CMBH

Mobilização de influenciadores políticos toma galerias da Câmara de BH

Grupo tem alterado o clima das sessões legislativas

Publicidade
Carregando...

Projetos considerados polêmicos na Câmara Municipal de Belo Horizonte, como o que autoriza a internação involuntária de dependentes químicos e o chamado texto “anti-Oruam”, têm ampliado a mobilização de jovens influenciadores ligados a pautas da direita nas galerias do Legislativo. Convocados pelas redes sociais, esses grupos passaram a marcar presença nas votações e a interferir diretamente no clima das sessões. Enquanto os apoiadores defendem a atuação como forma de pressão política, vereadores relatam aumento de confusões, com registros de tumultos, interrupções e discussões acaloradas no plenário, elevando a tensão dentro da Casa.

Fique por dentro das notícias que importam para você!

SIGA O ESTADO DE MINAS NO Google Discover Icon Google Discover SIGA O EM NO Google Discover Icon Google Discover

Entre os nomes mais citados está o suplente João Fernandes (Novo), que disputou as eleições municipais pelo Partido Novo e atualmente atua no gabinete do vereador Vile Santos (PL). Com cerca de 502 mil seguidores no Instagram, ele ganhou projeção digital por meio de vídeos de posicionamento ideológico, críticas ao Supremo Tribunal Federal (STF) e defesa de pautas conservadoras.

Nos bastidores, parlamentares afirmam que a convocação de apoiadores feita por Fernandes nas redes sociais tem contribuído para a presença recorrente de grupos organizados nas galerias durante votações de maior repercussão política, como propostas ligadas à segurança urbana e assistência social.

Em entrevista ao Estado de Minas, o suplente negou responsabilidade pelos tumultos e afirmou que a mobilização integra a estratégia política do grupo. “Não houve nenhuma discussão na CMBH. O que houve foram ataques de militantes e assessores de esquerda contra nós, no dia da votação da Lei Anti-Oruam. Eu convoquei a militância nas minhas redes sociais para virem apoiar o projeto. Essa é a nossa estratégia, fazer boas políticas públicas para melhorar a vida de quem mora em BH”, declarou.

Suplente pelo Novo, João Fernandes poderá assumir uma cadeira no Legislativo municipal caso vereadores do partido sejam eleitos em outubro para outros cargos. Nomes como Fernanda Pereira Altoé, Marcela Tropia e Bráulio Lara são apontados como possíveis candidatos à Assembleia Legislativa de Minas Gerais (ALMG) ou à Câmara dos Deputados, cenário que abriria espaço para sua convocação.

Outro personagem presente nas sessões é Alê Fiscaliza, ex-candidato a vereador pelo MDB e atualmente ligado à juventude do Novo. Com cerca de 28,7 mil seguidores, ele ganhou visibilidade digital com vídeos de fiscalização urbana, especialmente denúncias de buracos em vias públicas e cobranças por manutenção de infraestrutura. Parte dos conteúdos é gravada em bairros da região Oeste da capital, como o Buritis.

Também ao EM, Alê afirmou que acompanha votações e produz conteúdo político dentro da Câmara.
“Teve um projeto muito importante sobre a internação compulsória dos moradores de rua. Eu comecei a entrevistar pessoas dentro da galeria. Quando elas começaram a se contradizer com quem as levou, acabou dando essa confusão”, disse.

Durante a discussão em plenário sobre o projeto de lei que autoriza e regulamenta a internação involuntária de dependentes químicos em Belo Horizonte, o influenciador Ale também se envolveu em um dos episódios de tensão registrados no Legislativo. Segundo relatos, ele chegou a ser agredido no meio de uma discussão acalorada, em um ambiente já marcado por confrontos verbais, troca de acusações e forte mobilização de apoiadores e críticos da proposta nas galerias da Câmara. O clima de polarização em torno do tema contribuiu para o aumento dos conflitos durante a sessão.

Confrontos 

Segundo relatos de vereadores e funcionários da Casa, a presença de grupos mobilizados nas galerias se intensificou nas últimas semanas, principalmente durante votações consideradas polêmicas. Em uma das sessões mais recentes, houve troca de empurrões, gritos e necessidade de intervenção da segurança institucional para conter manifestantes.

Servidores que atuam em gabinetes de parlamentares da bancada de esquerda relatam terem sido alvos diretos de provocações e agressões físicas ao tentarem organizar o fluxo de pessoas ou intervir em discussões. A reportagem procurou alguns desses profissionais para comentar os episódios, mas não obteve resposta até o fechamento desta edição. 

Vídeos gravados dentro do plenário e divulgados nas redes sociais passaram a circular com milhares de visualizações, ampliando a repercussão dos confrontos e das pautas em debate. Nas plataformas digitais, os jovens são ovacionados por apoiadores, acumulando elogios pelas atitudes nas sessões e pedidos por novas ações. “É isso aí”, diz um dos comentários. “Tem que fazer esse povo chorar”, afirma outro.

A reportagem ainda apurou ainda que tanto João quanto Alê passaram a receber “apelidos” nos corredores da Casa. Nos bastidores, eles são comparados a Nikolas Ferreira (PL) e Cleitinho Azevedo (Republicanos). João é chamado de “Nikolas da Shopee”, em referência aos vídeos semelhantes aos do deputado. Já Alê é associado ao senador por causa das filmagens em que aparece “tapando buracos”.

Siga nosso canal no WhatsApp e receba notícias relevantes para o seu dia

O presidente da Câmara, Juliano Lopes (Podemos), afirmou que a segurança foi orientada a agir em caso de novos episódios.

Acesse o Clube do Assinante

Clique aqui para finalizar a ativação.

Acesse sua conta

Se você já possui cadastro no Estado de Minas, informe e-mail/matrícula e senha. Se ainda não tem,

Informe seus dados para criar uma conta:

Digite seu e-mail da conta para enviarmos os passos para a recuperação de senha:

Faça a sua assinatura

Estado de Minas

Estado de Minas

de R$ 9,90 por apenas

R$ 1,90

nos 2 primeiros meses

Aproveite o melhor do Estado de Minas: conteúdos exclusivos, colunistas renomados e muitos benefícios para você

Assine agora
overflay