CRIME NO SÃO PEDRO

Defesa de diarista acusada de matar casal de idosos pede prisão domiciliar

Advogado de Paola Stefany Neto Cirino diz que documento da perícia oficial será analisado por equipe médica particular antes da definição das próximas medidas

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A defesa de Paola Stefany Neto Cirino, acusada de matar um casal de idosos no Bairro São Pedro, na Região Centro-Sul de Belo Horizonte, vai submeter o laudo oficial de sanidade mental da diarista à análise de médicos particulares antes de decidir se irá contestar as conclusões da perícia. O documento, produzido pela Polícia Civil de Minas Gerais (PCMG), concluiu que Paola não apresentava perturbação mental que comprometesse sua capacidade de entendimento no momento do crime. Paralelamente, o advogado Bruno Correa Lemos afirma que já pediu à Justiça a prisão domiciliar da acusada.

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Segundo o defensor, o laudo oficial foi encaminhado à equipe médica que acompanha Paola para uma avaliação técnica independente. A intenção é verificar, sob a perspectiva médica, o conteúdo do exame e os fundamentos utilizados pelos peritos. Somente depois dessa análise, a defesa pretende definir se apresentará uma impugnação ao documento ou fará novos questionamentos no processo.

O laudo foi elaborado após a Justiça determinar a instauração de um incidente de insanidade mental. A medida havia sido solicitada pela defesa diante de dúvidas sobre as condições psíquicas de Paola na época do crime. Em agosto, ao autorizar o exame, o juiz Alexandre Magno de Resende Oliveira, da 2ª Vara Criminal de Belo Horizonte, considerou haver "fundada dúvida a respeito da higidez mental da acusada".

A própria Paola havia relatado ter sofrido um suposto surto psicótico durante o episódio. Familiares também haviam mencionado histórico de instabilidade emocional e atendimentos psiquiátricos.

O exame foi realizado em 14 de setembro, no Instituto Médico-Legal (IML) de Belo Horizonte. De acordo com as informações divulgadas sobre o resultado, os peritos concluíram que Paola não apresentava doença mental, perturbação da saúde mental ou desenvolvimento mental incompleto relacionados ao momento do crime. A avaliação também apontou que as capacidades de entendimento e determinação da acusada estavam preservadas à época dos fatos.

A conclusão da perícia, no entanto, não encerra a discussão para a defesa. A estratégia agora é aguardar o parecer dos profissionais que acompanham Paola antes de tomar qualquer medida contra o documento oficial.

"Neste momento, portanto, estamos aguardando a análise da equipe médica particular para definir, com segurança técnica, as próximas medidas da defesa", disse o advogado.

Pedido de prisão domiciliar

Além da análise do laudo, a defesa trabalha para tentar retirar Paola da prisão preventiva. 

A diarista está presa desde 2 de julho, quando foi localizada pela Polícia Civil em uma hospedagem em Itabira, na Região Central de Minas Gerais. Ela é acusada do duplo latrocínio de Cláudio Atala Inácio, de 75 anos, e Maria Clotilde Moreira Maciel Atala Inácio, de 76. O casal foi encontrado morto no apartamento onde vivia, em 30 de junho, um dia após o crime.

A investigação aponta que Paola teria utilizado medicamentos de efeito sedativo nas vítimas antes do ataque. Conforme a apuração policial, ela teria entrado no imóvel como diarista no dia 29 de junho e, depois de dopar o casal, iniciado o roubo. O crime teria evoluído para os assassinatos quando Cláudio despertou. A Polícia Civil informou que a suspeita confessou o crime.

Em agosto, ao determinar a realização do exame de insanidade, a Justiça suspendeu o andamento do processo principal enquanto o incidente fosse analisado, ressalvadas diligências que pudessem ser prejudicadas pela espera. A perícia tinha como objetivo justamente esclarecer se Paola possuía, na data dos fatos, capacidade de compreender o caráter ilícito de suas ações e de se autodeterminar.

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Agora, com o resultado oficial em mãos, a defesa terá de decidir se concorda com as conclusões dos peritos ou se apresentará questionamentos técnicos à Justiça. A análise dos médicos particulares deve orientar essa decisão. (Com informações de Mariana Costa e Melissa Souza)

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