A posse do vice-governador Mateus Simões (PSD) no comando do Executivo mineiro, marcada para o próximo domingo, dia 22, deve manter a atual configuração da base governista na Assembleia Legislativa de Minas Gerais (ALMG). O cenário, porém, permanece complexo, marcado por negociações constantes, disputas por espaço político e pela heterogeneidade do grupo aliado. Entre lideranças ouvidas pelo Estado de Minas, predomina a avaliação de continuidade administrativa, embora Simões ainda precise demonstrar capacidade própria de articulação em uma Casa cuja dinâmica interna tem peso decisivo.

Líder do PL, o deputado Bruno Engler afirma que a relação institucional deve seguir o padrão observado nos últimos meses, período em que Simões já vinha ganhando protagonismo no Executivo. “Na prática, não muda muito a relação do governo com a Assembleia. Acho que o Mateus vai ter mais autonomia para promover a agenda, mas, nos últimos meses, o governador Zema tem delegado cada vez mais funções a ele”, disse.

Segundo Engler, Simões já exerce “um protagonismo grande no governo de Minas”, e a posse no comando do Executivo representa a “consolidação dele à frente do Estado”. Para o parlamentar, o novo cargo tende a fortalecer politicamente o vice-governador, inclusive no cenário de pré-candidatura, sem alterar o padrão de diálogo com o Legislativo. “Acho que o relacionamento com a Assembleia deve seguir na mesma linha, porque não há mudança de direção. Continua sendo o mesmo governo. O Zema troca essa cabeça pelo Mateus, mas é uma continuidade. Imagino que a liderança de governo se mantenha e que toda a costura com a Casa continue da mesma maneira”, afirmou.

A leitura de aliados do Executivo reforça a expectativa de que a interlocução cotidiana construída por Simões com os parlamentares facilite a tramitação de projetos e contribua para a manutenção de uma base minimamente coesa. O líder do bloco Minas em Frente, Cássio Soares, destaca a presença constante do futuro governador em agendas políticas no interior e no atendimento direto aos deputados.

“Eu só vejo ponto positivo. O Mateus tem uma relação muito próxima com os parlamentares, tanto no atendimento do dia a dia quanto nas movimentações que ele faz pelo interior. A expectativa que eu percebo aqui é positiva, de ele assumir o governo e seguir liderando o estado”, afirmou.

Além de liderar o bloco, Cássio Soares preside o PSD em Minas Gerais, partido pelo qual Simões pretende disputar o governo em outubro. Nos bastidores, a avaliação é de que o parlamentar tende a atuar como um dos principais interlocutores do grupo junto aos deputados na Assembleia.

Simões é filiado ao PSD

REPRODUÇÃO/PSD

Já o deputado Noraldino (PSB), do bloco Avança Minas, avalia que Simões chega com capital político acumulado, mas precisará ampliar o alcance do diálogo. “Relação já têm. Tudo depende do clima da ALMG e de como conquistar esse diálogo. É preciso que ele se estenda também aos parlamentares que eu represento.”

Na oposição, a mudança no comando do Executivo não altera a disposição de confronto. Líder da Minoria, o deputado Cristiano Silveira (PT) afirma que o grupo mantém avaliação crítica sobre a condução do governo. “Há tempos Zema já não governa o estado e Mateus permanecerá apenas como zelador até o fim deste mandato.”

O primeiro grande teste dessa engrenagem política deve ocorrer já nas próximas semanas, com a necessidade de aprovação de projetos considerados prioritários pelo Executivo, entre eles propostas com impacto sobre o funcionalismo e o equilíbrio fiscal.

Base sob tensão

A chegada de Simões ao comando do Executivo ocorre em um ambiente legislativo de apoio condicionado. Na prática, o alinhamento de parlamentares costuma depender de entregas regionais, acesso às secretarias e resposta rápida a demandas locais. Mais do que a formação formal de maioria, o que sustenta a governabilidade é o funcionamento cotidiano dessa rede de articulações.

Sinais de tensão, porém, já aparecem nos bastidores. Deputados relatam incômodo com a aproximação entre Simões e o deputado federal Nikolas Ferreira, especialmente em agendas conjuntas de anúncios e entregas de investimentos. A principal queixa é a percepção de que demandas vinculadas ao parlamentar teriam avançado com maior rapidez, inclusive quando coincidem com solicitações antigas de deputados estaduais aliados.

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Em um cenário no qual a visibilidade das ações de governo influencia diretamente o capital político regional, a disputa por protagonismo tende a se intensificar. Integrantes do próprio Executivo avaliam que a presença, nessas agendas, de pré-candidatos ligados ao entorno de Nikolas também é interpretada como estratégia de construção antecipada de palanques eleitorais, mesclando compromissos administrativos e articulação política com vistas às eleições de 2026.

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