O receio de que uma nova candidatura da direita abra caminho para a vitória da esquerda na disputa pelo governo de Minas é o principal argumento do PL para manter a espera pelo senador Cleitinho Azevedo (Republicanos). Pré-candidato ao Senado e secretário-geral da legenda em Minas, o deputado federal Domingos Sávio afirmou que lançar um terceiro nome do campo conservador, que já tem na disputa o atual governador Mateus Simões (PSD), poderia favorecer o PT nas eleições em outubro.
A declaração foi dada em entrevista ao programa EM Minas, da TV Alterosa e do Estado de Minas, que foi ao ar nesse sábado (27/6). "Se nós lançássemos um terceiro nome da direita, fatalmente criaríamos um ambiente muito propício para o PT diretamente, ou coligado com algum partido mais ligado à esquerda, ganhar a eleição", disse.
A avaliação reforça a estratégia adotada pelo PL de esperar uma definição de Cleitinho antes de decidir os próximos passos na sucessão estadual. Depois de defender a necessidade de uma decisão antes do período das convenções partidárias, a legenda passou a adotar um discurso de cautela e trabalha agora com a expectativa de que uma resposta seja apresentada na primeira quinzena de julho, como mostrou o EM em reportagem publicada na última terça-feira (23/6).
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"O PL está aguardando a decisão do Cleitinho, porque não queremos apostar na ideia de dividir muito", reiterou durante a entrevista ao EM Minas.
Sávio também sustenta que uma candidatura de consenso entre as forças de centro-direita e de direita seria o "melhor para Minas". Essa composição, contudo, esbarra na disposição do atual governador Mateus Simões (PSD) de buscar a reeleição. Ex-vice de Romeu Zema (Novo), ele assumiu o comando do Executivo estadual no fim de março, após a renúncia do aliado para disputar a Presidência da República.
"O ideal, eu até insisto, se fosse possível unirmos todos esses partidos em uma candidatura consensual de centro-direita e de direita, eu penso que poderia ser melhor para Minas, mas isso pode ocorrer no segundo turno", disse.
O deputado também aproveitou para reforçar que a decisão de abandonar a articulação construída desde o ano passado com Simões, conduzida pelo deputado federal Nikolas Ferreira (PL), foi motivada pelo conflito de interesses em torno do projeto nacional do PL, que irá lançar o "filho 01" de Jair Bolsonaro, Flávio, à presidência.
Simões já declarou que, ao menos no primeiro turno, vai apoiar Zema. Ainda que não o fizesse, seu partido, o PSD, tem como pré-candidato ao Palácio do Planalto o ex-governador de Goiás Ronaldo Caiado. Essa aproximação, entretanto, poderá ser retomada dependendo do eventual segundo turno. "Temos a responsabilidade de buscar a união da direita e do centro-direita. Se ela não for possível já no primeiro turno, que aconteça ao menos parcialmente e se consolide no segundo", destacou.
Apesar das declarações, o PL já prepara alternativas caso o senador desista da disputa. A legenda encomendou pesquisas quantitativas e qualitativas para medir o potencial eleitoral do empresário Flávio Roscoe e do ex-prefeito de Betim Vittorio Medioli, recém-filiados ao partido. Os levantamentos devem orientar uma eventual candidatura própria, caso o Republicanos não confirme o nome de Cleitinho.
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(Com informações de Carolina Saraiva, da TV Alterosa)
