As acusações contra o senador Ciro Nogueira (PP) não abalaram, por ora, a confiança do PL em uma eventual aliança para a disputa presidencial de 2026. Em entrevista à CNN Brasil nesta terça-feira (12/5), o presidente nacional do partido, Valdemar Costa Neto, afirmou que a legenda ainda quer o parlamentar do PP no palanque do pré-candidato à Presidência Flávio Bolsonaro.
A declaração foi dada dias após a operação Compliance Zero, deflagrada pela Polícia Federal (PF), cumprir mandados de busca e apreensão contra Ciro Nogueira. A investigação apura supostas vantagens indevidas recebidas pelo senador do ex-banqueiro Daniel Vorcaro, dono do extinto Banco Master.
“Hoje ainda queremos (Ciro no palanque de Flávio). Até que se prove alguma coisa contra ele. Se provarem alguma coisa contra ele, a conversa muda. Temos que dar o direito de defesa a ele”, disse Valdemar em entrevista ao programa Bastidores CNN.
Leia Mais
O relatório da Polícia Federal aponta que o senador teria apresentado uma emenda à PEC 65/2023, proposta que tratava do regime jurídico do Banco Central, para elevar de R$ 250 mil para R$ 1 milhão o limite de cobertura do Fundo Garantidor de Crédito (FGC). A medida beneficiaria diretamente o Banco Master, já que a instituição de Vorcaro apostava na captação de recursos de pessoas físicas, por meio de Certificados de Depósito Bancário (CDBs), como estratégia para expandir seu patrimônio.
A proposta, que recebeu a alcunha de “Emenda Master”, acabou rejeitada. Os investigadores dizem ter colhido indícios de que Vorcaro encomendou a emenda que foi apresentada por Ciro. Em mensagens obtidas pelos investigadores, o banqueiro teria afirmado que a emenda “saiu exatamente como mandei”.
De acordo com os autos da investigação, também há indícios de que Ciro Nogueira tenha recebido benefícios patrimoniais recorrentes, incluindo pagamentos mensais, aquisição societária com deságio considerado expressivo, custeio de despesas pessoais e uso de bens de alto valor. A PF ainda aponta suspeitas de recebimento de dinheiro em espécie.
A defesa do senador repudiou a operação e negou qualquer irregularidade. Em nota, no dia em que foi deflagrada a operação, os advogados afirmaram que Ciro Nogueira “não teve qualquer participação em atividades ilícitas e nos fatos investigados” e disseram que o parlamentar permanece à disposição das autoridades para prestar esclarecimentos.
Na decisão que autorizou as medidas da operação, o ministro André Mendonça, relator do caso no Supremo Tribunal Federal (STF), afirmou que Ciro recebeu um envelope contendo uma sugestão de emenda parlamentar elaborada pelo Banco Master.
Em publicação nas redes sociais nesta terça-feira, Ciro Nogueira rebateu as suspeitas levantadas pela PF e reconheceu ter recebido uma sugestão de texto relacionada à proposta, mas negou que a emenda apresentada por ele tenha sido reproduzida integralmente a partir do material enviado pelo banqueiro.
“É mentira que esta emenda foi publicada na íntegra conforme foi recebida. Este fundo é completamente privado. Até hoje ninguém veio a público explicar por que este valor não é corrigido há 13 anos, sendo que isso só beneficia os grandes bancos e a concentração bancária em nosso país”, afirmou em vídeo publicado nas redes sociais.
Ciro também declarou que pretende reapresentar a proposta para atualizar o teto de cobertura do FGC. Segundo ele, o valor atual de R$ 250 mil deveria superar R$ 840 mil, considerando a defasagem acumulada no período. “Agora não existe mais Banco Master. Quero ver qual será a desculpa dos grandes bancos para negar essa proteção aos correntistas brasileiros”, disse.
Siga nosso canal no WhatsApp e receba notícias relevantes para o seu dia
Na mesma publicação, o parlamentar negou ter recebido pagamentos mensais ou qualquer tipo de vantagem ilícita de Vorcaro. A PF suspeita que Ciro teria recebido inicialmente R$ 300 mil por mês do banqueiro, valor que, segundo os investigadores, pode ter chegado a R$ 500 mil mensais. O senador classificou as acusações como “falsas”.
