IMPASSES EXTREMOS

Campanha foi fria e faltou visões de futuro, avalia cientista político

Para Sérgio Abranches, autor do livro "Presidencialismo de coalizão" e colunista do Estado de Minas, os dois principais candidatos à presidência da República não empolgaram os seus eleitores, "que não se vê inteiramente representado por nenhuma candidatura"

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Autor do livro, “Presidencialismo de coalizão: Raízes e evolução do modelo político brasileiro”, o cientista político e sociólogo Sérgio Abranches avaliou como “fria” a campanha presidencial de 2026. “Parte dessa frieza se deve ao fato de que boa parte da campanha migrou para as redes sociais digitais. Parte é falta de candidaturas com visões de futuro, conscientes dos desafios e oportunidades das grandes transformações trazidas pela revolução digital”, avalia.

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Colunista do Estado de Minas, Abranches acaba de lançar edição revista e atualizada do livro de 2018, no qual analisa o regime presidencialista brasileiro. Para o cientista político, o eleitor não se engajou nas eleições de 2026 “porque não se vê inteiramente representado por qualquer uma das candidaturas, o que já é resultado da falência dos mecanismos convencionais de renovação e circulação de lideranças e da elite política. As lideranças que temos envelheceram e os candidatos mais novos à liderança não convencem”, acredita.

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“Os dois principais candidatos não empolgam”, analisa Sérgio Abranches. “Lula porque já está no poder há muito tempo, mas tem a vantagem de ter ações que responderam às necessidades do povo e da elite. Flávio Bolsonaro porque não conseguiu convencer de que seria uma novidade além do pai: boa parte de suas mensagens pareciam clonagens do pai”, explica.

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Na edição atualizada do estudo de 2018, Abranches incluiu novos capítulos para examinar a transferência de poder orçamentário e decisório para o Congresso durante o governo Bolsonaro, a fragmentação partidária, os limites enfrentados pelo governo Lula e o papel decisivo que o Legislativo pode desempenhar diante das tensões entre Executivo e Supremo Tribunal Federal, este último com a imagem corroída pelas denúncias de corrupção envolvendo ministros. “A presidência do STF tem uma responsabilidade direta. Ou avança nas apurações e responde à sociedade ou perde autoridade na mesma medida em que o tribunal perde credibilidade. A história não perdoa a protelação, o silêncio e o segredo”, lembra o escritor. Além da nova edição, ele acaba de lançar o ensaio “A terceira margem do Ipiranga: povo, democracia e futuro”, no qual identifica no passado escravocrata e patriarcal brasileiro a origem da pulsão autoritária que ainda viceja no país.

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