O ex-ministro Joaquim Barbosa, do Supremo Tribunal Federal (STF), se filiou ao partido Democracia Cristã (DC) e pode ser lançado como candidato à presidência da República nas eleições de 2026. A articulação foi confirmada pela direção nacional da legenda após a filiação de Barbosa, oficializada em abril.

A movimentação ocorre em meio à tentativa do partido de reposicionar sua estratégia eleitoral para a disputa presidencial. Inicialmente, o DC havia apresentado a pré-candidatura do ex-ministro Aldo Rebelo, mas o nome não conseguiu avançar nas pesquisas de intenção de voto.

Presidente nacional do partido, o ex-deputado federal João Caldas afirmou ao g1 que a entrada de Barbosa tem relação direta com a intenção de lançá-lo ao Palácio do Planalto. Segundo ele, o ex-ministro pode representar uma alternativa diante do atual cenário político e institucional do país.

Barbosa integrou o STF entre 2003 e 2014 e foi relator do processo do mensalão, julgamento que teve forte impacto político durante o primeiro mandato do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT). Em 2018, chegou a ser cogitado para disputar a presidência, mas desistiu antes do início oficial da campanha.

Segundo a Folha de S.Paulo, a possível candidatura, porém, abriu uma crise interna no Democracia Cristã. Presidente do diretório paulista da legenda, o ex-deputado Cândido Vaccarezza criticou a filiação de Barbosa e afirmou que trabalhará para impedir a candidatura do ex-ministro.

Vaccarezza declarou que Barbosa não possui experiência política e associou sua atuação no julgamento do mensalão ao início do chamado “lawfare” no país. O dirigente também acusou a direção nacional de promover a filiação sem diálogo com integrantes históricos do partido. "Não podemos entregar o Brasil para um personagem como esse", disse à Folha.

Em resposta, João Caldas declarou que integrantes contrários ao projeto presidencial de Barbosa poderão ser expulsos da legenda. Segundo ele, a decisão sobre o futuro eleitoral do ex-ministro deverá ser submetida ao eleitorado.

"Quem não estiver com Joaquim está fora do partido. Vou expulsar sumariamente. O Joaquim é do Brasil, quem tem de julgar é o povo, nas urnas", ressaltou.

Candidatura

O DC pretende construir uma plataforma eleitoral para Barbosa baseada em pautas ligadas à ética e à defesa de mudanças no Judiciário. A legenda também tenta aproveitar a repercussão política do caso Master para impulsionar a nova estratégia eleitoral.

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No cenário da sucessão presidencial de 2026, Lula deve disputar a reeleição pelo PT, enquanto nomes ligados ao campo da direita também articulam candidaturas, como o senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ), o ex-governador de Goiás Ronaldo Caiado (PSD) e o ex-governador de Minas Gerais Romeu Zema (Novo).

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