Gilmar Mendes critica Zema em sessão do STF usando passagem bíblica
Em nota, partido do governador alega que ministro tenta intimidar quem faz críticas à atuação da Corte Suprema
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O ministro do Supremo Tribunal Federal, Gilmar Mendes, criticou nessa quarta-feira (4/3), os governadores que, segundo ele, vivem pedindo decisões liminares para resolver judicialmente problemas que não conseguem solucionar por meio da política e ao mesmo tempo questionam a atuação da corte. Mendes citou, entre os gestores criticados por ele, o governador de Minas Gerais, Romeu Zema (Novo).
"É chocante ver o governador de Minas Gerais que, nos seus bem feitos ou mal feitos, levou o estado a uma debacle (ruína) econômica, mas está sobrevivendo graças a uma liminar dada por este tribunal, atacar o tribunal", afirmou o ministro durante sessão da corte. "Pai, eles não sabem o que fazem, porque, de fato, é chocante”, afirmou o ministro, lembrando a frase dita por Jesus ao ser crucificado.
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A fala de Gilmar é uma resposta às críticas reiteradas feitas por Zema ao STF. No domingo, durante ato pelo impeachment de Alexandre Moraes e Dias Toffoli, também ministros do STF, Zema disse que os integrantes da Corte Suprema se consideram "acima de todas as leis". "Quem vive como rei, com o dinheiro do povo, como eles estão vivendo, têm medo da verdade, tem medo do que nós estamos fazendo aqui".
A declaração do ministro foi rebatida, nesta quinta-feira (5/03), em nota publicada nas redes sociais do partido Novo. A legenda acusa Gilmar Mendes de ameaçar o governador e disse que o ministro pensa que está fazendo um favor, que "poderá ser desfeito, caso ele não se sinta bajulado o suficiente. "De acordo com o partido, "em tom de ameaça, o ministro se coloca no lugar de Jesus Cristo para dizer que Romeu Zema 'não sabe o que faz'. Para ele, Zema não pode criticar o tribunal, pois Minas seria beneficiada por decisões da Corte".
O partido afirmou ainda que a liminar obtida pelo governo de Minas que suspendeu, em 2018, o pagamento das parcelas da dívida bilionário do estado com a União, foi obtido pelo então governador Fernando Pimentel (PT), que antecedeu Zema no comando do Executivo. "Vale lembrar: a liminar que suspende o pagamento dos juros da dívida existe desde o governo Pimentel, em 2018. E o problema das dívidas herdadas dos anos 1990 não atinge apenas Minas Gerais. O fato é que Gilmar Mendes acredita estar fazendo um favor ao governador e ao estado. Um favor que poderia ser desfeito caso ele não se sinta bajulado o suficiente", afirmou.
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Zema ainda não se manifestou sobre as críticas do ministro.