SÃO PAULO, SP (FOLHAPRESS) - Uma mulher de 39 anos foi encontrada morta dentro de casa, na zona sul de São Paulo, depois de o marido avisar o irmão dele que havia cometido o crime.
O caso ocorreu na avenida Antônio Ramos Júnior, em Cidade Dutra, na tarde desta sexta-feira (5).
O companheiro da vítima, de acordo com a Polícia Militar, enviou mensagens ao irmão dizendo que tinha matado a mulher e que iria se suicidar em seguida.
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A PM foi acionada e, no local, fez contato com o irmão do homem.
Os agentes entraram no imóvel e encontraram a vítima caída no chão de um dos quartos, já morta. Próximo a ela, estava o marido também no chão, ao lado de um pistola, que foi apreendida para perícia, de acordo com a SSP (Secretaria da Segurança Pública).
O caso foi registrado como feminicídio e suicídio e encaminhado à 6ª DDM (Delegacia de Defesa da Mulher), que conduz as investigações.
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FEMINICÍDIOS EM SÃO PAULO
O estado de São Paulo registrou, no primeiro trimestre de 2026, o maior número de feminicídios entre todos os trimestres da série histórica, iniciada em 2018. Foram 86 casos entre janeiro e março -27 em janeiro, 29 em fevereiro e 30 em março-, alta de 41% em relação ao mesmo intervalo de 2025, quando houve 61 registros (22, 20 e 19, respectivamente), segundo dados da SSP.
Na comparação entre os primeiros trimestres de anos anteriores, o que chegou mais perto foi o de 2024, com 75 casos. O dado consolida uma tendência de crescimento observada ao longo dos últimos anos, com algumas oscilações. Os registros somados de todo o ano passado foram os maiores da série.
BRASIL BATE NOVO RECORDE DE FEMINICÍDIOS NO PRIMEIRO TRIMESTRE
O Brasil registrou alta de 7,5% no número de vítimas de feminicídios no primeiro trimestre deste ano em relação ao mesmo período de 2025. Foram 399 vítimas entre janeiro e março de 2026, ante 371 no mesmo intervalo do ano passado.
É o maior número de registros para um primeiro trimestre em toda a série histórica dos últimos 11 anos, segundo dados do Ministério da Justiça e Segurança Pública.
Os números representam uma média de quatro mulheres assassinadas por dia em contextos de violência doméstica, familiar ou envolvendo desprezo ou discriminação à condição feminina.
Parte da alta nos indicadores de feminicídio é atribuída por especialistas e membros dos governos a uma melhor qualidade da notificação. Ou seja, mortes antes registradas como homicídios comuns passaram a ser computadas como crimes de gênero, fazendo o dado crescer.
Além disso, pesquisadores destacam o peso do machismo, persistente na sociedade, na motivação dos crimes. Na maioria das ocorrências, conforme dados divulgados pelo Fórum Brasileiro de Segurança Pública, o agressor tinha relação direta com a vítima: 59,4% das mulheres foram mortas pelo parceiro íntimo e 21,3% pelo ex-parceiro.
A Lei do Feminicídio alterou o Código Penal e passou a tipificar esse crime no Brasil em 9 de março de 2015. A legislação abrange assassinatos de mulheres em contextos de violência doméstica, familiar ou motivados por misoginia. Ou seja, o primeiro ano com dados completos é 2016.
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O governo federal tem ampliado esforços para tentar conter esse tipo de crime e lançou neste ano o Pacto Nacional Brasil contra o Feminicídio, iniciativa que busca fortalecer a rede de proteção às vítimas e aprimorar a resposta do Estado à violência de gênero.
