O comando de Minas Gerais troca de mãos neste domingo, com a saída de Romeu Zema (Novo) e a entrada de Mateus Simões de Almeida (PSD). Aos 45 anos, o novo governador será empossado em cerimônia oficial realizada na Assembleia Legislativa de Minas Gerais (ALMG). Na sequência, ele segue para o Palácio da Liberdade, onde participa da solenidade de troca de cargo. Depois de pouco mais de sete anos de governo, Zema renunciou ao governo do estado para disputar a eleição presidencial. O comunicado da renúncia foi enviado à ALMG na terça-feira.

De vereador da capital mineira, eleito pela primeira vez em 2016, ao cargo mais importante na hierarquia da política mineira em apenas uma década, Simões, que é professor, procurador concursado da ALMG e produtor rural, assume o estado com enormes desafios. Terá que equacionar despesas e investimentos em áreas essenciais, com o orçamento no vermelho e uma dívida bilionária, além de manter o que ele considera um dos legados do seu antecessor: o pagamento em dia dos salários dos servidores públicos.

Tudo isso em nove meses de um mandato tampão marcado por uma eleição, que promete ser acirrada, e que terá Simões como um dos protagonistas. O novo governador é pré-candidato à reeleição para o cargo que acabou de assumir e está em franca movimentação para ampliar o leque de alianças em torno de seu nome. Sua candidatura ainda não mostrou força e patina nas pesquisas, mas, segundo apostas dos aliados, vai crescer com a visibilidade do novo cargo.

De perfil técnico, Simões é uma figura central do segundo mandato de Zema, e considerado, nos bastidores, o responsável de fato pelos assuntos que dizem respeito à gestão administrativa do estado. É ele quem coordena todas as ações envolvendo o Programa de Pleno Pagamento das Dívidas dos Estados (Propag), que renegocia a dívida de Minas com a União, e também aspectos que envolvem as contas do estado. Uma função que exerce desde quando presidia, ainda como secretário-geral da primeira gestão Zema, o Comitê de Orçamentos e Finanças do estado (Cofin), instância central na condução das políticas orçamentária, financeira, e de gestão e de pessoal do estado.

Simões virou vice-governador na chapa pura que reelegeu Zema no primeiro turno das eleições de 2022. Nessa época, ainda era filiado ao Novo, partido pelo qual virou vereador em 2016, seu primeiro cargo eletivo, e que ajudou a fundar na capital mineira. Mas sua militância na política começou antes, em 2007, quando se filiou ainda jovem ao PSDB.

Foi ele também, como vereador do Novo, que coordenou a equipe de transição da gestão de Fernando Pimentel (PT) para a de Zema, com quem mantém hoje uma relação não só de trabalho, mas de amizade e afinidade de ideias, apontam colaboradores próximos. Simões conta com o apoio de Zema para sua candidatura e aposta na aprovação da gestão do seu principal cabo eleitoral para alavancar seu nome na disputa.

No entanto, encontra resistência dentro da própria base do governador, principalmente em função de desacertos com as forças de segurança pública e seus representantes dentro do parlamento, e desentendimentos com integrantes do mesmo campo político, muitos deles causados por declarações dadas pelo novo governador considerado pelos desafetos "arrogante" e "professoral".

Simões admite ter um tom considerado "duro" no meio político, mas afirma ser um "cacoete de 20 anos de sala de aula". "Mas quem está mais próximo sabe que sou aberto a ideias diferentes das minhas e gosto de discutir alternativas à minha visão. Será um desafio romper essa impressão com aqueles que me observam mais de longe", afirmou Simões ao Estado de Minas.


Interior

O novo governador é natural de Gurupi, no Tocantins, mas passou maior parte da vida em Minas. Ele disse que nunca imaginou que um "menino do interior, criado na fazenda até os 14 anos de idade, e órfão de pai e mãe se tornaria governador de Minas". "São 30 anos difíceis de serem mapeados, mas acho que Deus, trabalho e esforço costumam ser um bom caminho para o sucesso", afirmou Simões. Seus pais, Gutemberg e Elisa, morreram em um acidente rodoviário, em uma quarta-feira de Cinzas do ano de 1993, em Uberaba, no Triângulo Mineiro.

Com a perda dos pais, Simões veio para Belo Horizonte viver com a avó materna, e na capital construiu sua trajetória acadêmica e profissional. Foi professor na Fundação Dom Cabral e também na Faculdade de Direito Milton Campos, além de procurador concursado da ALMG, cargo do qual segue licenciado, desde 2026, quando iniciou sua carreira política como vereador.

Na capital mineira também se casou, aos 26 anos, com Christiana Renault, professora licenciada de direito e também graduada em Turismo. Ela preside, desde 2023, o Serviço Social Autônomo (Servas), entidade ligada ao governo do estado que atua na área da assistência social. Os dois não têm filhos.

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Evangélico, o novo governador conta que gosta de passar as poucas horas vagas lendo literatura e fazendo seus estudos bíblicos. "Além disso, continuo assistindo a séries nas viagens que faço pelo estado. Quando possível, nos fins de semana que fico em BH, gosto de ficar com meus cachorros cozinhando", contou. Também disse se considerar um "político de direita". "Liberal na forma de conduzir nosso estado, mas conservador nas ideias – sem ser radical", afirma.

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