HISTÓRIA

resgata história de militante executado na Argélia

Obra de Joseph Andras narra os últimos dias de Fernand Iveton, condenado à morte por planejar atentado, e a dor de sua esposa durante luta pela independência

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Como falar de amor em meio à guerra? Em “Amanhã não ousarão nos assassinar” (Mundaréu), o francês Joseph Andras resgata a história de Fernand Iveton, militante pela independência da Argélia condenado à morte após plantar um atentado em nome da libertação. Enquanto lutava na Justiça pelo direito de permanecer vivo, sua mulher, Hèlene, também se sentia sentenciada, lidando com o desespero e a solidão. 

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O livro conta a história real vivida em meio à Guerra da Argélia a partir de um relato essencialmente humano. Pied-noir – nascido no país africano, mas descendente direto de europeu –, Iveton era um jovem operário e militante comunista que decidiu aderir à luta para tornar a Argélia independente da França.

Em 1956, planejou um atentado com uma bomba na usina de gás em que trabalhava. Plantou a arma em um local afastado e programou a explosão para um horário fora do expediente, na tentativa de chamar atenção para a causa argelina sem deixar feridos. Contudo, o objeto foi encontrado antes da explosão, e Iveton foi preso, torturado e condenado à pena de morte em tempo recorde, sendo o único pied-noir entre os 198 executados pelo governo francês durante a Guerra da Argélia (1954-1962).

Apesar de acompanhar um retrato histórico, “Amanhã não ousarão nos assassinar” não é um livro biográfico ou um relato historiográfico, mas um romance político marcado por uma imersão ímpar. Alternando relatos do passado de Iveton com a agonia dos seus últimos dias de vida, o texto destaca a relação dele com a mulher, Hèlene, além da admiração especial por Henri Maillot, amigo próximo de Iveton que morreu dois anos antes dele, também lutando pela libertação da Argélia.

A obra conquistou a categoria romance de estreia no Goncourt, mais renomada premiação literária da França, em 2016, mas Joseph Andras se recusou a receber o troféu. “Competição, rivalidade e concorrência são, ao meu ver, conceitos estranhos à escrita e à criação”, justificou. A polêmica ampliou o sucesso midiático do livro, apesar do perfil misterioso do autor, que nunca aparece em público e sequer revela o nome verdadeiro - Joseph Andras é um pseudônimo. Em 2020, “Amanhã não ousarão nos assassinar” foi adaptado para o cinema pelas mãos do diretor Hélier Cisterne, com o nome de “De nos frères blessés” (“Dos nossos irmãos feridos”).

“AMANHÃ NÃO OUSARÃO NOS ASSASSINAR”

De Joseph Andras

Tradução de Letícia Mei

Mundaréu (Selo Manjuba)

128 páginas

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