INVESTIGAÇÃO

Professora morre após receber injeção para queda capilar em salão

Lidiane Gomes de Souza Alves recebeu a medicação em um salão de beleza no Setor P Norte, em Ceilândia. Após a injeção, ela apresentou uma reação alérgica

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Uma mulher morreu após receber uma injeção para tratamento capilar em um salão de beleza no Setor P, em Ceilândia. Identificada como a professora Lidiane Gomes de Souza Alves, de 50 anos, ela foi ao estabelecimento no último sábado (5/9) para fazer as unhas e o cabelo. No salão, foi oferecida a ela uma medicação com a promessa de evitar a queda e fortalecer os fios. Lidiane aceitou e recebeu a injeção na região do glúteo. Segundo o marido da vítima, Valdeci Alves dos Santos, logo após a aplicação, ela começou a tossir e a se sentir mal.

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“Nós moramos muito perto do salão, então ela veio logo para casa. Quando chegou, ela estava bem ofegante e transpirando muito. Eu perguntei o que tinha acontecido e ela me disse que tinha tomado um coquetel para o cabelo, mas já estava com dificuldade para falar”, lembrou Valdeci.



O homem contou que levou a esposa à Unidade de Pronto Atendimento (UPA) do P Norte e, durante o trajeto, ela desmaiou dentro do carro. “Nós conseguimos atendimento rápido e ela chegou a ser reanimada. Mas teve um choque anafilático por conta da reação alérgica ao medicamento que tomou e não resistiu”, lamentou. Segundo Valdeci, o relatório médico aponta que Lidiane sofreu sete paradas cardíacas.


Enquanto Lidiane era atendida na unidade de saúde, Valdeci voltou ao salão de beleza para descobrir o nome do medicamento e auxiliar a equipe médica no atendimento. “A mulher me mostrou o nome do coquetel, falou que era biomédica e que outras pessoas tinham tomado o mesmo que ela (Lidiane)”, contou.


A responsável pela aplicação do medicamento acompanhou Valdeci até a UPA. Segundo ele, porém, após a confirmação da morte de Lidiane, ela deixou o local. “Eu fiquei desesperado, fui resolver as coisas do enterro da minha esposa e ela desapareceu”, afirmou o marido.


Em busca de Justiça, Valdeci denunciou o caso à 15ª Delegacia de Polícia (Ceilândia Centro). Ele retornou à unidade na sexta-feira (11/9) para buscar informações sobre a investigação e descobriu que a responsável pela aplicação havia se apresentado na delegacia acompanhada de um advogado e permanecido em silêncio. Segundo Valdeci, uma cabeleireira e uma cliente do salão também prestaram depoimento.


“Eu quero justiça. Foi um homicídio, mesmo que de forma culposa, mesmo que ela não tivesse intenção de matar, ela foi imprudente. Ela não perguntou se minha esposa sofria de alguma doença, não fez nenhum teste de alergia”, declarou Valdeci. Segundo ele, a principal motivação para denunciar o caso é alertar outras pessoas. “Mesmo que ela não tivesse a intenção, nós somos responsáveis pelo que fazemos”, afirmou.


Lidiane deixa uma filha de 26 anos, médica, que mora no Paraná por conta dos estudos. O viúvo contou que a mulher tinha boa saúde, mas sofria de bronquite asmática desde a infância e tinha alergia a alguns medicamentos. “A pergunta que não sai da nossa cabeça é esta: por que ela aceitou tomar isso? Ela estava muito feliz pela profissão da nossa filha e, no fim, ofertaram esse medicamento que ceifou a vida da minha esposa”, lamentou.

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Segundo a Polícia Civil do Distrito Federal (PCDF), o caso é investigado pela 23ª Delegacia de Polícia (Setor P Sul), como homicídio culposo e exercício ilegal da medicina.





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