Presidente da CUT-MG defende redução da jornada de trabalho em ato em BH
Fim da escala também foi defendida pelo Sindicato dos Empregados no Comércio de Belo Horizonte e Região, categoria que reúne cerca de 13 milhões de brasileiros
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Durante a manifestação do Dia do Trabalhador, nesta sexta-feira (1º/5), na Praça Raul Soares, em Belo Horizonte, o presidente da Central Única dos Trabalhadores em Minas Gerais (CUT-MG), Jairo Nogueira, criticou o atual modelo de organização das jornadas de trabalho no Brasil e defendeu o fim da escala 6x1, que começou a ser analisada nesta semana pela Câmara dos Deputados.
Para ele, o modelo vigente de seis dias de trabalho e apenas um de folga impõe rotinas exaustivas que impactam diretamente o bem-estar dos trabalhadores. Ele citou o fato de que, na escala 6x1, o descanso muitas vezes é concedido em dias como segunda-feira, o que, segundo Nogueira, prejudica especialmente as mulheres e o convívio familiar.
"A organização atual da jornada não prioriza o trabalhador. É um modelo que impõe desgaste constante e afeta diretamente a vida das pessoas", afirmou.
O dirigente sindical ressaltou que o formato, ainda comum no país, está defasado em relação a tendências internacionais, onde já há avanços na revisão das jornadas de trabalho.
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Mudanças
O dirigente defendeu ainda a adoção de escalas mais equilibradas, com dois dias de folga por semana ou até mesmo o regime de quatro dias de trabalho seguidos por três de descanso. "Com a tecnologia e a organização atual do trabalho, é plenamente possível reduzir a jornada sem reduzir salários — e isso pode, inclusive, aumentar a produtividade", disse.
O presidente da CUT-MG também destacou a importância do tempo livre para atividades pessoais, como lazer, estudo e convivência familiar. Segundo ele, a limitação a apenas um dia de descanso semanal impede que isso aconteça, já que esse período costuma ser consumido por tarefas domésticas ou outros afazeres.
Em sua avaliação, a jornada com apenas um dia de descanso impacta a saúde mental dos trabalhadores, com aumento de casos de esgotamento e a consequente queda de produtividade.
O fim da jornada 6X1 também foi defendida pelo diretor do departamento jurídico do Sindicato dos Empregados no Comércio de Belo Horizonte e Região, Osvaldo Gonçalves Filho. Segundo ele, essa é uma demanda histórica da categoria e está diretamente ligada à qualidade de vida dos trabalhadores que, segundo ele, somam cerca de 13 milhões de pessoas em todo o país.
Com mais de 37 anos de atuação como comerciário, ele destacou que a rotina exaustiva imposta pelo modelo atual impede o convívio familiar. “Nós não vimos os nossos filhos crescerem. Trabalhamos exaustivamente”, disse.
Segundo ele, a reivindicação pelo fim da escala 6x1 reflete uma mudança na forma como os trabalhadores enxergam suas condições de trabalho. “Hoje queremos uma liberdade com as nossas famílias”, afirmou.
O dirigente também criticou o que classifica como exploração por parte de empregadores. “O grande problema dos comerciários é que eles exploram o trabalhador e querem produtividade. E isso não teremos nunca, porque o trabalhador cansado não consegue produzir”, declarou.
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O diretor ressaltou que a pauta não é isolada e representa milhões de trabalhadores em todo o país. “Somos uma classe de mais de 13 milhões de comerciários no Brasil inteiro. Temos que ser escutados, não podemos ser ignorados”, concluiu.