Dívida e crime: o caso que expõe a espiral de violência do endividamento
Investigação sobre assassinato de casal em MG aponta latrocínio como motivação; suspeita tinha dívidas com apostas online, o que acende alerta sobre os perigos do endividamento.
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A prisão de uma diarista que confessou ter assassinado um casal de idosos em Belo Horizonte, Minas Gerais, expôs o perigo do endividamento. A investigação revelou que a suspeita acumulou cerca de R$ 40 mil em dívidas, principalmente com apostas online, que sua família ajudou a quitar ao longo de aproximadamente um ano por meio de empréstimos bancários.
Embora o endividamento seja um fator central no caso, a Polícia Civil classificou o crime como latrocínio (roubo seguido de morte) motivado pela subtração de pertences de luxo do casal. Ainda assim, a situação alerta sobre como o desespero financeiro pode levar a agiotagem, que atrai pessoas vulneráveis com a promessa de dinheiro rápido, mas impõe juros abusivos e um ciclo de extorsão.
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Como a cobrança evolui para o crime
A prática de emprestar dinheiro a juros excessivos é crime previsto no Art. 4º da Lei 1.521/1951 (Lei de Crimes contra a Economia Popular), com pena de detenção de seis meses a dois anos e multa. O que começa como uma transação financeira rapidamente se transforma em uma relação de poder, na qual o agiota utiliza métodos criminosos para garantir o pagamento. A escalada da violência costuma seguir um padrão claro e progressivo.
A cobrança geralmente passa por diferentes estágios:
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Ameaças e pressão psicológica: o primeiro passo envolve intimidação por telefone, mensagens ou visitas, criando um ambiente de medo constante para o devedor e sua família.
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Exposição e constrangimento: os criminosos passam a cobrar a dívida em locais públicos, como o trabalho da vítima ou na frente de vizinhos, com o objetivo de humilhar e isolar a pessoa.
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Retenção de bens: em uma etapa seguinte, é comum a apreensão de cartões bancários, documentos e bens como celulares e veículos, como forma de “garantia” forçada.
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Violência física: quando as outras táticas falham, a violência se torna a principal ferramenta. Agressões e ameaças diretas à integridade física são usadas para coagir o pagamento ou como punição.
Essa dinâmica de terror impede que muitas vítimas procurem a polícia, seja por medo de retaliação ou por vergonha. O silêncio alimenta o poder dos agiotas, que frequentemente estão ligados a outras atividades criminosas, como lavagem de dinheiro e até mesmo o tráfico de drogas, usando os empréstimos como uma forma de expandir sua influência e capital.
O perfil de quem recorre a esses empréstimos é variado, mas geralmente inclui pessoas com o nome negativado ou que precisam de dinheiro com urgência.
Recentemente, o crescimento das apostas online tem criado um novo perfil de endividados que, em desespero, podem recorrer a agiotas ou cometer crimes. A falta de educação financeira e a busca por soluções rápidas criam o cenário ideal para a atuação de criminosos, transformando um problema financeiro em uma grave questão de segurança pública.
Uma ferramenta de IA foi usada para auxiliar na produção desta reportagem, sob supervisão editorial humana.
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*Estagiária sob supervisão do subeditor Thiago Prata