EM MINAS

Domingos Sávio cobra reação do Senado e comenta cenário eleitoral em Minas

Pré-candidato ao Senado pelo PL, deputado federal Domingos Sávio é o entrevistado desta semana no programa EM Minas, da TV Alterosa e Estado de Minas

Publicidade
Carregando...

O deputado federal e pré-candidato ao Senado Domingos Sávio (PL) afirma que a disputa pelo governo de Minas depende, neste momento, da decisão do senador Cleitinho Azevedo (Republicanos), preferido para liderar uma candidatura bolsonarista ao Palácio Tiradentes.

Fique por dentro das notícias que importam para você!

SIGA O ESTADO DE MINAS NO Google Discover Icon Google Discover SIGA O EM NO Google Discover Icon Google Discover

Em entrevista ao programa EM Minas, da TV Alterosa e do Estado de Minas, veiculada nesse sábado (27/6), o parlamentar também faz duras críticas ao Senado por, segundo ele, se omitir diante dos excessos de ministros do Supremo Tribunal Federal (STF), defende o avanço da CPI do Banco Master e explica por que decidiu disputar uma vaga na Câmara Alta.

Presidente licenciado do PL em Minas, Domingos Sávio diz que a legenda seguirá aguardando a confirmação da candidatura de Cleitinho antes de definir os próximos passos na sucessão estadual. Segundo ele, lançar um terceiro nome do campo conservador, que já tem na disputa o atual governador Mateus Simões (PSD), favoreceria a esquerda na disputa.

"O ideal, eu até insisto, se fosse possível unirmos todos esses partidos em uma candidatura consensual de centro-direita e de direita, eu penso que poderia ser melhor para Minas, mas isso pode ocorrer no segundo turno", afirma.

Na entrevista, o deputado também eleva o tom contra o Senado e o STF. Para ele, a Casa tem falhado na missão de fiscalizar o Judiciário e precisa reagir ao que nomeou como "ativismo de ministros da Corte" e "ditadura do Judiciário".

"E o STF fica impune por quê? Porque o Senado não age", disse. Ao defender a instalação da CPI do Banco Master, sustenta que as investigações devem alcançar todos os envolvidos, independentemente de partido. "Abra a CPMI, apure, investigue, quebre os sigilos bancários, dê transparência a tudo isso e bote na cadeia aqueles que estão roubando dinheiro público. O Senado tem poder para fazer isso e está se omitindo", cobra.

Ao justificar sua entrada na disputa pelo Senado, Domingos Sávio afirma que a decisão foi construída ao longo de sua trajetória política e recebeu o aval do ex-presidente Jair Bolsonaro. Segundo ele, sua candidatura não representa um projeto individual, mas um compromisso com mudanças na atuação da Casa. "Uma candidatura ao Senado não pode ser projeto pessoal. Ela tem que servir a um projeto para o país", diz.

Na conversa, o parlamentar ainda faz um balanço de seus quatro mandatos na Câmara dos Deputados, comenta a conjuntura política nacional, defende pautas do agronegócio e do setor produtivo e detalha as prioridades que pretende levar ao Senado caso seja eleito.

Confira abaixo a íntegra da entrevista:

O senhor está no seu quarto mandato como deputado federal, e por que agora irá pleitear uma vaga no Senado?

Fui construindo uma trajetória degrau por degrau. Acho que a vida pública tem que ser compreendida como missão de vida e exige vocação. Compreendi isso bem cedo. Antes mesmo de ingressar na política partidária, de alguma forma eu já fui puxado para essa missão de servir. Sou médico veterinário formado pela UFMG e, quando fui para Divinópolis, onde me casei e criei minha família, fui assumindo papéis de liderança. Fui presidente do sindicato rural, depois da cooperativa agropecuária e ajudei a criar o sistema de cooperativismo de crédito em Minas, o Sicoob.

Mas a vocação política foi me puxando. Fui vereador, presidente da Câmara, prefeito de Divinópolis. Depois disso, foi natural seguir uma missão para atender as demandas, primeiro da região, como deputado estadual e depois já por vários mandatos como deputado federal. Isso foi construindo um aprendizado e uma preparação, porque não tenho dúvida de que uma pré-candidatura ao Senado é um desafio muito maior. O senador tem a responsabilidade de representar Minas Gerais como um todo.

E só o senhor está saindo como pré-candidato ao Senado pelo seu partido, PL, não é?

Essa foi uma construção democrática, baseada na experiência que fui adquirindo. Eu já convivia com o presidente Bolsonaro como deputado federal. Ele conhece meus princípios e sabe que procuro agir com coerência. Quando fizemos o impeachment da Dilma, eu era líder da oposição ao governo do PT. Isso nos aproximou pela defesa de valores semelhantes, embora eu sempre procure conciliar e buscar soluções para os problemas.

Depois, ele me convidou para me filiar ao PL. Continuei como deputado, assumi a presidência do partido em Minas e, quando percebi que era o momento de contribuir no Senado, a primeira pessoa com quem conversei foi o presidente Bolsonaro. Ele me disse: "Você tem meu apoio. Mas constrói isso, porque uma candidatura ao Senado deve ser do grupo todo. Vamos lançar um candidato do PL e deixar a outra vaga para uma composição".

Foi o que aconteceu. Havia outros pré-candidatos, mas todos compreenderam que a minha trajetória e a defesa dos valores do partido credenciavam o meu nome. Isso aconteceu com o apoio do presidente Bolsonaro, do Flávio Bolsonaro e, principalmente, dos nossos pré-candidatos a deputado federal e estadual. Faço questão de destacar isso porque uma candidatura ao Senado não pode ser projeto pessoal, vaidade ou ambição de momento. Ela precisa servir a um projeto para o país. Foi assim que fui escolhido como pré-candidato do PL ao Senado.

Como está a conversa sobre a disputa pelo governo do estado?

Recentemente passei a presidência do PL em Minas para o deputado Zé Vitor e permaneci como secretário-geral para me dedicar mais à pré-candidatura ao Senado. Antes disso, fizemos reuniões em Brasília com o Flávio Bolsonaro, o presidente nacional Valdemar Costa Neto e o Republicanos. E nós declaramos que o PL estaria pronto para apoiar o senador Cleitinho, assim que ele confirmasse a sua pré-candidatura ao governo de Minas.

O Cleitinho, que por sinal, é meu conterrâneo de Divinópolis e temos uma relação muito próxima. O deputado Eduardo Azevedo, irmão dele, é do PL e está na chapa comigo. O outro irmão, o Gleidson, será candidato a deputado federal, eu o apoiei como prefeito. Então nós vivemos um ambiente já natural de aliança com o Cleitinho.

Estamos aguardando para os próximos dias uma definição final dele para que a gente consolide essa composição. Porque é óbvio que essa composição só vai se materializar na hora que o Cleitinho anunciar de maneira oficial. Ele tem dito que é pré-candidato, que pretende ser, mas que só vai confirmar isso nos próximos dias. Então nós estamos aguardando. Até para estimulá-lo, para dar mais segurança a ele, nós anunciamos que ele, sendo pré-candidato, tem o nosso apoio, e eu acredito que nos próximos dias a gente tenha uma definição.

Como tem sido essa composição para evitar uma divisão no campo conservador da direita?

Essa foi uma das preocupações que eu tive desde o início. Eu até aproveito para dizer que sempre tive e continuo tendo uma excelente relação com o governador Mateus Simões, mas não foi possível construir uma aliança. Primeiro porque o Zema manteve sua pré-candidatura à Presidência e, depois, porque o Mateus foi para um partido que lançou outro presidenciável, o Caiado. Então, nós vimos que, além do Mateus, o Cleitinho se posicionou como um possível candidato.

Se nós lançássemos um terceiro nome da direita, aí fatalmente nós criaríamos um ambiente muito propício para o PT diretamente, ou coligado com algum partido mais ligado à esquerda, ganhar a eleição. 

Nós tivemos uma experiência muito ruim com o governo Pimentel. Os servidores sofreram, a saúde sofreu, a segurança pública sofreu. Por isso, temos a responsabilidade de buscar a união da direita e do centro-direita. Se ela não for possível já no primeiro turno, que aconteça ao menos parcialmente e se consolide no segundo. O PL está aguardando a decisão do Cleitinho, porque nós não queremos apostar na ideia de dividir muito. O ideal, eu até insisto, se fosse possível unirmos todos esses partidos em uma candidatura consensual de centro-direita e de direita, eu penso que poderia ser melhor para Minas, mas isso pode ocorrer no segundo turno.

Agora, com tantos nomes, o que pesa mais: capacidade de unificação ou força eleitoral?

As duas coisas. Não adianta alguém ser preparado, ser muito habilidoso para articular,se não tiver voto. Vivemos numa democracia e é o eleitor quem decide. O governador Mateus tem méritos, assim como o senador Cleitinho, que hoje aparece com chances reais de vencer a eleição.

Alguns questionam se o Cleitinho está preparado, mas eu o conheço bem. É uma pessoa do bem, que procura defender causas justas. E ninguém governa sozinho. Nem o Cleitinho, nem o Mateus, nem qualquer outro. Quem governa precisa formar uma equipe competente.

É óbvio que se o PL estiver em uma aliança, seja com o Cleitinho ou com outro pré-candidato, nosso compromisso será construir um grande governo para Minas. passada a eleição, é preciso reunir os melhores técnicos para cada área para entregar resultados. Muito mais do que discursos, muito mais do que bravatas, muito mais do que se alguém é famoso ou não é, o que importa é o resultado de melhorar a saúde pública, melhorar transportes públicos, infraestrutura.

Quais seriam os critérios importantes para o eleitor considerar um nome como pré-candidato ao Senado? Por que o Senado? Qual a importância da Casa?

Percebo, pela experiência que tenho na vida pública, que muita gente, inclusive pessoas com nível universitário, não consegue separar muito bem qual é o papel de um senador e qual é o papel de um deputado federal. Decidi disputar o Senado porque está muito claro para mim o quanto essa Casa é importante e como sua omissão —ou, pior, o envolvimento de alguns senadores com o que há de pior  até com o crime— está destruindo o nosso Brasil. Pode destruir a democracia, levar as pessoas a ficarem descrentes com a democracia.

Há muitas coisas que um deputado federal não pode resolver e que cabem ao Senado. A principal delas é garantir o equilíbrio e a independência entre os Poderes. Executivo, Legislativo e Judiciário são indispensáveis para a democracia. O Judiciário, embora não seja eleito pelo povo, também precisa ser fiscalizado, deve ter controle, não pode ser exercido de uma forma ilimitada, porque senão acaba com a democracia.

Eu entendo que ditadura é terrível, qualquer que seja a natureza dela, seja uma ditadura militar pela força do poder executivo, seja uma ditadura populista, socialista, civil. Mas a ditadura do Judiciário também é terrível. E existe ditadura do Judiciário? Claro que existe, ela está começando a ser implantada no Brasil, e quem poderia controlar isso é o Senado da República.

Infelizmente, nós até temos alguns bons senadores, mas a maioria tem se omitido ou se acovardado. Um senador precisa, antes de tudo, ter independência moral. Não pode viver sob ameaça porque responde a processos ou depende de favores. Agora, basta o deputado ou senador não fazer nada errado, ter uma vida ilibada, limpa, honesta, o que não é mais que obrigação.

Hoje nós temos, além do ativismo judiciário, ministros agindo de forma ideológica, sem respeitar a Constituição, perseguindo pessoas por causa das ideias daquelas pessoas, o que é o fim da democracia. Além disso, existem acusações graves envolvendo ministros e familiares. Cito o ministro Dias Toffoli, por causa das transações com precatórios, e o ministro Alexandre de Moraes, pelo contrato milionário envolvendo sua esposa e o Banco Master. E o STF fica impune por quê? Porque o Senado não age.

Na sua opinião, o Senado então não está cumprindo com o dever constitucional?

Claro que não. Houve mais de 40 assinaturas para abrir um processo de impeachment contra o ministro Alexandre de Moraes, e o presidente do Senado afirmou que não abriria o processo mesmo que houvesse 80 assinaturas. Isso é uma postura autocrática e não tem tido uma maioria para reagir.

Nós precisamos ter um Senado que comece por eleger um presidente do Senado decente, independente, que não tenha processos que o incriminam. Segundo, um Senado que cumpra seu dever de fiscalizar os demais poderes.

Mas não é só isso. Você veja a CPMI do Banco Master. Alguns dizem que há envolvidos de vários partidos. Mais uma razão para abrir a CPMI, que eu fui um dos primeiros a assinar. Abra a CPMI, apure, investigue, quebre os sigilos bancários, dê transparência a tudo isso e bote na cadeia aqueles que estão roubando dinheiro público. O Senado tem poder para fazer isso e está se omitindo. 

Recentemente, o senhor acompanhou a visita de Flávio Bolsonaro a Minas Gerais. O que acredita que essa agenda deixou para o estado? 

Primeiro foi o acolhimento ao Flávio. Eu acompanhei várias visitas do presidente Bolsonaro e senti o mesmo calor humano. As pessoas queriam tirar foto, abraçar, demonstrar apoio por acreditarem que o Brasil não pode continuar sendo governado pela esquerda.

Hoje o governo insiste em dizer que o país está bem porque o desemprego caiu. Eu até concordo que hoje está até difícil arrumar alguém para trabalhar. Mas nós estamos vivendo em um país em que o trabalhador está tendo o seu poder de compra corroído. O salário acaba antes do fim do mês e a dívida aumenta. Temos mais de 80 milhões de brasileiros endividados e milhões de empresas também enfrentando dificuldades.

Isso acontece porque os juros continuam altos e o dinheiro público é mal administrado. Vemos escândalos envolvendo aposentados, prejuízos bilionários nos Correios e um governo que, na minha opinião, mistura incompetência com corrupção. Quem paga essa conta é o cidadão.

O governo pode dizer que a economia está crescendo, mas basta olhar os indicadores. O Brasil cresce menos que vários países da América Latina. Crescimento significa aumento da renda e melhora da qualidade de vida. Hoje, mesmo quem está empregado sente que não está conseguindo melhorar de vida.

No seu quarto mandato como deputado federal, qual legado o senhor acredita deixar para Minas Gerais?

Estou extremamente feliz com a contribuição que pude dar. Como deputado, eu atuei em todas as cidades com muita transparência, fazendo o verdadeiro milagre dos pães, onde nós conseguimos levar recurso para a saúde, para a educação. Mas não é isso o mais importante.

O maior legado, além de fazer uma trajetória limpa, honesta, é ser um deputado que sempre me posicionei com muita firmeza e com muita clareza. Sempre defendi o agronegócio, especialmente o produtor rural e o produtor de leite. Participei da construção do Código Florestal Brasileiro, que considero uma das legislações ambientais mais avançadas do mundo, conciliando produção e preservação.

Eu vou te contar uma última que de fato foi uma luta árdua. Quando votamos o código tributário recentemente, nós conseguimos estabelecer na emenda constitucional da reforma que haveria uma cesta básica isenta de imposto. Lutamos para garantir que proteínas como carne, leite, queijo e peixe fossem incluídas na cesta básica com isenção de impostos. Essa foi uma emenda de minha iniciativa, junto com a bancada do PL, que acabou aprovada e beneficia tanto o consumidor quanto o produtor. 

A gente deixa um legado de inúmeros projetos aprovados, projetos bons. Mas principalmente de um trabalho sério lá na Câmara Federal, defendendo tanto o produtor rural como defendendo o comércio e serviços. Hoje presido a frente parlamentar do comércio e serviços, e devemos aprovar um projeto pelo qual eu estou lutando, que é para atualizar a tabela do MEI (microempreendedor) e a tabela do Simples, que estão defasadas há 8 anos.

Agora, o Ranking dos Políticos colocou o senhor entre os 10 melhores deputados federais do país, não é? O que esse reconhecimento representa para o senhor?

É uma honra porque o Ranking dos Políticos faz uma avaliação técnica, baseada em critérios como presença nas votações, qualidade dos projetos, coerência dos votos, responsabilidade com os gastos públicos e ficha limpa.

Fiquei em segundo lugar entre os deputados de Minas, atrás apenas do Nikolas Ferreira, que considero um parlamentar muito talentoso. Estar entre os dez melhores do Brasil aumenta minha responsabilidade e reforça a convicção de que a vida pública precisa ser exercida com transparência e compromisso.

Siga nosso canal no WhatsApp e receba notícias relevantes para o seu dia

Sempre procurei agir dessa forma. Desde que fui deputado estadual mantenho meus sigilos bancário, fiscal e patrimonial abertos ao Ministério Público, sem necessidade de autorização judicial. Minha vida pública sempre foi pautada pela transparência. É esse compromisso que me motiva agora a disputar uma vaga no Senado, acreditando que posso contribuir ainda mais para Minas e para o Brasil.

Tópicos relacionados:

senado stf

Acesse o Clube do Assinante

Clique aqui para finalizar a ativação.

Acesse sua conta

Se você já possui cadastro no Estado de Minas, informe e-mail/matrícula e senha. Se ainda não tem,

Informe seus dados para criar uma conta:

Digite seu e-mail da conta para enviarmos os passos para a recuperação de senha:

Faça a sua assinatura

Estado de Minas

Estado de Minas

de R$ 9,90 por apenas

R$ 1,90

nos 2 primeiros meses

Aproveite o melhor do Estado de Minas: conteúdos exclusivos, colunistas renomados e muitos benefícios para você

Assine agora
overflay