O deputado federal Lindbergh Farias (PT-RJ) protocolou na Procuradoria-Geral da República (PGR), na terça-feira (7/4), uma representação contra o senador e pré-candidato à Presidência da República Flávio Bolsonaro (PL-RJ), após o parlamentar admitir que enviou um relatório de inteligência brasileiro a autoridades dos Estados Unidos.

O documento compilado por Flávio continha dados sobre a segurança pública do Rio de Janeiro, incluindo informações sobre a expansão de facções criminosas como o Comando Vermelho (CV) e o Primeiro Comando da Capital (PCC), tráfico de armas e drogas. 

A “confissão” do envio se deu em uma entrevista na qual o filho de Jair Bolsonaro contou que enviou oficialmente o material à Embaixada dos Estados Unidos e para a Casa Branca, recebido pelo Secretário de Estado dos EUA, Mark Rubbio.

Para Lindbergh, a relação estabelecida entre Flávio Bolsonaro e o presidente dos EUA, Donald Trump, em momento de escalada de violência na guerra no Oriente Médio e ameaça contra a nação do Irã, “é uma vergonha”. O petista considerou Flávio “o filho mais corrupto de Bolsonaro” e afirmou que ele age como “traidor da pátria” e “espião dos Estados Unidos”. 

“Ele diz abertamente que pegou documentos sigilosos da inteligência, da segurança do Estado do Rio de Janeiro, que mandou para a Embaixada Norte-Americana, para Marco Rubio e para Casa Branca. É uma política de submissão total ao Trump. Eles se oferecem para entregar o Brasil com uma colônia aos Estados Unidos!”, argumentou o deputado.

Para o petista, a atitude de Flávio demonstra um “vira-latismo” e “submissão aos interesses dos Estados Unidos”, com “preocupação nenhuma com o povo brasileiro”. “Não é episódio isolado. É um padrão: entrega da Amazônia, defesa de sanções contra o Brasil e agora envio de informação sensível ao exterior. Isso tem nome: traição à soberania”, escreveu no X. 

A "entrega da Amazônia" se refere a uma afirmação feita pelo então presidente Jair Bolsonaro que, em 2019, disse ao ex-vice-presidente dos Estados Unidos, Al Gore, que "adoraria explorar Amazônia com os EUA"

Ainda para o deputado, “quem age assim não defende o Brasil. Trabalha contra ele”. “A soberania brasileira é inegociável!”, finalizou. 

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Procurada pela reportagem, a PGR confirmou o recebimento da representação, mas não compartilhou detalhes sobre o conteúdo do documento.

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