Na semana em que se despede da cadeira de governador, Romeu Zema (Novo) participou nesta quarta-feira (18/3) de um evento que reuniu 5.500 produtores rurais em Belo Horizonte. Zema aproveitou o evento para se mostrar como pré-candidato à Presidência da República para o setor agropecuário. Ele começou seu discurso, como homenageado no evento  "A força de Minas", promovido pela Federação da Agricultura do Estado de Minas Gerais (Faemg), enaltecendo a categoria.

“Produtores rurais, a Faemg é a casa de quem sustenta esse país todo. Gente que acorda de madrugada, gente que trabalha, que produz. Vocês não vivem do governo, é o governo que vive de vocês”, provocou Zema, se referindo à elevada carga tributária do Brasil, e emendou, se aproximando do público: “Eu sou um mineiro do interior que trabalhou a vida inteira, e sei bem o que é pagar todos esses impostos. Sei o que é dar duro para fazer as coisas acontecerem.”


Após repetir o discurso de que nunca foi voltado para a política e que, em 2018, se elegeu governador para tirar o estado da mão dos políticos que se vendem, Zema afirmou que agora, considerando todo o Brasil, o desafio é maior ainda: “Vocês sabem como Minas Gerais estava em 2018, o que o PT fez aqui durante a gestão do Fernando Pimentel. Eles simplesmente destruíram o nosso estado e agora estão destruindo o nosso Brasil.”

O tom da participação de Zema no evento se deu logo na sua entrada no auditório, quando celebrado pelo público e presenteado pela Associação das Amazonas do Vale do Aço com uma camisa escrita "Zema prosperou Minas, agora é o Brasil", que fez questão de vestir.  Ao apresentar as evoluções que o setor agropecuário teve nos últimos anos, Antônio de Salvo, presidente da Faemg, agradeceu o trabalho de Zema à frente do governo, sobretudo por ouvir os produtores rurais para formular as políticas públicas. 

“É fundamental que o governo esteja alinhado conosco. No passado não tínhamos essa visibilidade. Apesar de estarmos subindo economicamente, nosso trânsito político era aquém do que esse setor merece. Obrigado a todo o governo mineiro!”, disse Antônio de Salvo, após a entrega de uma placa em reconhecimento à liderança e ao compromisso do governador com ações estruturantes que favorecem o desenvolvimento de Minas Gerais.

A homenagem feita pela Faemg direciona o governador como o candidato do setor agropecuário. Zema não decepcionou, e logo foi citando o Abril Vermelho, organizado pelo Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem Terra (MST), realizando ocupações e protestos. “Tenho andado pelo país conversando com gente como vocês e posso dizer uma coisa: ninguém aguenta mais esse Abril Vermelho que vem pela frente. Ninguém aqui aguenta mais invasão de terra, que em Minas Gerais não existe mais, mas existe em outros lugares”, disse o pré-candidato à Presidência da República.

Após sete anos e três meses de mandato, Zema afirmou que posicionou Minas Gerais como a terceira economia agrícola do país, tendo encontrado o estado na quinta colocação em 2018. Ele cita como exemplo o trabalho de valorização de produtos típicos, como o Queijo Minas Artesanal e o café: “Isso representa distribuição de renda, fixa o homem no campo, o filho passa a ter interesse. [...] O que precisa é ter diálogo, estarmos próximos, escutar quem rala, que sua no sol quente, com o trator estragado, quem enfrenta atoleiro todo dia.”

Ele garantiu que pretende manter com a Confederação Nacional da Agricultura (CNA) o mesmo diálogo que exerceu com a Faemg. “A CNA não está sendo escutada em Brasília. Está entrando muito produto importado prejudicando quem produz aqui”, disse o governador, se referindo às suspeitas de concorrência desleal (dumping) sofridas pelo leite, frente aos produtos da Argentina e do Uruguai, e pelo morango, contra o produto importado do Egito.


Simões quer manter diálogo

O vice-governador Mateus Simões (PSD), que assume a cadeira de Zema no próximo dia 22, também se mostrou alinhado ao setor agropecuário: “Às vésperas do meu início de governo, foi bom vir aqui para poder repetir o nosso compromisso com o agro. Durante o governo de Zema, nós vimos o setor dobrar a sua participação no PIB (Produto Interno Bruto) de Minas Gerais e superar as exportações da mineração.” 

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Simões afirmou que sua expectativa é que o setor continue crescendo: “Hoje nós somos a terceira maior economia agrícola do país, perdendo apenas para São Paulo e o Mato Grosso, e temos plenas condições de nos tornar a segunda. Temos muita terra degradada para continuar corrigindo, muita  genética para ser melhorada, muita área a ser irrigada para a inserção de novas culturas, então, estou animado”.

O vice-governador ainda falou que a inserção de tecnologia na produção está voltando a atrair mão de obra para o campo, estimulada por programas ligados à sucessão e atração de jovens tanto pelo Serviço Nacional de Aprendizagem Rural (Senar) quanto pela Empresa de Assistência Técnica e Extensão Rural do Estado de Minas Gerais (Emater-MG). 

“A gente assistiu ao longo de décadas uma migração de empregos do campo para a cidade. Agora nós estamos começando a ver os netos voltando. Nós praticamente pulamos uma geração, os filhos foram embora, mas os netos começaram a voltar. E eles voltam, não para pegar na enxada, mas para manipular o joystick de um trator ou para pilotar um drone”, explica Simões.  

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