Domingos Sávio cobra presidente 'decente' para o Senado
Pré-candidato ao Senado, deputado do PL diz que Casa se omite diante do Judiciário e cita CPI do Banco Master como exemplo da falta de fiscalização
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Pré-candidato ao Senado pelo PL, o deputado federal Domingos Sávio defende que a próxima legislatura tenha um novo comando na Casa, sob o argumento de que o Senado precisa retomar seu papel constitucional de fiscalizar os demais poderes. Sem citar nominalmente o atual presidente, Davi Alcolumbre (União Brasil-AP), o parlamentar criticou a condução da instituição, classificou sua atuação como "autocrática" e insinuou que ele responderia a processos capazes de comprometê-lo.
As declarações foram dadas em entrevista ao programa EM Minas, da TV Alterosa e do Estado de Minas, veiculado nesse sábado (27/6). Na avaliação de Sávio, o Senado tem deixado de cumprir atribuições previstas na Constituição, especialmente no controle sobre o Poder Judiciário.
"Houve mais de 40 assinaturas para abrir um processo de impeachment contra o ministro Alexandre de Moraes, e o presidente do Senado afirmou que não abriria o processo mesmo que houvesse 80 assinaturas. Isso é uma postura autocrática e não tem tido uma maioria para reagir", disse, sem mencionar o nome de Alcolumbre.
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Ele ainda insinuou que o atual presidente da Casa Alta estaria envolvido em irregularidades e defendeu que o Senado seja comandado por alguém livre de pressões. "Precisamos ter um Senado que comece por eleger um presidente decente, independente, que não tenha processos que o incriminem. Segundo, um Senado que cumpra seu dever de fiscalizar os demais Poderes", comentou.
Como exemplo daquilo que considera uma postura omissa do Senado, o parlamentar também citou a proposta de criação da Comissão Parlamentar Mista de Inquérito (CPMI) para investigar as fraudes financeiras do Banco Master. Segundo ele, o fato de haver políticos de diferentes partidos mencionados no caso reforça, e não enfraquece, a necessidade de investigação.
"Mais uma razão para abrir a CPMI. Eu fui um dos primeiros a assinar. Abra a CPMI, apure, investigue, quebre os sigilos bancários, dê transparência a tudo isso e bote na cadeia aqueles que estão roubando dinheiro público. O Senado tem poder para fazer isso e está se omitindo", disse.
Flávio Bolsonaro
O próprio pré-candidato do PL à presidência da República, Flávio Bolsonaro, foi citado em um dos episódios relacionados ao caso Master. O senador teve revelado um áudio no qual cobra R$ 134 milhões de Daniel Vorcaro, ex-controlador da instituição financeira e atualmente preso, para financiar a cinebiografia de seu pai, o ex-presidente Jair Bolsonaro.
Flávio também visitou o empresário após a primeira prisão decretada pela Polícia Federal (PF), em novembro de 2025. A viagem, que custou R$ 2.540,09, foi posteriormente reembolsada pelo Senado, conforme mostrou reportagem do EM. O deputado não fez menção ao caso na entrevista.
Ao EM Minas, Sávio também afirmou que o Senado falha ao deixar de exercer controle sobre a atuação dos ministros do Supremo Tribunal Federal (STF). Durante a entrevista, criticou o que classificou como "ativismo judicial" e sustentou que o país vive uma "ditadura do Judiciário".
"Entendo que ditadura é terrível, qualquer que seja a natureza dela, seja uma ditadura militar pela força do poder executivo, seja uma ditadura populista, socialista, civil. Mas a ditadura do Judiciário também é terrível. E existe ditadura do Judiciário? Claro que existe, ela está começando a ser implantada no Brasil, e quem poderia controlar isso é o Senado da República”, declarou o pré-candidato do partido do ex-presidente Jair Bolsonaro, que acumula um histórico de declarações públicas exaltando o regime militar instaurado em 1964 e de seus líderes.
"Há muitas coisas que um deputado federal não pode resolver e que cabem ao Senado. A principal delas é garantir o equilíbrio e a independência entre os Poderes. Executivo, Legislativo e Judiciário são indispensáveis para a democracia. O Judiciário, embora não seja eleito pelo povo, também precisa ser fiscalizado, deve ter controle, não pode ser exercido de uma forma ilimitada, porque senão acaba com a democracia", completou.
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(Com informações de Carolina Saraiva, da TV Alterosa)