Eleições em MG: pré-candidatos ao governo ficam cara a cara com prefeitos
Encontro em BH reúne nomes anunciados ao Palácio da Liberdade e mais de 600 chefes de Executivos municipals, com foco na articulação política e nas demandas
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Os pré-candidatos ao governo de Minas Gerais embarcam em uma oportunidade única nesta semana: um encontro com mais de 600 dos 853 prefeitos mineiros no 41º Congresso Mineiro de Municípios (CMM), que acontecerá no Expominas, em Belo Horizonte (MG), entre amanhã e quarta-feira. O encontro é promovido pela Associação Mineira de Municípios (AMM) e é reconhecido como o maior congresso municipalista da América Latina. Segundo o presidente da Associação e prefeito de Iguatama, Lucas Vieira Lopes (Avante), o congresso foi idealizado para preparar e auxiliar gestores em decisões assertivas voltadas a resultados, uma vez que “reúne conhecimento, práticas eficientes de governança e melhor aplicação dos recursos públicos, com reflexos diretos no bem-estar dos cidadãos mineiros”.
O CMM é a primeira oportunidade que os aspirantes a governador têm para conversar de uma só vez com tantos prefeitos mineiros, importantes cabos eleitorais em suas respectivas regiões. O painel com os aspirantes a governadores acontece na terça-feira (5), no Palco Minas Gerais.
O pré-candidato Gabriel Azevedo (MDB), ex-vereador e ex-presidente da Câmara Municipal de BH, vê o evento como uma oportunidade de ouvir lideranças municipais e apresentar uma “visão de governo que parte da realidade concreta” do estado. Em conversa com a reportagem, ele afirmou que o próximo governador não deve tratar questões de municípios como questões a serem resolvidas isoladamente: “não pode governar de dentro de gabinete”.
Para ele, é necessário ouvir dirigentes municipais para entender onde estão os problemas, “na ponta”, principalmente nas áreas de infraestrutura, saúde, educação e segurança. ”Prefeito sabe onde a estrada acaba, onde a ambulância demora, onde falta professor, onde a obra parou, onde o cidadão cobra resposta. Um plano de governo sério precisa nascer desse encontro entre técnica, escuta e presença”, afirmou.
O emedebista argumentou ao Estado de Minas que, nas principais áreas do estado, é preciso ir além de diagnósticos formais e garantir efetividade das políticas públicas. Na saúde, disse que não basta apontar cobertura da atenção primária “no papel”, sendo necessário assegurar “resolutividade, integração regional” e mais transparência nas filas, além de prontuários interoperáveis e suporte aos municípios de menor porte.
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Na avaliação dele, a educação exige atuação do Estado na reorganização da rede e no fortalecimento da alfabetização, do ensino médio técnico e da valorização docente. Já na segurança, defendeu a integração entre “inteligência, Polícia Civil, Polícia Militar, sistema prisional e municípios”. Para a infraestrutura, afirmou que Minas precisa deixar de lado intervenções improvisadas e adotar planejamento contínuo, com “banco de projetos, manutenção preventiva e planejamento de longo prazo”.
Ele defendeu que o governo de Minas retome o papel de articulador das políticas públicas, atuando como indutor da capacidade estatal e coordenando ações hoje fragmentadas. Segundo ele, isso passa por apoiar tecnicamente os municípios, organizar consórcios e regionalizar serviços, além de estruturar projetos e ampliar a captação de recursos. Na avaliação de Azevedo, o Estado também deve dar previsibilidade aos investimentos e “assumir a liderança onde hoje há dispersão”, com atuação mais direta na coordenação das iniciativas.
O pré-candidato e ex-prefeito da capital mineira Alexandre Kalil (PDT) confirmou sua presença no evento mas, até o fechamento desta edição, não retornou sobre seus planejamentos para o evento. O atual governador Mateus Simões (PSD), que é candidato ao cargo nas eleições de 2026, participará da abertura do evento como chefe do Executivo estadual, mas não vai ao painel com os demais pré-candidatos.
Em conversa com o EM, o senador Cleitinho Azevedo (Republicanos), apesar de ter a presença confirmada no site do evento, deixou em aberto sua participação no Congresso. Outro parlamentar que ainda poderá comparecer é o senador Rodrigo Pacheco. Procurado, ele informou, por meio da assessoria, que não vai comentar sobre o CMM neste momento e que a presença no painel segue incerta. Já o nome do Missão, Ben Mendes não teve sua participação confirmada.
Palestras simultâneas
Além dos pré-candidatos ao governo, os pré-candidatos ao Senado Áurea Carolina (Psol), Domingos Sávio (PL), Marcelo Aro (PP) e Marília Campos (PT) também irão compor um painel, no mesmo palco, desta vez na quarta-feira, sob coordenação de Rodrigo Lazaro da Silva. Da equipe da AMM, o presidente Lucas Lopes e o superintendente-executivo Lu Pereira também irão palestrar.
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Ao todo, mais de 100 palestras serão realizadas no evento, somando mais de 1.600 horas de conteúdo ao longo dos dois dias para um público estimado de 11 mil participantes. A programação abrange temas centrais da administração pública municipal, como saúde, educação, assistência social, segurança e desenvolvimento econômico, além de conteúdos técnicos sobre gestão e governança e debates sobre cenário eleitoral e uso de redes sociais. Para além das conversas, o evento contará com a 39ª Feira para o Desenvolvimento dos Municípios, com mais de 400 expositores.