O início das obras do Rodoanel da Região Metropolitana de Belo Horizonte pode ocorrer no segundo semestre deste ano caso o governo estadual consiga reverter a decisão judicial que travou o licenciamento ambiental do projeto, segundo informou o secretário de Infraestrutura, Mobilidade e Parcerias, Pedro Bruno, na tarde desta quarta-feira (11/3). Este é o terceiro adiamento do cronograma do projeto.
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Inicialmente previsto para 2023 e postergado para o segundo semestre de 2025, o início das intervenções do Rodoanel havia sido adiado para a primeira metade deste ano, após o licenciamento ter sido judicializado a pedido de comunidades quilombolas de Contagem, situadas próximas ao traçado. Uma liminar concedida pelo Tribunal Regional Federal da 6ª Região (TRF-6) acatou a reivindicação, no fim do ano passado. O argumento é de que as comunidades afetadas não foram ouvidas pelo governo estadual no processo de elaboração do projeto.
Conforme explicou o secretário Pedro Bruno, há uma audiência de conciliação prevista para o final deste mês para buscar um entendimento que permita o avanço dos trabalhos. Segundo o chefe da pasta, as obras só podem começar após aprovação do licenciamento ambiental de todo o traçado do Rodoanel, previsto para ter 70 quilômetros de extensão ao longo de oito municípios da região metropolitana.
“A nossa expectativa hoje foge à governança do estado, porque precisamos de uma decisão judicial. Mas, tendo a decisão judicial favorável nos próximos meses, (a expectativa) é iniciar a obra já no segundo semestre deste ano”, pontuou.
Contudo, mesmo com o início dos trabalhos ainda este ano, não há previsão para quando o Rodoanel deve ser concluído – e, conforme estima o secretário, isso só deve ocorrer após longos anos. Pedro Bruno cita como exemplo a obra do Rodoanel de São Paulo (SP), que teve início no fim dos anos 1990 e ainda possui trechos sendo entregues, e o Contorno Viário de Florianópolis (SC), que levou cerca de 15 anos para sair do papel.
“São empreendimentos que têm que ter resiliência e um esforço muito grande, porque não é trivial construir uma rodovia de 70 quilômetros numa região muito densamente povoada, que é a Região Metropolitana”, argumenta.
Investimentos
O detalhamento do adiamento das obras foi feito em um fórum realizado pela Federação das Indústrias do Estado de Minas Gerais (Fiemg), proposto para discutir justamente o impacto do Rodoanel e as expectativas com a obra. Participaram do evento, além do secretário, representantes da Rodoanel BH, (concessionária responsável), de trabalhadores e de sindicatos patronais da indústria.
O anfitrião do fórum, Flávio Roscoe, presidente da Fiemg, defendeu que o início das obras é uma necessidade devido à falta de segurança no Anel Rodoviário de Belo Horizonte – estima-se que a implantação do Rodoanel retire 5 mil caminhões diariamente da capital mineira. Roscoe explica que, sob a ótica da indústria, a construção da rodovia deve ampliar os investimentos do setor na região metropolitana.
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“Hoje, qualquer coisa que acontece no Anel (Rodoviário) para Belo Horizonte. E isso tem impacto nos negócios, tem impacto na mobilidade e tem impacto na decisão de investimentos. Claro que infraestrutura é fundamental, e o Rodoanel vai permitir que mais empresas se instalem aqui no conjunto da área metropolitana com a segurança de que terão um acesso e uma infraestrutura adequada”, argumenta.
