O advogado e professor Mateus Simões (PSD), de 45 anos, assume neste domingo o comando de Minas Gerais prometendo continuidade no trabalho que realizou ao lado do governador Romeu Zema (Novo) nos últimos anos. Segundo ele, suas prioridades serão o pagamento dos servidores em dia, o cuidado com as contas públicas e a realização de investimentos que já estavam previstos. Nesta entrevista ao Estado de Minas, Simões falou sobre seus planos de governo, a relação com a Assembleia, a privatização da Copasa e a dívida bilionária do estado com a União. Pré-candidato ao governo nas eleições de outubro, ele garante que não está preocupado com o calendário eleitoral no momento. “Meu compromisso é o de governar Minas Gerais”, afirma.
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O que é possível fazer como governador nesses nove meses finais de mandato?
Estes nove meses serão de continuidade e aprofundamento de um trabalho que já vem sendo feito desde 2019, quando Romeu Zema assumiu o comando do nosso estado, lembrando que eu estou ao lado dele desde a transição e, diretamente no governo, coordenando as secretarias, já há 6 anos. Continuarão como minhas prioridades o cuidado com as contas públicas, o pagamento dos servidores em dia e os investimentos que já temos previstos pelo orçamento deste ano para garantir o melhor em saúde, educação, segurança, infraestrutura e assistência social. Vou acompanhar de perto o andamento de investimentos importantes que se iniciaram e terão seus resultados colhidos no futuro, como as obras do Rodoanel e da ponte que liga os municípios de Matias Cardoso e Manga, uma das mais esperadas pelos moradores do Norte do nosso estado. E celebrar entregas importantes, como o início de operações dos cinco hospitais regionais, que garantirão a saúde mais perto de quem precisa, bem como do Hospital Padre Eustáquio em BH, e, ainda, a Linha 2 do metrô, que finalmente sairá do papel após mais de 20 anos de espera e de promessas.
Qual o maior desafio de Minas Gerais?
Conhecer verdadeiramente o estado, que é do tamanho da França e da Espanha, que tem a população maior que a da Austrália e do Chile – mais de 21 milhões de mineiros – é o maior desafio. Cada canto tem suas características e suas necessidades. É preciso percorrer nosso interior, dialogando com prefeitos, como eu e o governador Romeu Zema fizemos ao longo dos últimos anos, para que as políticas públicas planejadas façam, de fato, a diferença na vida das pessoas.
Como o senhor vai conciliar o mandato e a campanha?
Não estou preocupado com o calendário eleitoral neste momento. Meu compromisso é o de governar Minas Gerais, até porque, para quem está no cargo, esse é mesmo o caminho natural. Responsabilidade na condução das contas públicas e continuidade ao trabalho do governador Romeu Zema, sempre com foco nas pessoas e no futuro do nosso estado.
O senhor pretende concluir neste mandato a privatização da Copasa?
A privatização da Copasa deve ser concluída ainda neste semestre, o que vai garantir a conclusão da universalização de acesso aos serviços de água e esgoto até 2033, conforme o Marco do Saneamento. É importante que se diga – e eu sempre tenho dito isso – que estaremos de perto para garantir a melhoria do serviço e a manutenção de uma tarifa justa. O estado, através da Arsae (Agência Reguladora de Serviços de Água e Esgotamento Sanitário de Minas Gerais), vai continuar fiscalizando a prestação do serviço de fornecimento de água e de coleta de esgoto e é quem vai regular as tarifas. Os recursos da venda da Copasa são essenciais para o cumprimento do Programa de Parcelamento da dívida de Minas com a União.
E as outras estatais, o senhor também pretende privatizar?
Nossa prioridade é concluir o processo de venda da Copasa para que tenhamos os recursos dos investimentos obrigatórios previstos no Propag. Não existe discussão de outras privatizações nesse momento.
E a relação com a Assembleia? Qual sua expectativa em ano eleitoral?
Minha relação com a Assembleia é de diálogo, transparência e, sobretudo, de respeito à independência dos Poderes. Tanto é assim que fui o primeiro vice-governador a ir ao Legislativo para apresentar o que pretendíamos fazer em relação ao Propag, atendendo a todas as perguntas dos deputados. Temos uma bancada de apoio ao governo coesa e a Presidência da Casa é responsável e muito equilibrada. Ao longo destes três anos como vice-governador, foi escutando os deputados que consegui formar uma base de mais de 50 parlamentares. Juntos, temos feito mais por Minas, ouvindo e atendendo, sempre que possível, as demandas.
E qual relação pretende ter com o governo Lula?
Minha relação com o presidente Lula é uma relação institucional, que tem como foco defender os interesses dos mineiros.
O senhor se define como um político de centro ou de direita?
Sou um político de direita, liberal na forma de conduzir nosso estado, mas conservador nas ideias – sem ser radical.
A dívida de Minas pode ser um empecilho para seus planos para o governo de Minas?
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A dívida de Minas não é e não pode ser um empecilho para darmos continuidade à transformação que já começamos a fazer em Minas Gerais. Não foi empecilho quando ainda era negociada, seja através do Regime de Recuperação Fiscal ou do Propag. Colocamos as contas em dia, voltamos a pagar os servidores em dia, passamos a efetivamente fazer os investimentos constitucionais em saúde e em educação. Criamos o maior programa de ensino profissionalizante da história do estado, o Trilhas de Futuro, que já formou mais de 100 mil jovens; equipamos a polícia e garantimos um dos estados mais seguros do país; reformamos mais de 5 mil quilômetros de estradas. Isso é suficiente para resolver o atraso de décadas? Claro que não. Sei que precisamos fazer muito mais. Mas agora, com a dívida negociada no Propag, e com a venda da Copasa, conseguiremos garantir ainda mais investimentos em educação, segurança e infraestrutura, que são itens obrigatórios de contrapartida do programa. n
