OPERAÇÃO UNHA E CARNE

Quem é Márcio Poncio, preso em operação da PF

Pastor e patriarca da família Poncio foi preso em investigação que apura supostas conexões entre a máfia do cigarro, o jogo do bicho e agentes públicos no Rio

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O pastor e empresário Márcio Poncio foi preso na manhã desta quinta-feira (2/7) durante a 5ª fase da Operação Unha e Carne, deflagrada pela Polícia Federal (PF). A ação investiga um esquema de lavagem de dinheiro supostamente ligado à chamada "Máfia do Cigarro" e ao jogo do bicho no estado do Rio de Janeiro.

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Márcio Poncio, de 52 anos, é pastor, empresário e ganhou notoriedade nacional por integrar a família Poncio, conhecida nas redes sociais pela exposição da rotina, do patrimônio e por diversas polêmicas envolvendo seus integrantes. Natural do Rio de Janeiro, ele construiu parte de seu patrimônio no setor do tabaco e atua como pastor evangélico há mais de duas décadas. Nas redes sociais, se apresenta como "servo de Deus" e membro da Igreja da Nuvem.

Ele é pai do cantor Saulo Poncio e da deputada estadual Sarah Poncio (Solidariedade-RJ), que assumiu uma cadeira na Assembleia Legislativa do Rio em 2025 após a renúncia de um parlamentar. Casado com a pastora Simone Poncio há mais de 30 anos, o empresário viveu um período de separação em 2023, mas o casal anunciou a reconciliação no ano seguinte. Em março deste ano, os dois revelaram que aguardam o nascimento de mais um filho.

Além da atuação religiosa e empresarial, Márcio Poncio também tentou ingressar na política. Em 2022, disputou uma vaga para deputado federal pelo Rio de Janeiro, terminando como segundo suplente. Em 2025, anunciou candidatura à Prefeitura de Três Rios em uma eleição suplementar, mas não foi eleito.

A prisão de Poncio foi determinada pelo ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal (STF), que também expediu outros dois mandados de prisão preventiva contra o bicheiro Adilson Oliveira Coutinho Filho, conhecido como Adilsinho, apontado como chefe da organização criminosa, e contra o ex-deputado estadual Rodrigo Bacellar. Ao todo, a operação cumpre três mandados de prisão e 14 de busca e apreensão em endereços no Rio de Janeiro e em São João de Meriti, na Baixada Fluminense.

Márcio Poncio foi localizado e preso em um flat na Barra da Tijuca, Zona Oeste do Rio. Segundo apuração do g1, ele passou a ser investigado por possíveis ligações com o esquema criminoso comandado por Adilsinho. Além das prisões, Alexandre de Moraes autorizou o bloqueio de bens e valores de até R$ 22 milhões dos investigados.

Esta nova fase da operação busca aprofundar as investigações sobre indícios de lavagem de dinheiro praticada por Adilsinho e identificar possíveis ramificações do esquema envolvendo integrantes dos poderes Executivo e Legislativo do Estado do Rio de Janeiro. A investigação faz parte das medidas determinadas pelo STF no âmbito da Arguição de Descumprimento de Preceito Fundamental (ADPF) 635, conhecida como ADPF das Favelas. Entre as determinações do Supremo está o aprofundamento das investigações sobre a atuação de organizações criminosas no estado e suas conexões com agentes públicos.

Adilsinho e Rodrigo Bacellar já estavam presos quando a nova fase foi deflagrada. O ex-deputado deverá ser transferido do Complexo Penitenciário de Gericinó, em Bangu, para uma penitenciária federal.

Origem da investigação

A 5ª fase da Operação Unha e Carne é um desdobramento da Operação Fumus, realizada em junho de 2021 para investigar o monopólio da comercialização de cigarros ilegais na Região Metropolitana do Rio. Na ocasião, a Polícia Federal apreendeu planilhas que continham registros de supostos pagamentos indevidos, doações eleitorais e movimentações financeiras relacionadas à lavagem de dinheiro.

Segundo a PF, os documentos chamaram a atenção por indicarem possíveis repasses diretos de recursos a agentes políticos fluminenses. A TV Globo apurou que pelo menos 20 políticos passaram a ser investigados sob suspeita de receber pagamentos mensais de Adilsinho. Embora já fosse alvo desde 2021, Adilsinho só foi preso em fevereiro deste ano, em Cabo Frio, após ser localizado por meio de monitoramento com drones.

Deflagrada inicialmente em dezembro de 2025, a Operação Unha e Carne começou investigando um suposto esquema de vazamento de informações sigilosas de operações policiais contra integrantes do Comando Vermelho (CV). Na primeira fase, o principal alvo foi o então presidente da Assembleia Legislativa do Rio de Janeiro (Alerj), Rodrigo Bacellar. 

Segundo a PF, ele teria vazado informações da Operação Zargun, beneficiando o ex-deputado Thiego Raimundo de Oliveira Santos, conhecido como TH Joias, apontado como articulador político do Comando Vermelho. Ainda conforme as investigações, o vazamento teria permitido a destruição ou ocultação de provas, comprometendo o andamento da operação policial. Bacellar chegou a ser preso preventivamente por determinação de Alexandre de Moraes, mas foi solto poucos dias depois por decisão da Alerj, permanecendo sob medidas cautelares, como o uso de tornozeleira eletrônica.

Na segunda fase, realizada ainda em dezembro de 2025, a PF prendeu preventivamente o desembargador federal Macário Ramos Júdice Neto, do Tribunal Regional Federal da 2ª Região (TRF-2). Os investigadores suspeitam que o magistrado repassava informações sigilosas a Bacellar, que posteriormente as transmitia a TH Joias. Segundo a Polícia Federal, mensagens, registros de ligações telefônicas e outros elementos apontam para uma relação próxima entre o desembargador e o então deputado.

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A terceira fase ocorreu em março de 2026, quando Bacellar voltou a ser preso após ter o mandato cassado pelo Tribunal Superior Eleitoral (TSE) e ser denunciado pela Procuradoria-Geral da República (PGR). A denúncia também incluiu TH Joias, Macário Júdice Neto e outros investigados, apontando indícios de uma estrutura de proteção institucional ao crime organizado. Já a quarta fase, em maio deste ano, resultou na prisão do deputado estadual Thiago Rangel (Avante), suspeito de comandar um esquema de fraudes em contratos da Secretaria Estadual de Educação do Rio de Janeiro (Seeduc).

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