O governador de Minas Gerais, Mateus Simões (PSD), condicionou a escolha do novo reitor da Universidade Estadual de Minas Gerais (Uemg) a um compromisso de submissão em relação à venda de um prédio da instituição em Frutal, no Triângulo Mineiro.
“Como a escolha do reitor é minha, eu estou aqui querendo um compromisso público dos candidatos. Só tem chance de ser nomeado por mim o candidato que assumir o compromisso de que não vai atrapalhar a destinação desse imóvel. Aquilo que o governo e o Ministério Público resolverem que é melhor para a população e para a Uemg vai ter colaboração do reitor novo”, disse.
O processo de definição da próxima reitoria da Uemg já está em andamento, com três chapas concorrendo. A universidade realiza eleições internas e encaminhará uma lista tríplice ao governador, que dará a palavra final em 20 de maio.
A reportagem entrou em contato com as três chapas concorrentes: A Uemg que a gente quer (1); Uemg viva (2); e A Uemg que Minas merece (3). Até o momento, não houve retorno, mas o espaço segue aberto. Assim que as candidatas se posicionarem, a matéria será atualizada. A assessoria da universidade também foi procurada.
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Simões na Uemg em Frutal
O governador aproveitou uma visita à unidade da Uemg em Frutal na última semana para gravar um vídeo propondo a condição aos candidatos à reitoria. Ele visitou o prédio que quer vender, que comparou com um “cenário de The Last of Us”, jogo de videogame que se passa em um mundo apocalíptico.
“Tentei de tudo para que a gente pudesse discutir a venda disso aqui que era para ser moradia de esportistas, para que a gente pudesse reverter o dinheiro para a reforma do campus de Frutal. Poderíamos, por exemplo, pegar o dinheiro daqui e investir na biblioteca que não foi acabada”, propôs Simões.
Ele afirmou que a atual reitoria não “colaborou” com a ideia de vender o prédio. O lugar em que Simões esteve, assim como outros patrimônios da Uemg, integrou a lista de imóveis a serem repassados à União por meio da adesão ao Programa de Pleno Pagamento das Dívidas dos Estados (Propag). Após pressão da comunidade acadêmica, as propriedades da universidade foram retiradas da lista.
Simões conclui o vídeo negando que a postura seja autocrática: “Não tenho nenhuma pretensão de me envolver na autonomia da universidade, mas eu não admito mais que esse tipo de coisa seja tratada como 'de interesse social'”.
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O posicionamento do governador gerou reação da oposição. A deputada estadual Lohanna França (PV) chamou Simões de "xerife" e defendeu que a escolha do reitor seja feita com base na eleição da comunidade acadêmica.
