A tensão entre o Supremo Tribunal Federal (STF) e a Polícia Federal ganhou um novo capítulo em Brasília. O ministro Gilmar Mendes, decano da Corte, propôs formalmente ao presidente do tribunal, ministro Edson Fachin, o fechamento dos gabinetes que hoje são ocupados por delegados da PF dentro das instalações do STF. A sugestão intensifica o atrito institucional e já provoca divisões nos bastidores do Poder Judiciário.
A medida, se implementada, alteraria uma longa tradição de colaboração e surge no epicentro de uma crise envolvendo os ministros André Mendonça e Alexandre de Moraes e o diretor-geral da PF, Andrei Rodrigues. O estopim foi a recente quebra de sigilo de um relatório da PF sobre conversas de Moraes no âmbito do caso Banco Master, que investiga um suposto esquema de fraudes.
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Qual o motivo da proposta de Gilmar Mendes?
A principal razão para a proposta é o desconforto gerado pelo vazamento do relatório e a percepção de que a presença constante de delegados pode gerar conflitos de interesse. Segundo Mendes, há o risco de que os delegados cedidos usem suas posições para buscar projeção interna na corporação, o que poderia comprometer a autonomia do tribunal em deliberações sensíveis.
Como funciona a atuação da PF no STF hoje?
Atualmente, cinco delegados da PF estão cedidos ao STF. A distribuição inclui dois no gabinete do ministro André Mendonça, responsáveis por investigações de grande repercussão como os casos Banco Master e INSS; um no gabinete de Alexandre de Moraes; um no de Luiz Fux; e um na área de segurança institucional. Suas principais atribuições incluem:
Servir como ponto de contato direto para acelerar a troca de informações entre os ministros e a diretoria da PF.
Assessorar os gabinetes na condução de inquéritos e processos criminais complexos.
Coordenar e executar diligências, como buscas e apreensões, determinadas pelos magistrados.
Auxiliar na análise de materiais e provas colhidas durante as investigações.
Quais as possíveis consequências da medida?
A proposta divide opiniões. Aliados da ideia afirmam que a mudança reforçaria a soberania do STF, estabelecendo uma distância necessária entre o julgador e o investigador. Para eles, a Corte passaria a contar exclusivamente com sua própria estrutura de análise, sem interferências externas.
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Por outro lado, a Associação Nacional dos Delegados de Polícia Federal (ADPF) criticou publicamente a sugestão. Em nota, a entidade defendeu que os delegados atuam com base em sua expertise técnica e que os magistrados se beneficiam de profissionais especializados. Críticos também alertam que a ausência de um canal direto de comunicação poderia burocratizar o andamento de processos urgentes e aprofundar a crise institucional já existente.
