Em meio às especulações de que a federação União-PP pode abandonar a candidatura do vice-governador Mateus Simões (PSD) ao Palácio Tiradentes, o secretário de Governo, Marcelo Aro (PP), garantiu em entrevista exclusiva ao Estado de Minas ter a palavra dos presidentes de ambos os partidos sobre a manutenção da articulação.

Pré-candidato ao Senado, Aro está no centro do furacão da disputa pelo apoio de União Brasil e PP, que podem embarcar em uma possível candidatura de Rodrigo Pacheco (PSD) ao Executivo mineiro ou até endossar a campanha do senador Cleitinho Azevedo (Republicanos).

Caso a federação pule do barco de Simões, o secretário, grande aliado do governo Romeu Zema (Novo), ficaria isolado e teria que mudar de partido para participar do pleito de outubro.

Marcelo Aro, contudo, não tem dúvida de que os partidos estarão ao lado do vice-governador. Acredita que os rumores contrários são fruto de “um grupo político em Minas Gerais que vive de notinha na imprensa”.

“Eu tenho a palavra do presidente nacional do União, que é o [Antonio] Rueda. Eu tenho a palavra do presidente nacional do PP, que é o Ciro [Nogueira]. Tanto o Ciro quanto o Rueda já deixaram claro que o candidato deles ao governo de Minas é Mateus Simões”, disse o secretário.

Questionado se a palavra da dupla permanece de pé, relatou ter reforçado o acordo recentemente: “Ontem [10/3] eu estive na casa do Rueda e, no Senado Federal, no gabinete do Ciro. Eu converso dia sim, dia não com eles. Você acha que eu estaria falando isso se não tivesse sentado e ouvido a palavra deles?”.

Recentemente, o União Brasil trocou a presidência em Minas Gerais, em movimento entendido como aproximação a Rodrigo Pacheco. O deputado federal Marcelo Freitas deu lugar ao companheiro de Câmara Rodrigo de Castro, aliado do senador. Pacheco é o nome preferido do presidente Lula (PT) para a disputa do governo estadual, mas ainda mantém mistério sobre a entrada no pleito.

Mateus Simões vai decolar?

Aro mostrou otimismo em relação à candidatura de Mateus Simões ao governo. No levantamento do Instituto F5 Atualiza Dados, divulgado com exclusividade pelo Estado de Minas na segunda-feira (9), o vice-governador aparece com 4% das intenções de voto, em quarto lugar no melhor cenário. Quem lidera é Cleitinho, com 39% no principal cenário estimulado. Em seguida, aparece Pacheco, com 11%, seguido do ex-prefeito de Belo Horizonte Alexandre Kalil (PDT), que soma 9%.

O secretário, entretanto, disse não acreditar em pesquisas com “tanta antecedência” e projetou crescimento semelhante ao de Antonio Anastasia, eleito governador de Minas em 2010, e Fuad Noman (1947-2025), que ganhou para prefeito de Belo Horizonte em 2024.

Os dois ocupavam o cargo de vice nas chapas anteriores, assumiram a vaga principal no ano das eleições ainda com números pouco expressivos nas primeiras pesquisas, mas conseguiram se eleger.

“A pesquisa atual não me preocupa. O Mateus já cresceu. Daqui a duas semanas, vira governador do estado, vai ter outra visibilidade. Ele ainda não é conhecido pela população mineira, vai se apresentar”. Simões assume o governo de Minas em 22 de março, data em que Zema vai se descompatibilizar do cargo para disputar a Presidência da República.

Outro ponto que leva Aro a ter otimismo é o tempo de propaganda na televisão e no rádio que a candidatura de Mateus Simões terá. “Ele tem PSD, PP, União, Podemos, PRD, Solidariedade, enfim... Já tem o maior tempo de televisão. O PL vindo, Mateus vai ter quase 3/5 do tempo de televisão”.

O apoio do PL segue indefinido. O partido do ex-presidente Jair Bolsonaro tem três opções: lançar um candidato próprio; apoiar Cleitinho; ou apoiar Simões. A última parece ser a alternativa favorita do deputado federal Nikolas Ferreira (PL-MG), que diz ter recebido de Bolsonaro liberdade para tomar as decisões das articulações políticas em Minas.

Aro, Zema e Simões, inclusive, marcaram presença no ato puxado pelo parlamentar em Belo Horizonte no último dia 1º, chamado de “Acorda, Brasil”. “Nós acreditamos que vai dar certo [o apoio do PL a Simões]. Claro, ainda tem água para passar debaixo da ponte. Pode ser que dê errado lá na frente? Pode, claro que pode. Mas nós acreditamos, estamos otimistas. Aquilo que nós acreditamos é convergente. A Minas que nós queremos é convergente”, avaliou o secretário.

A principal resistência no PL mineiro ao apoio ao vice-governador está entre nomes ligados às forças de segurança, como os deputados estaduais Sargento Rodrigues e Cristiano Caporezzo. As categorias cobram da gestão Zema maior atenção à recomposição salarial e frequentemente fazem oposição ao governo na Assembleia Legislativa de Minas Gerais. De qualquer maneira, Aro disse confiar em “aparar as arestas” para construir uma unificação da direita em Minas.

Senado

O pré-candidato revelou um novo apoio na disputa pelo Senado: o do prefeito de Belo Horizonte, Álvaro Damião (União Brasil). Aro relembrou a disputa pela presidência da Câmara Municipal em 2025, que teve Juliano Lopes (Podemos), membro da “Família Aro”, grupo político ligado ao secretário, contra Bruno Miranda (PDT), apoiado por Fuad e Damião.

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Lopes saiu vencedor e Aro relatou ter boa relação com o prefeito desde então. Disse que, mesmo após a derrota, Damião pediu ajuda para “construir juntos” a capital. “Eu não negociei absolutamente nada com Álvaro Damião em relação ao apoio para senador. Toda a nossa conversa pós-eleição da Câmara foi sempre pensando em Belo Horizonte. E aí, para minha surpresa, em um dia recente agora. Nós estávamos jantando e o Álvaro falou assim: ‘Você vai ser meu candidato a senador, vou te apoiar’”.

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