Por dentro da urna eletrônica: a tecnologia que garante a sua segurança
Descubra como funciona o hardware e o software do equipamento usado nas eleições brasileiras e quais são as camadas de segurança que impedem as fraudes
compartilhe
SIGA
Com o fim do prazo para regularizar o título de eleitor, muitos brasileiros voltam a pensar no processo de votação. O equipamento no centro desse sistema, a urna eletrônica, é projetado com um objetivo claro: garantir que cada voto seja registrado e contabilizado de forma segura, rápida e auditável em todo o país.
Diferente de um computador comum, a urna não tem acesso à internet, Wi-Fi ou Bluetooth. Ela funciona como um sistema isolado, o que representa a primeira e mais importante barreira contra ataques externos. O equipamento é composto por duas partes principais: o terminal do mesário, onde o eleitor é identificado e autorizado a votar (muitas vezes por biometria), e o terminal do eleitor, onde os números dos candidatos são digitados.
Leia Mais
-
A impressão do voto traz insegurança ao eleitor', diz Cármen Lúcia
-
Flávio Dino afirma que críticas às urnas eletrônicas pertencem ao 'passado'
O software que opera na urna é desenvolvido exclusivamente pelo Tribunal Superior Eleitoral (TSE). Meses antes das eleições, o código-fonte do sistema é aberto para inspeção por partidos políticos, Ministério Público, Ordem dos Advogados do Brasil (OAB), universidades e diversas outras entidades fiscalizadoras. Após essa fase, o software é "lacrado" digitalmente, garantindo que o programa usado no dia da votação é o mesmo que foi auditado.
Como a segurança é garantida?
A proteção do voto vai além do isolamento da rede. Diversas camadas de segurança trabalham juntas para impedir fraudes. Uma das principais é a criptografia. Quando você confirma seu voto, ele é embaralhado e armazenado de forma anônima no registro digital da urna. Isso impede que qualquer pessoa consiga associar um voto a um eleitor específico.
Outro mecanismo fundamental é a assinatura digital. Todos os arquivos gerados pela urna, como a lista de candidatos e os registros de votos, são assinados digitalmente com certificados no padrão da Infraestrutura de Chaves Públicas Brasileira (ICP-Brasil). Qualquer alteração, por menor que seja, invalidaria essa assinatura, tornando a fraude facilmente detectável durante as verificações.
Para aumentar a transparência, são realizadas auditorias públicas antes e durante o dia da eleição. A mais conhecida é a votação paralela: na véspera da eleição, urnas sorteadas são levadas para um local público onde votos, ditados em voz alta e registrados em papel para conferência, são digitados no equipamento. Ao final, o resultado digital impresso pela urna é comparado com a contagem manual dos votos da simulação, comprovando que o sistema registra fielmente o que foi digitado.
Ao final do dia, a urna utiliza sua impressora térmica integrada para emitir o Boletim de Urna (BU), um extrato em papel com o resultado completo daquela seção eleitoral. Uma cópia é afixada na porta da sala de votação para que qualquer cidadão possa conferir e fotografar. Esse documento é a prova física do resultado eletrônico, permitindo uma auditoria completa e descentralizada do processo.
Siga nosso canal no WhatsApp e receba notícias relevantes para o seu dia
Uma ferramenta de IA foi usada para auxiliar na produção desta reportagem, sob supervisão editorial humana.