Casa de prostituição no DF era pesadelo para vizinhos
Moradores e comerciantes relatam histórico de barulho, sujeira, ameaças e tráfico. Operação da PCDF resultou na prisão de responsável pela administração do local nesta madrugada (18/9)
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Na SCLRN 708 Norte, bloco H, no Distrito Federal, um portão branco, discreto, dava acesso a um subsolo onde funcionava uma casa de prostituição. Sem placas, interfones ou fachadas que simulem a prática de outros serviços, o local passa quase despercebido durante o horário comercial. O mesmo vale para o beco situado atrás do edifício. Estreito, o espaço conta com placas que avisam sobre o aluguel de quartos.
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"De dia, costuma ser calmo, mas hoje está mais parado que o normal. Ainda não vi ninguém caminhando por esse corredor", conta a trabalhadora de um restaurante próximo. O vazio tinha motivo. Durante a madrugada desta sexta-feira (18/9), uma operação da 2ª Delegacia de Polícia (Asa Norte) fechou a casa de prostituição, onde também foram encontrados indícios de exploração sexual. A responsável pela administração do local foi identificada e presa.
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A situação era antiga e sabida por todos. "O problema não era a prostituição em si, porque elas (as garotas de programa) não mexiam com ninguém, mas as dores de cabeça que a acompanhavam, como o tráfico de drogas e a violência", diz um trabalhador que preferiu não se identificar.
Ao lado do beco, estão localizados dois hostels — acomodações mais econômicas, normalmente para universitários —, nos quais as reclamações de hóspedes sobre barulho e insegurança eram recorrentes.
"Era uma gritaria, desde barulhos de sexo e ameaças até caixas de som. Sem contar a sujeira, porque tinha gente que defecava ali. Certa vez, roubaram um ar-condicionado aqui do hostel. Reforço que isso não se relaciona diretamente às mulheres que trabalhavam na casa, mas às pessoas que as acompanhavam. Quando os clientes diziam que iriam sair para comprar um lanche de noite, eu sempre recomendava que passassem por outra rua", detalha o dono de um dos estabelecimentos.
Todos os comerciantes com quem a reportagem conversou ponderaram que, mesmo com a casa em atividade, a sensação de insegurança tem diminuído nos últimos três meses, assim como a quantidade de usuários de drogas. "Antes era bem pior. Esperamos que, agora, com a operação, fique ainda mais tranquilo", diz outro trabalhador.
No Brasil, a prostituição exercida por adultos de forma voluntária não é considerada crime. A lei pune pessoas que tiram proveito da atividade alheia, como nas seguintes circunstâncias: lucrar com o dinheiro da prostituição de outro; administrar locais que promovam a exploração sexual; induzir ou facilitar a prostituição de menores de idade ou pessoas vulneráveis; e aliciar ou transportar alguém para fins de exploração sexual.
A operação
A ação comandada pela Polícia Civil (PCDF) ocorreu após a Justiça autorizar buscas em dois endereços — um no DF e outro em Luziânia (GO) — ligados à mulher responsável pela administração da casa. No imóvel comercial no Plano Piloto, foram apreendidos celulares, documentos, registros financeiros, anotações e máquinas de cartão. Os equipamentos eletrônicos poderão ter extração de dados para fins de análise, conforme autorização judicial.
Informações reunidas durante a investigação indicaram que o estabelecimento era usado para a realização de programas sexuais. O levantamento se deu após análises de imagens de sistemas de monitoramento, que registraram a movimentação de mulheres e de pessoas que entravam no subsolo.
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Durante o cumprimento dos mandados, os investigadores reuniram elementos que indicavam a prática de exploração sexual. Segundo a polícia, também foram identificados indícios de crimes de extorsão e tráfico de drogas relacionados à exploração de casas de prostituição na região.