A cúpula do Partido Liberal (PL) volta a se reunir nesta terça-feira (12/5), em Brasília, para tentar destravar o impasse que domina as articulações da legenda em Minas Gerais para as eleições de 2026. O encontro ocorre depois de uma primeira rodada de negociações, realizada na última quinta-feira (7/5), terminar sem consenso sobre qual caminho o partido deve seguir no estado: apoiar a reeleição do governador Mateus Simões (PSD), fechar uma aliança com o senador Cleitinho Azevedo (Republicanos) ou lançar candidatura própria ao Palácio Tiradentes.
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A reunião contará com a presença do senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ), apontado como pré-candidato do partido à Presidência da República, do senador Rogério Marinho (PL-RN) e do presidente nacional da sigla, Valdemar Costa Neto. Também participam das articulações o presidente estadual do PL em Minas, deputado federal Domingos Sávio (PL-MG); o deputado Nikolas Ferreira (PL-MG), que afirma ter sido escolhido pelo ex-presidente Jair Bolsonaro para conduzir as negociações da sigla no estado; o deputado Zé Vitor (PL-MG); o ex-presidente da Federação das Indústrias de Minas Gerais (Fiemg), Flávio Roscoe; e outros interlocutores envolvidos nas tratativas.
O encontro acontece em meio à pressão crescente da direção nacional para que o PL mineiro deixe a fase de indefinição e estabeleça um rumo para a disputa estadual. O principal objetivo do partido é construir um ambiente favorável para a candidatura presidencial de Flávio Bolsonaro no segundo maior colégio eleitoral do país.
A avaliação interna é que Minas não pode repetir o cenário de 2022, quando a direita chegou fragmentada ao primeiro turno. Naquele pleito, o então governador Romeu Zema (Novo) caminhou separado do ex-presidente Jair Bolsonaro e declarou seu apoio apenas no segundo turno. Esse histórico, inclusive, é apontado como um dos principais obstáculos para uma eventual aliança em torno de Mateus Simões.
“O Mateus comunga com os nossos princípios, mas tem um problema: tem o Zema como candidato e um pré-candidato do partido dele. Para nós, a candidatura à Presidência é fundamental. Queremos o melhor para Minas, mas não podemos ignorar a realidade do país”, afirmou Domingos Sávio, em entrevista ao Estado de Minas.
O parlamentar afirmou ainda que segue trabalhando para aproximar Romeu Zema e Flávio Bolsonaro, apesar do desgaste acumulado desde a última eleição presidencial. “Eu mantenho o esforço de unir Zema com Flávio Bolsonaro. Não estou diminuindo ele em nada. Mas a realidade é a polarização. Ou continua esse governo de viés socialista ou muda o Brasil”, declarou.
Ao mesmo tempo, o partido mantém abertas outras possibilidades de composição. Uma delas envolve o senador Cleitinho Azevedo. Perguntado sobre o tema, Sávio adotou tom mais amistoso ao falar do parlamentar do Republicanos e procurou preservar a interlocução entre os grupos. “Minha relação com ele é de amizade. O Cleitinho é, além de popular, de uma generosidade muito grande. É alguém que quer fazer o bem”, declarou.
Nos bastidores, integrantes do partido admitem que o senador do Republicanos possui forte apelo popular e pode ser um aliado importante para o projeto presidencial bolsonarista em Minas. Há, no entanto, um incômodo interno com posicionamentos adotados por Cleitinho em pautas consideradas alinhadas ao governo do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT), como a defesa do fim da escala 6x1. Apesar das divergências, o senador tem sinalizado disposição de manter apoio ao nome do PL na disputa presidencial, mesmo sem respaldo da legenda à sua eventual candidatura ao governo mineiro. “Se o PL vier, seja bem-vindo. Se não vier, eu vou apoiar o Flávio do mesmo jeito”, afirmou em discurso no plenário do Senado, no mês passado. Ainda assim, existe receio de que um apoio precipitado enfraqueça a identidade própria do PL no estado.
Prazo curto
Essa preocupação também ajuda a impulsionar a terceira alternativa em debate: uma candidatura própria ao governo mineiro. Hoje, os dois nomes mais citados dentro da legenda são o do empresário Flávio Roscoe e o do ex-prefeito de Betim Vittorio Medioli. Ambos passaram a ser tratados como opções viáveis diante da dificuldade de construção de consenso com outros grupos políticos.
Ao EM, Domingos Sávio indicou que o partido já considera curto o prazo para colocar uma candidatura nas ruas. “Seja o Flávio Roscoe ou o Vittorio Medioli, tem que ser agora”, afirmou. Apesar das divergências e indefinições, ele rejeita a ideia de que o PL esteja paralisado. “Não estamos em cima do muro. Estamos tratando com prudência da forma necessária”, afirmou.
Recém-filiado ao partido, Roscoe tem defendido publicamente a tese de candidatura própria. Em entrevista coletiva no mês passado, o empresário afirmou que o cenário atual passou a favorecer esse caminho, especialmente diante da falta de avanços nas negociações com PSD e Republicanos. “Eu coloco meu nome à disposição, mas de mim não depende. Eu quero contribuir com o processo”, declarou.
Além da definição sobre a disputa pelo governo estadual, a reunião desta terça também deverá tratar da reorganização interna do partido em Minas durante o período pré-eleitoral. O deputado Zé Vitor assumirá o comando do diretório estadual para permitir que Domingos Sávio se dedique integralmente à pré-campanha ao Senado.
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Internamente, a orientação predominante dentro da legenda é de que o partido apresente apenas um nome na disputa pela Câmara Alta. Até o momento, Domingos Sávio é o único pré-candidato do PL ao Senado. A possibilidade de apoiar uma segunda candidatura dependerá diretamente da composição política construída para o governo estadual. Há dentro do PL a avaliação de que duas candidaturas ao Senado poderiam dividir o eleitorado bolsonarista e enfraquecer o partido.
