'Resolveram nos matar, resolvemos viver', diz Cármen Lúcia
Ministra do STF ressalta que uma brasileira é morta a cada seis horas e destaca a inconstitucionalidade da 'defesa da honra' declarada em 2025
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Presidente do Tribunal Superior Eleitoral (TSE) e ministra do Supremo Tribunal Federal (STF), Cármen Lúcia afirmou, no evento "Todas e todos contra o feminicídio", promovido pelo Tribunal de Contas da União (TCU), que o Brasil vive um cenário de “barbárie” e não de civilização, enquanto mulheres continuam sendo mortas física e socialmente.
“Não falo em recivilização, porque não falo em civilização em um local onde matam pessoas. Matam crianças e meninas fisicamente, socialmente, intelectualmente e psiquicamente. Isso não é uma civilização. É um simulacro que ainda não chegou ao aspecto civilizatório de uma humanidade que rejeita a barbárie. Isso é, sim, barbárie. (...) Resolveram nos matar, resolvemos viver”, ressaltou nesta quarta-feira (11/3), ao destacar, com base em dados de 2026, que uma mulher é assassinada no país a cada menos de seis horas pelo simples fato de ser mulher.
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Um dos marcos jurídicos detalhados pela ministra foi a decisão do Supremo, de março de 2025, que declarou inconstitucional o uso do argumento de “defesa da honra” em casos de feminicídio. Cármen criticou a estratégia de advogados de atacar a vida pregressa das vítimas para justificar o crime, mencionando casos históricos onde réus foram absolvidos sob aplausos após assassinarem mulheres com tiros no rosto.
A ministra utilizou ainda a metáfora da “gata borralheira” para descrever o confinamento histórico das mulheres ao espaço doméstico, enquanto os homens ocupam os espaços de decisão e lazer.
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“Os clubes de charuto continuam ainda hoje em Brasília, em qualquer lugar do Brasil. Os homens se reúnem, se divertem, se apresentam e depois na hora de promover para um tribunal são esses que vão porque já conhecem aquele que vai nomear, porque é aquele que eu te apresentei depois do jogo do futebol. Onde estamos nós? De casa para o trabalho, do trabalho para casa, com dupla, quando não, com tripla jornada. Mas vocês são muito guerreiras e todo ser humano tem que ser guerreiro nesse sentido de lutar pela vida", declarou a magistrada.
E completou: "Queremos ser namoradas, nós queremos ser festivas, queremos ser amigas, queremos passear, queremos não ser guerreiras o tempo todo, porque isso cansa. A vida não é um estresse, a vida é uma grande aventura para ser vivida com prazer. O destino do ser humano é a felicidade".
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Para Cármen Lúcia, “sem mulheres não há democracia”. Ela encerrou citando a escritora Conceição Evaristo: “Combinaram de nos matar, e nós combinamos de não morrer”, reafirmando que a resistência feminina é o que mantém viva a esperança de uma sociedade livre, justa e solidária, conforme o Artigo 3° da Constituição Federal.