O deputado estadual Guilherme Cortez (Psol-SP) criticou nesta quinta-feira (29/1) uma publicação do deputado federal Nikolas Ferreira (PL), na qual ele aproveita a repercussão da agressão ao cachorro Orelha para defender a redução da maioridade penal.

Nunca esperei nada de você, mas fazer palanque político em cima de um cachorro morto se superou. Outro dia uma idosa agradeceu por ter tomado um raio na sua micareta. Vocês estão doentes.

— Guilherme Cortez (@cortezpsol) January 29, 2026

Ao comentar um vídeo publicado por Nikolas sobre o episódio, Cortez criticou o que considerou exploração do sofrimento causado pela morte do animal. “Nunca esperei nada de você, mas fazer palanque político em cima de um cachorro morto, se superou. Outro dia, uma idosa agradeceu por ter tomado um raio na sua micareta. Vocês estão doentes”, escreveu no X.

A crítica se refere a um vídeo em que Nikolas comenta o assassinato de Orelha, um vira-lata de cerca de 10 anos que vivia na Praia Brava, em Santa Catarina, e era cuidado de forma espontânea por moradores. O cão desapareceu e foi encontrado dias depois gravemente ferido.

Por causa da gravidade dos machucados, o cão precisou ser submetido à eutanásia. A Polícia Civil de Santa Catarina identificou quatro adolescentes como suspeitos do ato infracional de maus-tratos, com base em imagens de câmeras de segurança e depoimentos. Também é investigado um segundo caso atribuído ao mesmo grupo, envolvendo um cachorro chamado Caramelo, que teria sido jogado no mar.

No vídeo que motivou a reação de Cortez, Nikolas afirma que o caso “deve ter a repercussão que está tendo” e sustenta que um adolescente capaz de cometer violência contra um animal pode agir da mesma forma contra uma pessoa. A partir dessa avaliação, ele desloca o foco para o debate sobre legislação penal.

O deputado contrapõe o que chama de visões da esquerda e da direita. Segundo ele, setores da esquerda tratariam os adolescentes como “vítimas da sociedade” e defenderiam o Estatuto da Criança e do Adolescente.

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Já ele se alinha a uma posição mais punitiva. Nikolas diz que os jovens deveriam ser responsabilizados criminalmente por seus atos e argumenta que, se já podem votar e “decidir o futuro da nação”, também deveriam responder de maneira mais dura por crimes. Em um dos trechos que mais geraram reação negativa, ele afirma que os adolescentes “deveriam tomar uma surra e bem dada”.

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