em clima protocolar, sem demonstrações de aproximação, e foi marcado por novas divergências sobre integração regional, comércio e democracia.
Julho de 2026 — Nova crise diplomática
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A tensão atingiu um novo patamar após Milei participar da convenção nacional do PL. Na ocasião, Milei também ofendeu o ministro do Supremo Tribunal Federal (STF) Alexandre de Moraes, chamando-o de "lixo careca" e Lula de ladrão. Agora é aguardar para ver quais são os próximos passos dessa crise bilateral.